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JOÃOZINHO
Ele
é aquele cidadão que torce pelos amigos e os aplaude.
É aquele cara que não compactua com atos de improbidade
e a eles aplica a nobre lei do silêncio. É aquele
homem que está sempre medindo os seus passos e alertando
o próximo para a trilha do caminho justo. É o
tipo brincalhão da hora certa e o sempre amigo de todas
as horas. É assim que vejo João Marques Neto,
“o Joãozinho da Fábrica de Cimento”.
Azougue
- Você foi um menino bem presepeiro?
João
Marques - Põe presepeiro nisso. Eu me recordo que quando
tinha 8 ou 9 anos, mais ou menos em 1958, o Sesi funcionava
na rua Souza Machado, próximo à casa em que morávamos.
Determinado dia, à noite, ia existir uma exposição
de bolos que eram feitos pelas senhoras mestras em culinária,
com prêmios para as primeiras colocações.
Eu, Judson Barbosa, hoje odontólogo no Estado do Acre,
Ronaldo Sólon e Lacerda, este último neto de Zé
Rodrigues, no período da tarde nós destravamos
as janelas do Sesi e comemos tudo que era de bolo, beliscamos
todos eles e ainda fomos para a geladeira pegar refrigerantes.
Era alguma coisa em torno de 20 bolos e, além disso,
ainda levamos pedaços para as nossas mães. À
noite foi uma confusão danada, chamaram a polícia
e como éramos 10 irmãos, então tinha que
ter um filho de seu Né. Eu, claro, neguei tudo, mas a
surra que o meu pai me deu foi grande. Essa é uma das
muitas presepadas que aprontei quando menino.
Azougue
- Com o tempo veio o período da bola?
João
Marques - E que período bonito. Tempo que não
se tinha dinheiro, carro nem pensar, quando muito um ou outro
tinha uma bicicleta. No tempo da bola, a porta da minha casa
ficava quase a noite toda encostada. 10 irmãos e cada
um chegando sem nenhum tipo de preocupação. Eu
sempre fui ligado em futebol, ia ao estádio Benjamim
Constant. Via o Potiguar, Baraúnas, Salinistas e por
aí vai. Ainda cheguei a treinar no aspirante do Potiguar,
mas o consumo maior era na quadra da ACDP. Tempo extraordinariamente
bom. Na turma tinha Hipólito Monte, o Popó, hoje
conceituado médico em Fortaleza, o seu irmão Anchieta
Costa Lima, Breno, filho de Bibiu Gurgel, Adelino, que se tornou
profissional do Treze de Campina Grande, Hélio Cabral,
Flávio Barreto, Jacques Vidal, Borjão, Miguel
Couto, esse jogava fácil, Ferreira, Francimar Amorim,
Genário, Eduardo Marques, Paulinho da Honda, que era
muito bom de bola. O briguento da turma era Otílio Barrão,
e os pernas-de-pau eram Breno e Sérgio, filhos de seu
Dodoca, dono da Sorveteria Mossoró. Se um dia numa mesa
esse pessoal estivesse todo reunido, com certeza seria uma alegria
marcante para todos.
Azougue
- A sua marca é Joãozinho da Fábrica de
Cimento?
João
Marques - Isso é típico de Mossoró. É
Zé Carlos da Disco Fitas, Rafael da Agrotec, Pedrinho
da Flama, Joãozinho da Fábrica de Cimento. Olha,
quando saiu o primeiro saco de cimento da fábrica eu
já estava lá. Eu iniciei na Itapetinga no dia
14 de julho de 1972, na função de notista e um
dos funcionários do alto escalão era Carlos Augusto
Rosado e o gerente da empresa era o senhor Emerson Azevedo,
que terminou como superintendente. Trabalhei com o dr. Carlos
Fernandes, que é casado com a filha do saudoso Juca Paiva,
e que foi diretor de futebol do Baraúnas, com quem mantenho
contato telefônico semanal e que é superintendente
da Região Norte. Veja bem, são 33 anos e como
tal não dá para fugir dessa marca, até
porque ela me honra muito.
Azougue
- De notista a gerente administrativo. O caminho foi longo?
Azougue
- Eu, como já frisei, comecei extraindo notas fiscais
e o senhor Éder Medeiros era o caixa. Ele desligou-se
do cargo, sobrando para mim a vaga. Depois, Carlos Augusto Rosado
demitiu-se do cargo de assistente administrativo e o convite
me foi feito para suprir esse espaço. Passei pelos departamentos
de recursos humanos, financeiro, até chegar à
gerência administrativa, onde estou há 15 anos.
Houve um momento em que um convite me foi feito para eu me transferir
para Ribeirão Preto, em São Paulo, eu aceitei,
passei alguns dias lá, mas posteriormente entendi que
melhor seria ficar em Mossoró.
Azougue
- O fim da vida de solteiro acabou quando?
João
Marques - Eu conheci a minha esposa, Fátima, na Itapetinga.
Ela começou na empresa exatamente no mesmo dia que eu.
Ela só passou 3 anos, uma vez que foi aprovada num concurso
do Banco do Brasil, indo atuar em Macau. Algumas vezes o namoro
acabava, mas logo era reiniciado. No dia 18 de junho de 1977
nós enfrentamos o altar e hoje temos 3 filhos. Lissa
Cristina, João Paulo e João Eduardo. O mais novo,
de 22 anos, João Eduardo, foi campeão mundial
de jiu-jítsu na categoria puma, como faixa azul, título
conquistado em 2002, no Rio de Janeiro, e em 2003 tornou-se
bicampeão só que na categoria galo, como faixa
marrom, também na cidade maravilhosa.
Azougue
- A cidade de Mossoró já está no patamar
que merece?
João
Marques - Ainda não, mas está no caminho certo.
Observe que há alguns anos, quando se terminava o científico,
a primeira coisa a fazer era uma transferência para Natal,
Fortaleza, etc. Nós hoje temos boas faculdades, e só
de Direito são 3, cerca de 6 escolas de idiomas, recentemente
ganhamos a Faculdade de Medicina. O avanço na área
da educação foi muito bom e caminha a passos largos.
Houve também uma melhora substancial no que concerne
à saúde. Alguns segmentos não acompanham
o mesmo ritmo, mas as perspectivas estão bem abertas.
Azougue
- Você é emotivo?
João
Marques - Joga emotividade nisso. Eu choro até nas cenas
tristes das novelas. Sou chorão igual a um menino na
ausência da mãe.
Azougue
- Os seus amigos lhe caracterizam como um “bem para todos”.
Você se vê amigos de todos?
João
Marques Neto - Eu aprendi com os meus pais. Éramos 12
irmãos e seu Né e Donana tratavam a todos sem
distinção. Eu sou aquele cara que nunca brigou,
nunca discutiu com ninguém. Quando percebo que alguém
busca em mim a incompatibilidade, eu silencio e simplesmente
me afasto.
Azougue
- Cite uma pessoa por quem você tem a mais profunda admiração?
João
Marques - Uma não, duas. Pela sua capacidade, pela sua
inteligência incomum, eu coloco Emerson Azevedo. Um outro
cidadão por quem tenho muita afeição, pela
forma como se dedica às causas, pela nobreza nas palavras
e atos e que tive a honra de conviver dentro da minha casa é
Milton Marques de Medeiros.
Azougue
- Você falou que nunca discutiu, nunca brigou. Mas tem
alguém com quem você não quer conversa sob
hipótese alguma?
João Marques - Caby, existe sim e mais de uma. Essas
pessoas sabem que já me feriram, só que eu não
guardo mágoa. Apenas coloco-as numa poça de isolamento.
Há um outro detalhe: se eu não gostar de alguém,
eu evito até de citar o seu nome.
Azougue
- Foram muitas as pessoas que lhe machucaram?
João
Marques Neto - Quando essa entrevista estiver no ar eu estarei
completando 56 anos de idade (5 de dezembro) e dizer que existem
apenas 5 pessoas com as quais não quero papo, convenhamos
que não é um número muito alto.
Azougue
- Marido exemplar, manicaca. Como é a parada?
João
Marques - Manicaca, nada, de maneira nenhuma. Sou muito eu,
sempre falo mais alto. Agora (risos), obediente sim. Se a dona
Fátima diz que o chão está sujo eu finjo
que não escuto, assobio, canto e mando a vassoura. Limpando-o.
Manicaca não (risos novamente), obediente sim.
Azougue
- Um dia desagradável?
João
Marques - Eu vou falar, apesar de não gostar de lembrar.
Às 22h do dia14 de agosto de 2004, Dia dos Pais, o meu
filho João Eduardo viajava para Baraúna com dois
colegas, Marcelo Rosado e Adriano Cardoso Nogueira, o carro
capotou, com Adriano hoje estando com uma perna mais curta que
a outra, teve fratura do fêmur, e hoje conta apenas com
um rim. O meu filho sofreu uma pancada muito forte na cabeça
desmaiando imediatamente. Foi um choque muito grande para todos
nós, mas graças a Deus eles estão aí
bem vivos.
Azougue
- Você acompanha o www.azougue.com desde o seu início,
o que significa dizer que foi um prazer tremendo lhe entrevistar.
João
Marques - Caby, o que eu lhe digo é muito simples e também
muito verdadeiro: Eu gosto de ser seu amigo.
jomarques@mikrocenter.com.br
caby@azougue.com |