Mossoró-RN, de 2008
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ELVIRO REBOUÇAS

Azougue – Toda criança corre muito atrás de uma bola. Isso também aconteceu com você?

Elviro Rebouças - Quando eu tinha oito anos de idade a nossa família se transferiu para uma casa localizada no cruzamento da avenida Alberto Maranhão com a rua Frei Miguelinho, onde é exatamente hoje o Shopping Oásis. Na época, as ruas não eram calçadas e o nosso campo de peladas era num terreno que hoje liga a casa de Damião Queiroz até o Juizado de Menores. A turma da bola era formada por Dedeca, Hélio, filho do dr. João Costa, Kleber Cabral, seu grande amigo Ricardo Borges (Borjão), Gláucio Gurgel, André e Lourival, filhos de Luiz Fausto, Zé Laorte, Fernando Mota, filho de Tetéu Mota, Edmur Rosado e outros.

Azougue – Você era bom de bola ou na verdade um perna de pau?

Elviro Rebouças – Caby, você passou boa parte da sua vida narrando futebol. Alguma vez denominou jogador tal de craque medíocre? Eu (risos) era o tal do craque medíocre. Olha tinha também um campinho, que tem seu espaço hoje ocupado pela Montec. Havia também o patamar da igreja de São Vicente, que servia de maneira improvisada como quadra de futebol de salão. As traves (risos) eram dois tijolos e além dos já citados, a turma contava com o Pirumbá, o de saudosa memória Borjinho e outros mais.

Azougue – O grande caráter de nome Ricardo Borges me falou que você era realmente cracaço no futebol de botão. Verdade?

Elviro Rebouças – O Borjão não está me adulando de jeito nenhum (risos). Na verdade, eu era mestre nessa atividade esportiva. Nós começávamos os campeonatos pela manhã e até a noite ainda estávamos na mesa. Essa era das coqueluches da época. Tempo bom. Os botões eram batizados com os nomes de jogadores famosos e eu como flamenguista sempre fazia golaços com um botão denominado de Dida, que na minha ótica foi, depois de Zico, o mais astro que o rubro-negro teve. Recordo-me perfeitamente, e você pode constatar o depoimento com o seu assessor Borjão, que as estrelas dos campeonatos eram Hélio Macedo, César Leite Júnior e este amigo aqui. Aliás, o Borjão falava, falava, mas não jogava nada (risos). Na modalidade, ele sim era um craque medíocre.

Azougue – Como nasceu a sua identidade com a política?

Elviro Rebouças – Em 1960, eu com 14 anos de idade e o meu irmão Everardo somava 12, período em que surgiu um fenômeno na política do RN chamado Aluízio Alves. Meus pais eram ligados ao dr. Duarte Filho, que era a liderança que representava Aluízio em Mossoró. O entusiasmo tomou de conta da gente e fomos para as ruas vender retratos para a campanha de Aluízio, e recordo-me bem que tinha o custo de 1 cruzeiro. Visitávamos o bar Suez, o centro comercial e para se fazer justiça agrupava-se a gente, Paulo e Armando Negreiros. À noite, a gente prestava contas à senhora Ada Dias, tesoureira municipal do movimento. A partir daí nasceu o meu despertar pelo cenário político. Em 1965 votei pela primeira vez, no candidato a governador monsenhor Walfredo Gurgel.

Azougue – Como surgiu a condição de Elviro Rebouças, vereador?

Elviro Rebouças– No ano 1966, dr. Duarte Filho, candidato a senador da República, chegou a nossa casa e pediu ao meu pai, Genésio Rebouças, que permitisse a minha candidatura a vereador. Registro, que antes eu já tinha como bagagem a condição de presidente do Grêmio do Colégio Diocesano Santa Luzia e presidia o Centro Estudantal Mossoroense. A idéia me agradou, em que pese saber que teria como concorrentes figuras ilustres, tipo Mundoca Firmino, João Manoel Filho, Osmídio Dantas e Manoel Mário de Oliveira. Resultado: fui candidato e o mais votado entre os 16 vereadores, com um total de 1.649 sufrágios e na minha reeleição, em 1970, fiquei na terceira colocação com 1.368 votos. Naquela época não existia remuneração, porém o prazer de prestar serviços à minha terra estava cima de qualquer condição.

Azougue – Por que a saída do palco político?

Elviro Rebouças – Em 1967, eu fui aprovado num concurso para o Banco do Estado do Rio Grande do Norte. Existia muita dificuldade na conciliação das funções de bancário e vereador. Eu tinha que pegar uma e naturalmente largar a outra. O meu pai, diga-se de passagem, de uma origem humilde, porém de uma visão muita ampla e sensata, me chamou e perguntou: o que você quer ser realmente na vida? Político ou bancário? Fiquei por um bom tempo me fazendo a mesma indagação. Sacrifiquei a emoção e dei seguimento à vida de bancário e por uma extrema coincidência, o meu mandato terminou no dia 31 de janeiro e o seu Genésio faleceu no primeiro dia do mês de fevereiro de 1972. Ele chegou a colocar que só fecharia os olhos em definitivo quando me visse fora da política. Era uma espécie de recado de quem sempre colocou em prática a sensatez.

Azougue – Qual foi o famoso “gol de placa” que você marcou na Câmara?

Elviro Rebouças – Toda boa causa em pauta por mim era abraçada, porém eu me mirava mais na parte educacional, cultural. Gratifica-me ter sido um dos vereadores a aprovar a criação da Universidade Regional do Rio Grande do Norte, hoje Uern. O projeto foi enviado pelo prefeito Raimundo Soares e aprovado no dia 28 de setembro de 1968. Por dever de absoluta justiça, registro que o secretário de Educação era João Batista Cascudo Rodrigues.

Azougue – Um currículo bem amplo e bonito como bancário. Correto?

Elviro Rebouças – Eu deixo o julgamento para o leitor do azougue.com. Os primeiros passos, como já citei, foram no Banco do Estado do RN, Bandern, cuja agência funcionava à rua Alfredo Fernandes, pouco tempo depois mudou de endereço para o andar térreo, onde atualmente é a Câmara de Vereadores, na esquina que liga as ruas Santos Dumont e Idalino de Oliveira. No dia 15 de agosto de 1974, assumi a primeira gerência da recém-inaugurada agência em Areia Branca. Em 1980, a direção do banco me convidou para exercer o mesmo cargo em Caicó e dois anos depois recebi proposta para dirigir o Banco Mossoró, que tinha atuação apenas na nossa cidade e em Natal. Traçado um organograma, gradativamente, estabelecemos agências e pela ordem nasceram as de Fortaleza, Recife, Caicó, Ceará-Mirim, São Paulo, Rio de Janeiro, Teresina, João Pessoa e outra em Natal. Como muita honra vesti a camisa do BM até o ano 1992, quando resolvi inaugurar a Cifrão Factoring, onde permaneço até hoje.

Azougue – Qual a maior identidade política de todos os tempos em Mossoró?

Elviro Rebouças – Sem dúvidas, o ex-deputado federal Jerônimo Vingt Rosado Maia e não apenas em Mossoró. Vejo como a maior liderança que a região Oeste já teve. Depois dele, vejo a senadora Rosalba Ciarlini.

Azougue – Estamos próximos das eleições municipais. Qual a sua análise deste cenário?

Elviro Rebouças – Eu diria que se a eleição fosse amanhã, Fafá Rosado estaria reeleita prefeita de Mossoró. Agora, a política consegue ser mais dinâmica que as outras atividades. Eu não posso dizer neste dia 27 de março quem será eleita prefeita no dia 5 de outubro. Muda-se o perfil de uma eleição em 24h, 48h, dependendo de um fato, um aspecto, uma movimentação. Claro que o instituto da reeleição já favorece quem estiver no cargo e temos os exemplos de Rosalba Ciarlini, Garibaldi Alves Filho e Wilma de Faria.

Azougue – A tão propalada candidatura a vereador da sua esposa Niná foi confirmada. Você acreditava que esse fato fosse concretizado?

Elviro Rebouças – Com toda a minha honestidade, digo que não. Posso lhe afirmar que se existe surpresa em política, para mim, sem dúvidas, uma das maiores foi o interesse que se apossou de Niná em ser candidata. Essa candidatura não nasceu dela, nem das lideranças do partido DEM. Houve uma eclosão surgida das bases, dos estudantes, dos professores do quadro educacional da cidade. Há 11 anos que ela é secretária de Educação do município e realizou um profícuo trabalho. Há cerca de 6 meses eu vislumbrei nela esse interesse, sendo que a princípio eu tentei de todas as maneiras, colocar-lhe que era bonito exercer um cargo público, entretanto outras prioridades existiam em nossas vidas. Ela conviveu em 2007 com uma grave enfermidade que graças a Deus e ajuda de Santa Luzia houve uma reversão absoluta do quadro e seria o momento de mais sossego, de dentre outras coisas estarmos mais juntos no dia-dia, na criação de um neto que temos e que criamos desde a mais tenra idade e etc. O seu desejo de servir a Mossoró foi maior que a minha argumentação. Hoje, Nina é pré-candidata e posso lhe assegurar que o maior apoio que ela terá, indiscutivelmente, será o meu.

Azougue – Algum sonho não realizado?

Elviro Rebouças – Caby, esse sonho já foi sonhado e nasceu na juventude, quando estava na fase da vereança e permaneceu mesmo que quando de maneira direta eu me desliguei da política. Veja você, Aluízio Alves foi o maior político do RN e morreu sem realizar o seu grande sonho que era o de ser senador. Aluízio realizou tudo aquilo que ele sonhou, exceto nunca ter chegado ao Senado da República. Todos nós levamos para a vida eterna sonhos que não foram realizados e conquistas que não foram procuradas. Muito pouca gente sabe, mas em 1998 eu fui procurado por Carlos Augusto e Rosalba e oficialmente me foi feito o convite para ser o candidato deles a deputado estadual, chamamento esse que foi feito com bastante antecedência. O coração dizia sim e a razão apresentava pensamento contrário. Eu vou ser como sempre fui, Caby, sincero com você. Eu era literalmente apaixonado pela política quando ela ainda apresentava os padrões antigos. Você votava no candidato pelo seu currículo, pela sua palavra, pelo seu ideário, enfim, pelas suas propostas. Infelizmente hoje a política aqui, acolá, transparece como uma atividade econômica e isso vai de encontro ao conceito que tenho da essência da política.

Azougue – O nosso obrigado pela atenção ao www.azougue.com

Elviro Rebouças – Eu já lhe disse que sou leitor diário do azougue.com. Nesse momento nós estamos vivendo o dia 27 de março e ao lado da minha família passei a Semana Santa em Natal e todos os dias buscava notícias da nossa terra na sua coluna, na do Emery Costa, mergulhava no Do Bumba e aplaudo esse trabalho de resgate que você faz à memória do mossoroense. Esta semana eu vi a foto da família do conceituado senhor José Leite. Sou amigo dos seus filhos, George, Maria do Carmo, esposa de Gilvan Marcelino, Glorinha, isso me fez recordar as conversas que mantivemos na praça dos Correios, na Vigário Antônio Joaquim e etc. É um trabalho admirável esse que você vem fazendo.

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E-mail – cifrao@uol.com.br

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