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ELVIRO
REBOUÇAS
Azougue – Toda criança corre
muito atrás de uma bola. Isso também aconteceu
com você?
Elviro
Rebouças - Quando eu tinha oito anos de idade
a nossa família se transferiu para uma casa localizada
no cruzamento da avenida Alberto Maranhão com a rua
Frei Miguelinho, onde é exatamente hoje o Shopping Oásis.
Na época, as ruas não eram calçadas e
o nosso campo de peladas era num terreno que hoje liga a casa
de Damião Queiroz até o Juizado de Menores. A
turma da bola era formada por Dedeca, Hélio, filho do
dr. João Costa, Kleber Cabral, seu grande amigo Ricardo
Borges (Borjão), Gláucio Gurgel, André e
Lourival, filhos de Luiz Fausto, Zé Laorte, Fernando
Mota, filho de Tetéu Mota, Edmur Rosado e outros.
Azougue – Você era
bom de bola ou na verdade um perna de pau?
Elviro
Rebouças – Caby, você passou boa
parte da sua vida narrando futebol. Alguma vez denominou jogador
tal de craque medíocre? Eu (risos) era o tal do craque
medíocre. Olha tinha também um campinho, que
tem seu espaço hoje ocupado pela Montec. Havia também
o patamar da igreja de São Vicente, que servia de maneira
improvisada como quadra de futebol de salão. As traves
(risos) eram dois tijolos e além dos já citados,
a turma contava com o Pirumbá, o de saudosa memória
Borjinho e outros mais.
Azougue – O grande caráter de nome Ricardo Borges
me falou que você era realmente cracaço no futebol
de botão. Verdade?
Elviro
Rebouças – O Borjão não
está me adulando de jeito nenhum (risos). Na verdade,
eu era mestre nessa atividade esportiva. Nós começávamos
os campeonatos pela manhã e até a noite ainda
estávamos na mesa. Essa era das coqueluches da época.
Tempo bom. Os botões eram batizados com os nomes de
jogadores famosos e eu como flamenguista sempre fazia golaços
com um botão denominado de Dida, que na minha ótica
foi, depois de Zico, o mais astro que o rubro-negro teve. Recordo-me
perfeitamente, e você pode constatar o depoimento com
o seu assessor Borjão, que as estrelas dos campeonatos
eram Hélio Macedo, César Leite Júnior
e este amigo aqui. Aliás, o Borjão falava, falava,
mas não jogava nada (risos). Na modalidade, ele sim
era um craque medíocre.
Azougue – Como nasceu a sua identidade com a política?
Elviro
Rebouças – Em 1960, eu com 14 anos de
idade e o meu irmão Everardo somava 12, período
em que surgiu um fenômeno na política do RN chamado
Aluízio Alves. Meus pais eram ligados ao dr. Duarte
Filho, que era a liderança que representava Aluízio
em Mossoró. O entusiasmo tomou de conta da gente e fomos
para as ruas vender retratos para a campanha de Aluízio,
e recordo-me bem que tinha o custo de 1 cruzeiro. Visitávamos
o bar Suez, o centro comercial e para se fazer justiça
agrupava-se a gente, Paulo e Armando Negreiros. À noite,
a gente prestava contas à senhora Ada Dias, tesoureira
municipal do movimento. A partir daí nasceu o meu despertar
pelo cenário político. Em 1965 votei pela primeira
vez, no candidato a governador monsenhor Walfredo Gurgel.
Azougue – Como surgiu a condição de Elviro
Rebouças, vereador?
Elviro Rebouças– No
ano 1966, dr. Duarte Filho, candidato a senador da República,
chegou a nossa casa e pediu ao meu pai, Genésio Rebouças,
que permitisse a minha candidatura a vereador. Registro,
que antes eu já tinha
como bagagem a condição de presidente do Grêmio
do Colégio Diocesano Santa Luzia e presidia o Centro
Estudantal Mossoroense. A idéia me agradou, em que pese
saber que teria como concorrentes figuras ilustres, tipo Mundoca
Firmino, João Manoel Filho, Osmídio Dantas e
Manoel Mário de Oliveira. Resultado: fui candidato e
o mais votado entre os 16 vereadores, com um total de 1.649
sufrágios e na minha reeleição, em 1970,
fiquei na terceira colocação com 1.368 votos.
Naquela época não existia remuneração,
porém o prazer de prestar serviços à minha
terra estava cima de qualquer condição.
Azougue – Por que a saída do palco político? Elviro
Rebouças – Em 1967, eu fui aprovado num
concurso para o Banco do Estado do Rio Grande do Norte. Existia
muita dificuldade na conciliação das funções
de bancário e vereador. Eu tinha que pegar uma e naturalmente
largar a outra. O meu pai, diga-se de passagem, de uma origem
humilde, porém de uma visão muita ampla e sensata,
me chamou e perguntou: o que você quer ser realmente
na vida? Político ou bancário? Fiquei por um
bom tempo me fazendo a mesma indagação. Sacrifiquei
a emoção e dei seguimento à vida de bancário
e por uma extrema coincidência, o meu mandato terminou
no dia 31 de janeiro e o seu Genésio faleceu no primeiro
dia do mês de fevereiro de 1972. Ele chegou a colocar
que só fecharia os olhos em definitivo quando me visse
fora da política. Era uma espécie de recado de
quem sempre colocou em prática a sensatez.
Azougue – Qual foi o famoso “gol de placa” que
você marcou na Câmara?
Elviro
Rebouças – Toda boa causa em pauta por
mim era abraçada, porém eu me mirava mais na
parte educacional, cultural. Gratifica-me ter sido um dos vereadores
a aprovar a criação da Universidade Regional
do Rio Grande do Norte, hoje Uern. O projeto foi enviado pelo
prefeito Raimundo Soares e aprovado no dia 28 de setembro de
1968. Por dever de absoluta justiça, registro que o
secretário de Educação era João
Batista Cascudo Rodrigues.
Azougue – Um currículo bem amplo e bonito como
bancário. Correto?
Elviro
Rebouças – Eu deixo o julgamento para
o leitor do azougue.com. Os primeiros passos, como já citei,
foram no Banco do Estado do RN, Bandern, cuja agência
funcionava à rua Alfredo Fernandes, pouco tempo depois
mudou de endereço para o andar térreo, onde atualmente é a
Câmara de Vereadores, na esquina que liga as ruas Santos
Dumont e Idalino de Oliveira. No dia 15 de agosto de 1974,
assumi a primeira gerência da recém-inaugurada
agência em Areia Branca. Em 1980, a direção
do banco me convidou para exercer o mesmo cargo em Caicó e
dois anos depois recebi proposta para dirigir o Banco Mossoró,
que tinha atuação apenas na nossa cidade e em
Natal. Traçado um organograma, gradativamente, estabelecemos
agências e pela ordem nasceram as de Fortaleza, Recife,
Caicó, Ceará-Mirim, São Paulo, Rio de
Janeiro, Teresina, João Pessoa e outra em Natal. Como
muita honra vesti a camisa do BM até o ano 1992, quando
resolvi inaugurar a Cifrão Factoring, onde permaneço
até hoje.
Azougue – Qual a maior identidade política de
todos os tempos em Mossoró?
Elviro
Rebouças – Sem
dúvidas, o ex-deputado federal Jerônimo
Vingt Rosado Maia e não apenas em Mossoró. Vejo
como a maior liderança que a região Oeste já teve.
Depois dele, vejo a senadora Rosalba Ciarlini.
Azougue – Estamos próximos das eleições
municipais. Qual a sua análise deste cenário?
Elviro
Rebouças – Eu diria que se a eleição
fosse amanhã, Fafá Rosado estaria reeleita prefeita
de Mossoró. Agora, a política consegue ser mais
dinâmica que as outras atividades. Eu não posso
dizer neste dia 27 de março quem será eleita
prefeita no dia 5 de outubro. Muda-se o perfil de uma eleição
em 24h, 48h, dependendo de um fato, um aspecto, uma movimentação.
Claro que o instituto da reeleição já favorece
quem estiver no cargo e temos os exemplos de Rosalba Ciarlini,
Garibaldi Alves Filho e Wilma de Faria.
Azougue – A tão propalada candidatura a vereador
da sua esposa Niná foi confirmada. Você acreditava
que esse fato fosse concretizado?
Elviro
Rebouças – Com toda a minha honestidade,
digo que não. Posso lhe afirmar que se existe surpresa
em política, para mim, sem dúvidas, uma das maiores
foi o interesse que se apossou de Niná em ser candidata.
Essa candidatura não nasceu dela, nem das lideranças
do partido DEM. Houve uma eclosão surgida das bases,
dos estudantes, dos professores do quadro educacional da cidade.
Há 11 anos que ela é secretária de Educação
do município e realizou um profícuo trabalho.
Há cerca de 6 meses eu vislumbrei nela esse interesse,
sendo que a princípio eu tentei de todas as maneiras,
colocar-lhe que era bonito exercer um cargo público,
entretanto outras prioridades existiam em nossas vidas. Ela
conviveu em 2007 com uma grave enfermidade que graças
a Deus e ajuda de Santa Luzia houve uma reversão absoluta
do quadro e seria o momento de mais sossego, de dentre outras
coisas estarmos mais juntos no dia-dia, na criação
de um neto que temos e que criamos desde a mais tenra idade
e etc. O seu desejo de servir a Mossoró foi maior que
a minha argumentação. Hoje, Nina é pré-candidata
e posso lhe assegurar que o maior apoio que ela terá,
indiscutivelmente, será o meu.
Azougue – Algum sonho não
realizado?
Elviro
Rebouças – Caby, esse sonho já foi
sonhado e nasceu na juventude, quando estava na fase da vereança
e permaneceu mesmo que quando de maneira direta eu me desliguei
da política. Veja você, Aluízio Alves foi
o maior político do RN e morreu sem realizar o seu grande
sonho que era o de ser senador. Aluízio realizou tudo
aquilo que ele sonhou, exceto nunca ter chegado ao Senado da
República. Todos nós levamos para a vida eterna
sonhos que não foram realizados e conquistas que não
foram procuradas. Muito pouca gente sabe, mas em 1998 eu fui
procurado por Carlos Augusto e Rosalba e oficialmente me foi
feito o convite para ser o candidato deles a deputado estadual,
chamamento esse que foi feito com bastante antecedência.
O coração dizia sim e a razão apresentava
pensamento contrário. Eu vou ser como sempre fui, Caby,
sincero com você. Eu era literalmente apaixonado pela
política quando ela ainda apresentava os padrões
antigos. Você votava no candidato pelo seu currículo,
pela sua palavra, pelo seu ideário, enfim, pelas suas
propostas. Infelizmente hoje a política aqui, acolá,
transparece como uma atividade econômica e isso vai de
encontro ao conceito que tenho da essência da política.
Azougue – O nosso obrigado pela atenção
ao www.azougue.com
Elviro
Rebouças – Eu já lhe disse que
sou leitor diário do azougue.com. Nesse momento nós
estamos vivendo o dia 27 de março e ao lado da minha
família passei a Semana Santa em Natal e todos os dias
buscava notícias da nossa terra na sua coluna, na do
Emery Costa, mergulhava no Do Bumba e aplaudo esse trabalho
de resgate que você faz à memória do mossoroense.
Esta semana eu vi a foto da família do conceituado senhor
José Leite. Sou amigo dos seus filhos, George, Maria
do Carmo, esposa de Gilvan Marcelino, Glorinha, isso me fez
recordar as conversas que mantivemos na praça dos Correios,
na Vigário Antônio Joaquim e etc. É um
trabalho admirável esse que você vem fazendo.
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E-mail – cifrao@uol.com.br
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