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Darliane,
Albaniza, Tião, Darliene e Diego
Azougue
– Muita batalha pela vida ainda na infância?
Tião
Couto
– E põe batalha, amigo. Para que você tenha
uma idéia, para eu poder ir à escola tinha que
andar diariamente cerca de dezesseis quilômetros. Eu morava
num sítio em Cajazeiras no município de Mossoró
e já aos sete anos de idade ajudava ao meu pai, Francisco
Hemetério do Couto (Carneiro), na vacaria. Nem energia
existia, era tudo na base da lamparina, do candeeiro. Infelizmente,
ou quem sabe felizmente, o tempo que sobrava para correr atrás
da bola era quase nenhum.
Azougue
– Quando surgiu o primeiro emprego?
Tião
Couto
– Em concluí o ginásio no Colégio
do Bosco e queria fazer o curso de contabilidade que existia
no Colégio Eliseu Viana. Em 1976, e na busca desse objetivo,
ao passar nas obras de construção do conjunto
habitacional Abolição I, parei a bicicleta e procurei
uma vaga num escritório improvisado que existia. O engenheiro
responsável da empresa Procal (Elifábio), me atendeu
muito bem, consegui assim uma vaga de encanador. Essa foi a
minha primeira função profissional. Dois meses
depois eu já administrava esse departamento. Troquei
a bicicleta e orgulhosamente passei a pilotar uma lambreta.
O contrato foi encerrado, recebi convite de Elifábio
para trabalhar em João Pessoa (PB). Fiquei por aqui,
por estar cursando o último ano de contabilidade. Em
1977 fui trabalhar como auxiliar de escritório na CPRM.
Atuei em muitos espaços na empresa, até que no
final de 1981, após pedir a direção para
ir trabalhar em sondas, diga-se de passagem, insisti muito no
pedido, e fui liberado para fazer um curso especializado em
técnica de perfuração na Petrobras, na
cidade de São Sebastião do Passé, Bahia.
Troquei a sala com ar-condicionado pelo sol e graças
a Deus deu tudo certo. Voltei e fiz um estágio na Petrobras.
Azougue
– Alguma raiz com os primeiros poços perfurados
em Mossoró?
Tião
Couto
– Uma raiz que coloco como marca indelével. O primeiro
poço que trouxe o petróleo a Mossoró foi
o do Thermas. Eu trabalhava na CPRM, e no trabalho buscávamos
água, só que veio o ouro negro. Entendo que naquele
momento começou o crescimento e desenvolvimento empresarial.
Azougue
– Novos espaços alcançados na Líbia.
Como foi?
Tião
Couto
– A Braspetro estava perfurando poços na Líbia,
precisamente no deserto de Saara, isso em 1988. Eu pedi uma
licença na CPRM e resolvi buscar novos caminhos e naturalmente
novos aprendizados. Um início nebuloso, pois eu não
falava sequer inglês, não obstante isso os constantes
conflitos da Líbia com outros países e quando
me desliguei da região em 1991, estava sendo iniciada
à guerra com o Kuait.
Azougue
– O que de ruim aconteceu? O que teve de bom?
Tião
Couto
– Foi difícil conviver com as oscilações
de temperatura, às 15h com uma temperatura de 58 graus
centígrados e épocas com 12 graus abaixo de zero.
Lá, metade do ano é de temperatura alta e a outra
metade hiper-baixa. De positivo em primeiro plano as lições
profissionais e pessoais e, claro, o aspecto financeiro. Nós
passávamos por um processo econômico em que a inflação
chegou ao patamar dos 82% , e eu recebia em dólar, dando
sempre ao final de cada mês oportunidade de poupar uma
boa sobra, o que não me seria permitido se estivesse
ficado por aqui.
Azougue
– Algum momento de risco de morte?
Tião
Couto
– Eu estava no aeroporto esperando um vôo para Trípoli.
Minutos antes um avião foi derrubado com mais de 200
pessoas. O detalhe é que o míssil que derrubou
a aeronave foi detonado por engano. Aquele não era o
alvo certo. Claro que a intranqüilidade dominou toda a
nossa equipe.
Azougue
- E as folgas?
Tião
Couto
– Era obedecido o seguinte calendário. Cinqüenta
e dois dias na Líbia e trinta e cinco no Brasil. Frise-se
que o marco da viagem atingia oito dias. Tínhamos quatro
dias para a ida e quatro para a volta. Lembrando que por todo
esse período sempre esteve ao meu lado o meu irmão
Neto, que passou por tudo que eu passei.
Azougue
– Você voltou em definitivo ao Brasil. E aí?
Tião
Couto
– Percebi que não existiam os horizontes que eu
necessitava na CPRM. Fui à luta e fundei com o meu amigo
e vizinho Marco Antonio Fernandes dos Santos a Prest Serviços
Gerais, no ano 1993. Já em 1998, nasceram os primeiros
contratos com a Petrobras. Começamos com jardinagem e
cafezinho, com a luta continuando. Depois entramos na área
de sonda, onde estamos até hoje, Neste ínterim
mudanças operacionais aconteceram.
Azougue
– Tipo?
Tião
Couto
– À medida que o tempo foi passando, eu e Marco
entendemos da necessidade de cada um seguir o seu caminho. Registrou-se
uma harmoniosa comunhão de pensamentos. Eu criei a Prest
Perfurações e ele a Prest Manutenção.
Houve o nosso desligamento profissional, porém a amizade
continua sendo bonita como sempre foi.
Azougue
– Qual o raio de atuação da Prest Perfurações?
Tião
Couto
– No Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Bahia, Espírito
Santo, com um total de oito sondas próprias.
Azougue
– Qual o número de funcionários?
Tião
Couto
- Com precisão fica difícil lhe dizer, mas somamos
alguma coisa em torno de 900 empregos.
Azougue
– No ranking nacional, qual o patamar em que se encontra
a Prest Perfurações?
Tião
Couto
– São seis perfurações em terra e
nós ocupamos a terceira posição, numa distância
pequena para as duas primeiras colocadas.
Azougue
– Existe algum fator desestimulante nesse universo?
Tião
Couto
– Eu diria que em algumas situações os aspectos
burocráticos. Recentemente tivemos que provar para determinado
órgão federal a nossa honestidade, transparência,
só que um processo que poderia demorar dois dias, teve
a duração de cinco meses, comprometendo prazos
e orçamento para a nossa empresa. Mas, é isso
mesmo, fazer o quê? Vou continuar indo à luta com
a mesma honestidade que trouxe do berço e não
permitir que essas adversidades me tirem do sério.
Azougue
- O que mais lhe estimula nessa caminhada?
Tião
Couto
– É ver pessoas que como eu não tinha nenhum
meio de locomoção e ao vestirem a camisa da Prest
Perfurações conseguiram chegar a uma bicicleta,
moto e já dispõem dos seus próprios carros.
Na verdade, a minha maior satisfação é
saber que muitas famílias hoje não estão
mais desamparadas, porque em suas carteiras profissionais existe
a marca da nossa empresa.
Azougue
– A família também é marca atuante
na Prest Perfurações?
Tião
Couto
– Eu sou majoritário, tendo com sócio o
meu irmão Neto, meu amigo Normando Lins, além
dos meus filhos Diego (risos, esse foi no cabresto, mas que
vai muito bem obrigado), Darliene, que trabalha no Departamento
Financeiro junto com a outra filha Darliane que apesar da pouca
idade é de uma competência incomum.
Azougue
– Agradecemos pelo interessante e informativo papo.
Tião
Couto
– Na verdade, ssa conversa era para ter existido há
tempos, só que as minhas tarefas sempre promoveram um
adiamento. Grato, fico eu e a certeza de que sempre estou de
olho no www.azougue.com.
tião@prestperfuracoes.com.br
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