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Cláudia
Regina
Muita
energia positiva para você leitor/internauta do azougue.com.
A entrevista de hoje é de encantar. Conversamos
com uma pessoa que é simplesmente uma grande mulher.
Ela é graduada em Direito pela Universidade do Estado
do Rio Grande do Norte (UERN) e em Serviço Social pela
Universidade Federal do Ceará (UFC). É
pós-graduada em “Qualidade nas Políticas
Públicas” pela UFC e tem um papo agradabilíssimo.
Tenho o prazer de mostrar um pouco de Cláudia Regina,
a vice-prefeita de Mossoró e uma mulher que ama o que
faz.
Azougue
- Onde, quando nasceu e nome completo?
Cláudia
Regina: Cláudia
Regina Freire de Azevedo, nasci na zona rural de Aracati - Ceará,
no dia 28 de agosto de 1964.
Azougue
- Nome dos pais?
CR
-
José Maria Freire de Andrade e Zaira Costa Freire.
Azougue
- Casada? Quantos filhos?
CR
- Casada
com Vagner Carlos de Araújo Azevedo, que é funcionário
do Banco do Brasil, e tenho dois filhos: Paulo Rafael de 15
anos e Victor Vagner de 17 anos.
Azougue
- Como foi sua infância e sua adolescência?
CR
-
A minha infância foi igual à de toda criança
do interior, convivendo no dia a dia da cidade, brincando e
se divertindo. Minha infância foi toda em Aracati, morávamos
em frente a uma Igreja Católica com a convivência
muito grande com a igreja, pois minha casa era vizinho à
casa paroquial de Aracati. Então, isso proporcionou uma
convivência com os padres, com os movimentos católicos
e também com os movimentos de conscientização
a partir da formação de catequistas, mas também
com muita brincadeira de meio de rua, muita formação
de grupos. Nós sempre tivemos a tendência muito
grande, desde pequeno, de nunca estarmos sozinhos, inclusive
nós formamos um conjunto musical que animava as festas
religiosas. Mas também atuava junto com um grupo de jovens,
que fazia parte, de uma forma muito definitiva, da tomada de
decisões da cidade, desde a participação
direta das enchentes de Aracati até o trabalho com os
senhores do grupo Vicentino, um grupo ligado à Igreja
Católica. Nós sempre participamos ativamente na
cidade, contribuindo com a nossa formação, mas
sempre com esse sentimento de estar agrupado e de poder contribuir
de alguma forma.
Azougue
- Qual era o nome do grupo e qual era sua função
dentro do grupo musical?
CR
- (Gargalhadas).
Eu tocava guitarra, diga-se de passagem, muito ruim. O grupo
não tinha nome, mas ele animava a igreja e o meu trabalho
era muito mais manter o grupo vivo. O grupo funcionava como
atrativo para o jovem e aí nos aplicávamos um
trabalho de conscientização com o reconhecimento
do jovem em seu contexto e mostrando a importância do
jovem na sociedade.
Azougue
- Quando surgiu a vontade de fazer assistência social?
CR
- Com
certeza essa vontade veio com a influência da minha família,
pois minha mãe tinha uma tendência natural, não
de fazer caridade, mas sim ajudar às pessoas para que
elas próprias conduzissem seu caminho, dando meios para
que elas se levantassem. Na adolescência isso veio com
mais força e com a vontade de fazer Serviço Social.
Mas eu creio que esse é um sentimento nato, a faculdade
veio só com a necessidade de se aprimorar e de melhorar
ainda mais o nosso trabalho, mas a vontade de ajudar é
nata.
Azougue
- Você é mulher, grandona, simpática, eu
queria saber no que isso te atrapalhou e no que isso te ajudou?
CR
–
Primeiro temos que tirar esse estereótipo de que ser
mulher, nordestina e ser forasteira, pois quem vem de outro
estado é considerado forasteiro, possa ser um obstáculo
para a gente atender àquele que queremos atender. Que
existe o preconceito existe, mas eu fui criada sabendo que só
fazem da gente o que a gente deixa que façam. Então
não podemos fazer com que isso nos impeça de atingir
nosso objetivo. Eu acho que esse estereótipo não
deve existir, principalmente numa cidade onde a primeira mulher
votou, onde uma mulher conduziu um manifesto contra as estruturas
tradicionais da época, como foi o caso do Motim das Mulheres,
então não podemos permitir que essas marcas se
apaguem. Eu senti esse preconceito não aqui na cidade,
mas eu tive um episódio no Rio de Janeiro onde, quando
eu me apresentei como de Mossoró no Rio Grande do Norte,
alguns já puxaram o canto da boca, como se uma mulher
nordestina não tivesse condições de fazer
defesas e colocar posicionamentos, e quando eu acabei minha
defesa me perguntaram onde era Mossoró! Eu achei que
isso era uma agressão e uma afronta. A partir desse episódio
eu passei a me identificar somente depois de acabar minha argumentação,
pois achei que o caminho era mais fácil se as pessoas
vissem primeiro minhas colocações pra depois eu
me identificar. Como realmente o foi. Então, eu creio
que devemos acabar com esse estigma de que tudo deve ser resolvido
no cenário nacional, pois nós temos uma história
que precisa ser defendida e a nossa região tem seus valores
e sua importância. Essa foi a única vez que eu
senti essa discriminação e que eu senti a necessidade
de usar artifícios. Recentemente, já como vice-prefeita,
estive em Macaé, onde eu utilizei esse artifício.
Tratava-se de um evento internacional, que falava do petróleo,
e nós tivemos lá um posicionamento a respeito
da questão social da aplicabilidade dos recursos, a partir
de como os municípios conduzem, e quando eu argumentei
que nós precisávamos defender os royalties do
petróleo, pois o petróleo não é
um recurso renovável, e precisava de uma alternativa
para que com o término deste recurso a população
possa se manter. Quando eu acabei de falar, o representante
do Espírito Santo levantou-se e disse que louvava a defesa
que nós tínhamos feito, pois o sentimento que
o sul e o sudeste têm é que os nordestinos só
comem camaleão. Então eu quero mostrar o quanto
é forte essa discriminação por ser nordestino
e por ser mulher, por isso você tem que se fazer respeitar
pelo que você está dizendo. Você vê
muito nos indicadores que a mulher recebe duas vezes menos que
o homem e nós não podemos dizer que isso acontece
na nossa cidade, porque quem paga melhor são as instituições
públicas, tendo a mesma quantidade de homens e mulheres.
Entretanto, a mulher sai prejudicada porque, por exemplo, o
segundo órgão que mais emprega aqui é a
fruticultura irrigada, que possui a grande maioria empregados
homens. É um espaço que as mulheres têm
que lutar para que tenha os mesmos direitos do homem. Nós
ainda temos que quebrar o estereótipo de que a mulher
só serve para o trabalho doméstico e para ser
secretária. Às vezes as pessoas estranham o fato
de eu ter um secretário, mas nós temos de acabar
com essa história de que tem coisa que só homem
pode fazer e coisa que só mulher pode fazer. Nós
não estamos dentro das estatísticas que pagam
pior, mas existem muitas áreas de trabalho restritas
para a mulher.
Azougue
– Cláudia, o que te faz se sentir em casa? O que
a deixa relaxada?
CR
-
O lugar de relaxamento é a minha casa. Eu não
posso relaxar em nenhum outro lugar se não houver a paz
dentro de casa, pois eu e meu marido conduzimos a nossa casa
como um verdadeiro “porto seguro”. Mas um lugar
da natureza que me faz relaxar é o mar, até porque
eu nasci na beira da praia e me traz várias mensagens
naquele vai e vem das ondas. Mensagens que nos dizem o seguinte:
“Que o quê está ruim hoje, amanhã
pode não estar”, pois a onda quando volta ela já
não volta igual ao jeito que foi, e que cada momento
é único, pois amanhã pode não ser
igual.
Azougue
- Com quantos anos se casou e quando teve o primeiro filho?
CR
-
Casei com 18 anos e tive meu primeiro filho aos 22 anos, porque
nós sempre tivemos o sentimento de que uma família
não se constrói sem estar preparado para trazer
alguém ao mundo. Se você está trazendo alguém
ao mundo, você tem que ter segurança para dar conforto
para sua família e eu e Vagner sempre conversamos muito
sobre isso.
Azougue
- Os meninos estão estudando em Natal, e a saudade como
é que fica?
CR
-
Primeiro, Aline, vão ser sempre os meninos! Pra começar
eu gostaria de dizer que eu tive a satisfação,
com todas as dificuldades de hoje em dia, de ter um filho passando
no primeiro vestibular de Engenharia Mecânica na UFRN,
com apenas dezessete anos. Mas a saudade é muito grande,
pois em todos os lugares que nós íamos, estávamos
sempre os quatro juntos, eu, Vagner e os dois meninos. E por
toda essa nossa união, todo esse laço forte foi
que Rafael, o mais novo, sentiu a necessidade de acompanhar
o irmão. Então eu e Vagner decidimos abrir mão
dos dois, ao ver Rafael sofrendo aqui porque estava longe do
irmão. O sofrimento é grande, o aperto no peito
é grande, mas é com a certeza de estar fazendo
o melhor pra eles.
Azougue
- Já está preparada pra ser sogra?
CR
- Estou e essa preparação vem desde quando Victor
tinha apenas cinco anos de idade. Pois nesse período
nós fizemos uma reforma na casa e eu brincava com Vagner,
porque já havíamos feito uma entrada independente
na casa, pensando nisso, os filhos iriam crescer e eles precisavam
ter a sua vida pessoal, assim como a mãe precisava saber
quantas pessoas iriam tomar café da manhã. Eu
penso que a família sobrevive a partir dos agregados
que chegam, das noras, dos netos, agora tudo tem seu tempo,
tudo tem sua hora e tudo tem que ser feito com muita responsabilidade.
Azougue
- O que Cláudia Regina gosta de assistir, não
como política e sim como mulher, o que gosta de ver na
TV, ouvir no rádio e de ler?
CR
-
Primeiro, quero dizer que é muito bom, no relaxamento,
pegar uma revista que tenha temas variados, que interessam a
todas nós, de como fazer uma maquiagem, de como cozinhar
bem, porque eu sou uma consumidora impulsiva, de tudo que você
pode imaginar, de literatura. Uma literatura que traz um embasamento
teórico na área social, no direito, na justiça,
de relações humanas, que eu gosto muito, isso
é trabalho. Na hora de ser mulher, eu não vou
ficar aqui dizendo que eu pego uma revista que traga temas que
falam de política social ou uma de amenidades, porque
no relaxamento eu pego uma de amenidades. Pego, pois eu quero
saber o que está se usando, o que está se vestindo,
afinal à imagem também é muito importante.
Quanto à televisão e ao rádio, no momento
que eu quero absorver informações eu procuro jornais,
programas com debates, mas a gente tem que separar relaxamento
do trabalho, senão você acaba enlouquecendo, e
sou apaixonada por música, adoro ouvir música.
Uso muito a música, uso a yoga, como uma alternativa
de refúgio, de relaxamento, mas como todas as mulheres,
gosto de revistas e programas de amenidades.
Azougue
- Do que sente falta da época anterior a de ser vice-prefeita?
CR
-
A questão do meu dia-a-dia pessoal não mudou nada.
Não vou dizer a você que não é uma
coisa que você deva adequar, porque você tem que
adequar. Agora quero dizer a você que não me causa
o menor constrangimento ser abordada na rua, muito pelo contrário,
me incomoda se as pessoas não me cumprimentarem. O medo
que eu tinha era de quando eu me tornasse vice-prefeita eu não
pudesse ter o meu dia-a-dia normal, não poder ir a uma
loja no centro da cidade fazer uma compra, porque eu gosto de
ter o controle das situações que dependem somente
de mim, então isso eu faço com muita normalidade.
Eu tenho uma ação muito direta nos bairros de
cidade de Mossoró junto nos movimentos sociais e junto
à igreja, continuo fazendo isso independente de ser vice-prefeita
ou não! Não participo somente como vice-prefeita,
mas também como cidadã. Continuo com minha vida
pessoal, continuo saindo com meu marido à noite me reunindo
com amigos normalmente. Muitas vezes as pessoas estranham porque
acham que você tem que chegar com todo o aparato de vice-prefeita.
Tanto que nesta última sexta-feira eu fui convidada a
um evento como vice-prefeita e logo depois me reuni com meu
marido e um grupo de funcionários do Banco do Brasil
em um barzinho para sentar e jogar conversa fora. Às
pessoas têm que dissociar, o aparato de vice-prefeita
vai embora e entra a cidadã. Uma coisa que me incomoda
na função de vice-prefeita é que esta função
é muito protocolar, ela não tem uma ação
direta de execução, e isso nos primeiros meses
me causou um rebuliço, uma coisa interna. Isso porque
eu sou uma pessoa de ação muito direta, eu não
sou aquela que manda resolver o problema, eu sou aquela que
vai lá e resolve. Então, eu tive que me situar
quanto a isso, pois eu não estava em nenhum atendimento
direto. Mas eu contorno isso através de ações
sociais, jurídicas, como voluntariado de uma forma independente.
Azougue
- A política está chegando e nós sabemos
que as prefeituras se mobilizam. E Cláudia Regina vai
continuar na política ou vai continuar com seus trabalhos
sociais?
CR
-
Nós não podemos separar as atividades política
partidária da política social, pois as duas se
entrelaçam. Nós só não podemos ter
bandeiras únicas e deixar de realizar alguma ação
porque o outro partido levantou aquela situação,
nós devemos defender politicamente todas as situações.
Agora a minha posição de vice-prefeita e de presidente
do PFL é uma situação de política
partidária atuante. Eu não vou deixar de participar,
até porque eu gosto, e muitas coisas que nós conseguimos
avançar nas políticas sociais vieram através
da política partidária e da indicação
de alguns partidos. Portanto, nós não podemos
dissociar isso, vou trabalhar e atuar nas políticas sociais
como sempre faço, mas também neste momento de
política partidária estarei com a bandeira levantada,
a bandeira que prega o desenvolvimento, que prega a liberdade
de expressão e que prega, principalmente, a tomada de
atitudes que podem melhorar o Rio Grande do Norte.
Azougue
- Quais foram as dificuldades que você sentiu para chegar
ao cargo de vice-prefeita?
CR
- Eu
não posso apontar dificuldades até porque para
mim a condição de vice-prefeita é muito
nova. José Agripino disse uma coisa muito interessante:
“Vice não se escolhe, vice se convida”, eu
creio que fui escolhida diante desse quadro de convite, mas
tomando por base o trabalho, tudo que a gente faz pela cidade
de Mossoró com a contribuição que nós
podemos dar para a melhoria da cidade. Por isso, eu não
posso pontuar dificuldades, eu só pontuo que nós
fomos convidados e estamos aqui com muito orgulho.
Azougue
- O que você acha que tem de mais feminino em você?
Você é vaidosa? Como Cláudia Regina se olha
no espelho?
CR
-
Primeiro, eu não sei se usaria o termo vaidosa, mas eu
digo que é procurar estar agradável aos olhos.
Toda mulher olha primeiro para o rosto, pois o rosto é
o primeiro contato e se nós levarmos em consideração
que cada momento é único, veremos que quando você
passa por uma dificuldade você dá aquele sorriso
mal dado, você não agrada muito àquela pessoa,
a sua imagem já fica arranhada. Portanto, quando olho
para o espelho eu procuro estar com a aparência serena,
porque eu acho que a maior deficiência que as pessoas
têm hoje é de atenção, é de
carinho, é de respeito. E se você não está
com a aparência serena as pessoas não se encostam
em você pra poder até dividir as angústias.
Eu digo isso porque as pessoas esperam que eu esteja serena
e tranqüila, pois elas esperam uma divisão dessa
serenidade. A maioria das pessoas que vem aqui é somente
para conversar, para dividir as suas angústias e suas
necessidades. Então, as pessoas esperam isso e quando
você está serena, você está mais bonita
e o seu olho tem um brilho maior.
Azougue
- Cláudia Regina por Cláudia Regina.
CR
-
É essa pessoa expansiva que tem o desejo nato de servir,
não só porque entrou na política partidária,
mas a vontade de servir. Santa Teresinha sempre dizia que o
maior desejo de pessoa é de servir e de ser útil
para as outras. Portanto, Cláudia Regina por Cláudia
Regina é expansiva, sem máscaras, sem retoques
e eu acho que é isso que as pessoas esperam de todos.
Azougue
- Deixe duas frases, uma que você usa para reflexão
e outra para os leitores do azougue.
CR
-
Para os leitores do azougue.com eu queria dizer
não uma frase formatada, mas sim que o país está
passando por uma crise muito grande e que nós enquanto
cidadãos, enquanto mossoroenses, temos a obrigação
de dentro da nossa área de competência encontrar
as soluções para as crises que passam pela nossa
cidade. Então a frase seria: Preste atenção
no que está em torno, tome atitudes, porque a melhoria
e o desenvolvimento da nossa cidade não são só
responsabilidade do Estado, mas de todos nós. Então,
que possamos nos agrupar, pois juntos somos fortes e separados
com certeza somos fracos.
E a frase que sempre me norteia,
como eu tive uma formação muito religiosa, eu
não saio de casa antes de pedir proteção
a Deus para o nosso dia e uma frase que eu uso muito que é
“o Senhor é minha fortaleza e o meu refúgio”.
Independente a que religião pertençamos, façamos
a procura do Deus que está dentro de cada um de nós,
que nos orienta, que nos rege, com certeza encontraremos o nosso
refúgio.
Azougue
- Tem alguma pergunta que não fizemos e que a senhora
gostaria que fosse feita?
CR
- Não.
Pelo contrário, gostei muito da entrevista que mostrou
um pouco da Cláudia pessoa, mulher, coisa que na maioria
das entrevistas a gente não tem a oportunidade de esclarecer.
Gostei muito mesmo.
FOTOS:
DANIEL MORAIS
ALINE@AZOUGUE.COM
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