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CHIQUINHO GERMANO/SIMONE
Eu fui a primeira criança sequestrada no Brasil. Um péssimo aluno. Nunca gostei de estudar. “Catota sacou de um revólver e mandou que alguém botasse o pé à frente. Eu me mandei (risos) e o barulho acabou por ali mesmo. E posso lhe dizer com muita humildade que não fui mais vezes porque simplesmente não quis. Em instante nenhum permiti qualquer espaço para a mentira, o logro, a promessa não cumprida. Dinarte Mariz foi um grande líder. Aluízio Alves, que pecou em ao assumir o Governo perseguir os eleitores. Acho que ela ganhará de Iberê Ferreira e Carlos Eduardo Alves. Pelo amor de Deus, não faça isso, deixe a coitada com o restinho dos dentes (risos)”.
Azougue – Como é essa história de “sequestro” na infância?
Chiquinho Germano – Pois é, hoje a mídia fala muito em sequestro e se esquece do velho Chiquinho Germano. Eu fui a primeira criança sequestrada no Brasil (risos). Eu nasci em 16 de abril de 1930, na cidade de Luís Gomes, e quando tinha apenas nove meses, o desembargador José Fernandes Vieira, juiz de Pau dos Ferros, meu primo, e sua esposa minha tia, muito amigos dos meus pais, não contaram conversa, foram me pegando no colo e dizendo: “Vocês têm 9 filhos, vão contando só com 8, pois esse eu acabei de adotar. Tá vendo, eu fui sequestrado mesmo (risos). Fui levado para Pau dos Ferros e depois aportei em Mossoró.
Azougue – Um bom aluno nos colégios?
Chiquinho Germano - Um péssimo aluno. Eu nunca gostei de estudar, cursei apenas o primário e ginasial e depois fiz o curso de contabilidade. A verdade é que eu apenas frequentava o colégio. Levava carão todo santo dia dos meus pais adotivos. Nessa época convivi com muita gente boa e tenho a boa lembrança de ter sido um dos fundadores do Centro Estudantal Mossoroense (CEM), que teve a sua primeira sede postada nas imediações do Mercado Público Central.
Azougue – Quais os primeiros momentos vividos por Chiquinho Germano, o político?
Chiquinho Germano – Eu também nem ao mesmo sei se na época eu me via político. A verdade é que em 1950, Dix-sept Rosado, como candidato ao Governo do Estado, fez o seu primeiro comício bem pertinho do Alto do Louvor, tendo como oradores, além dele, Mota Neto e eu. Terminados os discursos eu tive a ideia de promover um baile dançante e eis que apareceu o sargento Cazé, procurando pela licença do baile. Falei que não tinha licença de nada. Dix-sept e Mota Neto já tinham ido embora, e o tal sargento me prendeu. Chegou o famoso soldado Catota e me disse: “Você se encoste num carro de praça que vai chegar, se mande e não se preocupe que ninguém vai atrás de você”. Catota sacou de um revólver e mandou que alguém botasse o pé à frente. Eu me mandei (risos) e o barulho acabou por ali mesmo.
Azougue – No Rio de Janeiro, a busca por uma definição de vida?
Chiquinho Germano – Em 1952, aos 22 anos de idade, eu incuti na cabeça, como se diz no sertão, que deveria “tentar a vida” e fui para o Rio. Rapidamente arranjei boa amizade com Cezário Queiroz, que me arranjou um emprego no Serviço Nacional de Tuberculose, onde rapidamente abri um grande leque de amigos. Depois prestei serviços ao órgão em Aracaju, voltei ao Rio e surgiu o convite para trabalhar na construção do sanatório de Natal, que hoje é o Hospital Gizelda Trigueiro, onde atuei de 1954 a 1959. Quando eu já me programava para retornar à cidade maravilhosa, aí veio uma espécie de convite do senhor, gente muito boa, meu amigo Amaro Mesquita, que usando da sua influência com o governador Dinarte Mariz, me arranjou o emprego de fiscal de renda.
Azougue – Com essa mudança, chegou à vestimenta oficial do político Chiquinho Germano?
Chiquinho Germano – O envolvimento mais amplo começou a me contagiar a partir do instante em que Dinarte Mariz me pediu para coordenar a campanha do seu candidato a governador, Djalma Marinho, na cidade de Rodolfo Fernandes. Em 1963 veio então a convocação da população para que eu disputasse a primeira eleição do município. Tive como adversários Gonçalo Rêgo e Raimundo Honório Cavalcanti. Apurados os votos fui então eleito o primeiro prefeito de Rodolfo Fernandes.
Azougue – De 1963 a 2010, um total de cinco mandatos. No mínimo uma marca invejável?
Chiquinho Germano – E posso lhe dizer com muita humildade, que não fui mais vezes porque simplesmente não quis. Hipotequei absoluto apoio a seis candidatos e todos eles foram eleitos. Até este momento tenho a honra de ter tido o mais fiel retorno do eleitor da cidade de Rodolfo Fernandes, uma marca caracterizada por honestidade, transparência e jamais, em instante nenhum, permiti qualquer espaço para a mentira, o logro, a promessa não cumprida.
Azougue – 11 vitórias nas urnas municipais não permitem o sonho de uma candidatura na esfera estadual, tipo Assembleia Legislativa?
Chiquinho Germano – Honestamente eu nunca quis ser nada mais além do que um político em Rodolfo Fernandes. E vou mais além, ao informar que não costumo infiltrar-me em climas eleitorais registrados nas cidades vizinhas.
Azougue – Quais os grandes líderes que Rio Grande do Norte teve e tem?
Chiquinho Germano – Dinarte Mariz foi um grande líder. Aluízio Alves, que pecou em ao assumir o Governo perseguir os eleitores de Dinarte e tornar público que para enxugar a máquina estadual havia demitido 20 mil funcionários da administração anterior e dias depois nomeava outros 20 mil, foi um líder incontestável, mas a sua mania de perseguição o impediu de imperar mais tempo no Rio Grande do Norte. Hoje vejo Wilma de Faria, Garibaldi Alves, José Agripino e Rosalba Ciarlini como os nossos maiores expoentes.
Azougue – As pesquisas de hoje indicam Rosalba Ciarlini como a nova governadora do Rio Grande do Norte. O velho Chiquinho também vê esta realidade?
Chiquinho Germano – Acho que ela ganhará de Iberê Ferreira e Carlos Eduardo Alves. Entendo que a máquina do Estado funcionando bem propiciará uma queda aos números de Rosalba, porém não será suficiente para impedi-la de uma vitória.
Azougue – Com 11 vitórias em pleitos numa cidade pequena é natural que muitos fatos insólitos e hilariantes tenham sido presenciados. O senhor pode comentar o que mais lhe chamou atenção?
Chiquinho Germano – Caby, se eu for contar todos, esta entrevista somente será encerrada na Copa do Mundo de 2022 (risos). Vou falar apenas uma. Em uma campanha eu fiquei com a tarefa de ajudar no aspecto de saúde. Um protético amigo nosso foi contratado e passei a observar que ele estava extraindo muitos dentes em uma só pessoa. Chamei-o e disse-lhe: “Meu filho, a partir de hoje nós vamos anotar tudo direitinho em um caderno”. Dois dentes em fulano de tal, três em sicrano e por aí foi. No final do mês fomos fazer a soma. Estamos batendo contas e: “Amigo, dessa senhora Maria de tal, você já arrancou 40 dentes”? “Foi sim seu Chiquinho e ainda falta arrancar mais oito”. Eu não aguentei, dei uma bela risada e recomendei-lhe: “Pelo amor de Deus, não faça isso, deixe a coitada com o restinho dos dentes (risos)”.
caby@azougue.com
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