Mossoró-RN, de 2007
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DINARTE JÚNIOR

O nosso entrevistado, o professor Dinarte Xavier Soares Júnior, filho do senhor Dinarte Xavier Soares e dona Terezinha Soares, nasceu em Natal, migrou para os Estados Unidos com um ano de idade e retornou ao Brasil aos 14 anos passando a residir na cidade de São Paulo. Aos dezesseis retornou a Natal e aos dezoito passou a residir em Mossoró. Casado com a sra. Ilma Lima Soares, pai dos jovens Michele e Rafael e complementando a família a netinha Luara. Chegou bastante jovem nesta cidade onde construiu sua vida profissional com responsabilidade, dinamismo e competência. Ao lado de sua esposa, a dinâmica professora Ilma Lima, mantém com sucesso a mais antiga e respeitada Escola de Inglês da cidade - Escolas FISK. Atualmente tem também a franquia de Natal e com possibilidades de agregar franquias da cidade do Recife. Nesta entrevista, fala sobre sua vida pessoal, administrativa e política de forma simples e objetiva. Conheça um pouco mais da vida deste
Cidadão Mossoroense, por título e por convicção, que demonstra muita gratidão por Mossoró, e muito contribuiu para o desenvolvimento educacional, empresarial, e da sociedade em geral, de Mossoró e do Estado. Com vocês,
Dinarte Júnior ou Júnior do FISK, como queiram...

Azougue: Fale aos internautas do azougue de sua trajetória antes de chegar a Mossoró.

Dinarte: Nasci em Natal, e com apenas um ano meus pais foram morar nos EEUU. Ficamos por lá durante 13 anos e retornamos para morar em São Paulo, onde
moramos dois anos e meio. Em chegando lá fui estudar no "Makenzie", não foi uma fase muito boa, pois a cidade muito grande, quase sem amigos, ainda mais eu praticamente analfabeto, porque falava o português ruim e não sabia ler nem escrever. Meu inicio nos estudos foram em inglês e o português que aprendi foi de ouvir meus pais conversarem em casa.

Azougue: O que os levou aos EEUU?

Dinarte - A irmã mais velha de minha mãe casou-se com um americano no período da Segunda Guerra Mundial. Minha avó já era viúva e a acompanhou..., depois minha tia foi chamando as outras irmãs..., lá era muito bom, foi assim que chegamos lá. Ainda hoje existe uma delas que mora em Washington.

Azougue: Em São Paulo, qual era a atividade de seu pai?

Dinarte: Ele tinha uma indústria de malhas, no Bom Retiro. Depois de dois anos, começou achar a vida de São Paulo muito agitada, três filhos jovens aí ele resolveu retornar a Natal onde tinha familiares.

Azougue: E, em Natal?...

Dinarte: Chegando a Natal, seu Dinarte entrou num ramo diferente. Montou um restaurante. O Restaurante SARAVÁ, ali na Praia do Meio, que na época fazia
bastante sucesso. Até hoje encontro pessoas que relembram das noitadas com João de Orestes no SARAVÁ. E, interessante, que o SARAVÁ, parece que só dava certo com ele. Uma vez, foi vendido ao pessoal da Brahma, que não se deu bem e o revendeu. Ele retomou e o SARAVÁ voltou a fazer sucesso por alguns anos.

Azougue: Que lembranças você guarda da sua adolescência em Natal?

Dinarte: Lembro bastante do Clube do América. Meu pai era vice-presidente na gestão de dr. José Rocha, hoje desembargador José Rocha, e naquela oportunidade o clube social era muito ativo. Nós vivíamos no clube nas
piscinas, nas festas e nos preparávamos para os dias de jogos. Bons embates com o rival ABC, onde existia mais fervor, a cidade ficava vermelha e preta nos dias de jogos.

Azougue: Indo para o lado afetivo... Você já convive com Ilma Lima trinta anos. Companheira no lar e parceira no trabalho. Como foi o início deste
relacionamento?

Dinarte: Nós nos conhecemos no dentista. Ela estava se preparando para ir passar um ano nos EEUU, eu falei um pouco das coisas de lá, e ela viajou. Durante esse período não mantivemos contato. Quando ela retornou, nos encontramos em uma festa em Natal, colocamos o papo em dia..., aí ela me pediu em namoro...
(risos)

Azougue: Ilma aqui ao lado não confirma... Ela me pediu em casamento também... (risos)

Azougue: Daí para o casório foi rápido, não...?

Dinarte: Foi! Casamos e vivemos até hoje, diria que muito bem. E, como frutos dessa união nasceram dois filhos maravilhosos, são mossoroenses: Michele é
psicóloga e está casada com um francês morando em Lion; e o Rafael formado em Direito e que me deu uma Netinha (na foto) de nome Luara, continua morando em Mossoró.

Azougue: Por que, depois do casamento, vocês vieram para Mossoró?

Dinarte: Naquele momento nosso forte era o Inglês. Minha Irmã, Margareth, tinha uma franquia das Escolas FISK em Natal e aí pensamos porque não uma Escola
de Inglês em Mossoró, já que a cidade despontava como progressista e começava a crescer?... Apostamos e deu certo.

Azougue: E, aí nasceu o FISK Mossoró?

Dinarte: É sim, tivemos a facilidade do aval de Margareth, o FISK era uma franquia em expansão, já tinha cerca de cento e cinqüenta 'franquiados` por
todo Brasil e que hoje são mais de mil. Algumas pessoas não sabem, mas as Escolas FISK são genuinamente brasileiras, porém existem franquias em outros países tais como Japão e quase toda a América do Sul.

Azougue: Então, parece que o início não foi tão difícil assim...?

Dinarte: Não... não é verdade! Foi uma tarefa difícil e nesse período de implantação gostaria de ressaltar o apoio que nos foi dado por dois homens públicos daquela época a quem somos e seremos sempre gratos. Estou falando do ex-prefeito João Newton da Escóssia e do ex-reitor da Uern, prof. Laplace Rosado Coelho, pessoas que temos o maior apreço e que foram muito importantes na cessão de espaço físico e também do incentivo para que o empreendimento desse certo. Aos dois meu sempre muito obrigado.

Azougue: Vocês chegaram a Mossoró, para montar o FISK, com apenas 18 anos. Se hoje tivesse 18 anos, você teria coragem de reviver essa trajetória?

Dinarte: Não... (risos),... Não! Era muito difícil dar certo.

Azougue: E manter em evidência uma escola por trinta anos?

Dinarte: Um jornalista amigo meu lembrou outro dia que somos a escola pioneira no ensino do Inglês em Mossoró e também a que permanece há mais tempo mantendo-se com um serviço de qualidade e moderno. Modestamente concordo com ele..., porém isso nos impõe uma dedicação muito grande, em momento algum podemos nos deixar acomodar e sempre buscamos o que existe de melhor e mais moderno para que a escola seja atual e eficiente. Até porque se não fosse assim, ela não teria sobreviria nem quinze anos.

Azougue: O tempo de atuação, as boas avaliações feita pela direção nacional trazem algum privilégio ou vantagem para O FISK- RN?

Dinarte: Veja bem, das mais de mil franquias existentes no Brasil, nós estamos entre as dez maiores, somos Top Ten. Esse ranking é estabelecido pela diretiva nacional em função do desempenho de cada franquia. Nas convenções anuais, esses são convocados a compor a mesa dos debates para expor suas experiências para os mais novos e difundir novas idéias para melhorias de toda organização. Fazemos partes dos dez mais, há cerca de seis anos, e temos muito orgulho disso. Inclusive, a próxima convenção acontecerá na Costa do Sauípe, na Bahia. Na oportunidade da escolha, defendi que Natal
fosse à sede, mas fui voto vencido.

Azougue: Escola FISK de Mossoró absorveu a Escola FISK de Natal, fale sobre isso?

Dinarte: A franquia de Natal pertencia a minha irmã Margareth, que por motivos particulares precisou ir morar em Portugal. Ela me ofereceu, eu relutei um pouco, pois estava muito bem em Mossoró, e há muito tempo afastado de Natal. Levando em consideração que a Escola de Natal era mais difícil de administrar, pelo tamanho e pela forte concorrência naquela época. Consultei alguns amigos, minha parceira Ilma e as palavras foram de incentivo a aceitar o desafio. Antes de tomar a decisão recebi uma ligação de Mr. FISK, que foi fundamental, dizendo que gostaria muito que eu assumisse. Foi um apelo decisivo. Inclusive, recentemente, me foi oferecido franquias em Recife. Logo que cheguei em Natal inovei colocando uma Escola em um shopping. Começamos no Praia Shopping e por necessidade de maior espaço fomos para o Shopping Via Direta, onde permanece até hoje e é sem dúvida nossa Escola de maior sucesso. Hoje essa idéia é utilizada por outras escolas.

Azougue: 30 anos e muita gente passou pelo FISK. Você pode citar alguns?

Dinarte: É, muita gente boa foi aluno do FISK. Hoje vários alunos são de nível superior. Há juízes, deputados, promotores, médicos, professores, empresários..., entre outros. Mas, o melhor é que nós temos recebido filhos
e netos dessas pessoas, o que nos dar a certeza que desempenhamos muito bem o nosso papel. Poderia citar como exemplo, sem desmerecer os demais, o casal
Dr. Rosado Cantídio e dona Marta foram alunos nossos e também seus filhos e netos.

Azougue: Todos os anos vocês comemoram o aniversário da Escola. Pra vocês cada ano significa mais uma vitória?

Dinarte: Eu diria mais uma batalha vencida. Também não deixa de ser um trabalho de marketing. Nessa data sempre aproveitamos para homenagear e demonstrar
gratidão às pessoas que contribuíram positivamente com a Escola. Veja... Não é fácil atingir trinta anos com qualidade, tradição e modernidade. O padrão nacional FISK exige isso e fazemos questão de corresponder.

Azougue: O FISK não atua só com a clientela escolar. Que parcerias foram feitas com outros setores da sociedade?

Dinarte: Também aqui fomos pioneiros. Já fizemos e fazemos curso para várias empresas, trabalhamos de forma direta com grupos de executivos e firmamos
alguns convênios com universidades. Atualmente temos convênios com a UnP, UFRN, Uern, Ufersa e chegamos a essa condição adaptando o nosso método com a
realidade de cada área dos cursos dessas instituições. Nós temos cursos de INGLÊS e ESPANHOL para área biomédica, jurídica, administração, tecnologia, entre outras.

Azougue: O tempo é implacável. O trabalho desenvolvido por você e Ilma é elogiável sobre todos os aspectos. Em certo tempo virá a necessidade de reposição de peça. Michele está muito bem na França,... E aí será Rafael o sucessor?

Dinarte: Não, não... Rafael nos ajuda bastante, mas percebemos que não é isso que ele quer. O negócio dele é com a área jurídica. Ele é advogado, quer ser
promotor... E, estou pensando que vai ser Luara, minha neta... (risos). Na minha visão não crescemos mais por não ter, até então, encontrado pessoas com perfil de administrar com a dedicação que eu e Ilma tivemos até agora. Veja, no próximo ano pretendemos colocar uma Escola na Zona Norte de Natal. Já estou imaginando a minha carga de trabalho. Este ano estive em São Paulo,
e novamente, Mr. FISK me perguntou, quando é que você vai para Recife? Respondi que não estava em condições no momento, exatamente por esse
problema.

Azougue: Fale da importância de dona Ilma na Escola FISK?

Dinarte: Ela sempre foi o meu braço direito e sempre será. É pessoa extremamente dedicada, incansável e eficiente no trabalho. Tem a função de diretora, mas atua como professora, administradora e faz tudo com muita responsabilidade. É a melhor funcionária que eu tenho... (risos).

Azougue: E na política? Você sempre nos bastidores, nunca pensou em concorrer a cargo eletivo?

Dinarte: Na política o importante é ser amigo do rei... Ser o rei já é ruim... (risos). Eu sempre me envolvo em política, muito mais por amizades do que pela pretensão de participação efetiva. Na última gestão de dr. Dix-huit eu estive à frente da Secretaria de Turismo onde iniciei dois projetos que até hoje vigoram: O Projeto Costa Branca que propõe integrar as praias das cidades de Areia Branca e Tibau, buscando incrementar o turismo daquela região. O outro foi a Feira Nacional de Fruticultura, FENAFRUIT, iniciada na Esam, e que hoje continua com o nome de EXPOFRUIT. Aliás, agora essa feira retornou para dentro da Ufersa de onde não deveria ter saído. Na política partidária sempre estive ao lado de Frederico, meu amigo, tivemos alegrias e desilusões, ele certo dia pediu minha opinião se deveria continuar, ou não, na política. Eu disse que não, ele acatou e acho que está bem melhor do que antes. Mossoró vivenciou uma época em que o acirramento político atrapalhou muito o crescimento da cidade, hoje observo que mudou, que deixaram "as políticas" mais de lado e foram buscar o crescimento. Mossoró está mais bonita, se desenvolvendo, crescendo muito com a chegada de shopping, universidades particulares, distrito industrial, crescimento vertical. Na área de turismo, temos eventos com destaques nacionais, infelizmente essa questão do aeroporto, para se ter vôos regulares, é um entrave que espero seja solucionado pelos poderes municipal e estadual, em breve tempo.

Azougue: Se convidado fosse, voltaria assumir um cargo público?

Dinarte: Meu tempo hoje é muito importante para o nosso empreendimento. Mas nunca devemos dizer não sem uma boa avaliação. E também é importante ressaltar que eu devo muito a Mossoró. Uma cidade que me acolheu de braços abertos, sou Cidadão Mossoroense com muito orgulho. Foi aqui que geramos nossa família,
meus filhos e minha neta são mossoroenses, foi aqui onde começou meu sucesso empresarial, é aqui onde estão meus melhores amigos, etc. Claro que essas
coisas precisam ser medidas e levadas em consideração antes de se tomar uma decisão.

Azougue: Você sempre falou muito bem de Mossoró. Tem alguma mágoa, decepção?

Dinarte: Com a cidade não. Eu sou devedor a Mossoró e sempre lhe serei grato. Naturalmente, no campo pessoal, pelo envolvimento com a política, aqui acolá um entrevero uma desentendimento qualquer, mas tudo coisa superada sem problemas.

Azougue: Algum plano para o futuro da Escola FISK em Mossoró?

Dinarte: Sim, conversei com Ilma semana passada e decidimos que vamos construir uma nova sede em breve. Será uma Escola moderna, que preservará a qualidade
e tradição. Sempre que viajo, EEUU, França, Caribe, América do Sul fico observando as inovações, as novidades no nosso ramo e tento, na medida do
possível, para incrementar na nossa Escola. Ainda tenho o sonho de um dia criar uma Escola de 1º. e 2º. graus, em Natal ou Mossoró, que funcione em tempo integral.

Azougue: Dinarte Júnior, nós do azougue agradecemos a gentileza e solicitamos suas considerações finais...

Dinarte: Agradecer a todos aqueles que contribuíram para o sucesso das Escolas FISK Mossoró/Natal e a vocês do site azougue.com pela oportunidade de falar
de mim e do FISK.

dinartejunior@hotmail.com

alcindo@ufersa.edu.br

Obs) A entrevista foi produzida pelo professor da Ufersa e comentarista esportivo, Alcindo Júnior.


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