Mossoró-RN, de 2007
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HENRIQUE EDUARDO ALVES

Nos anos 1966, 1967 eu era ala esquerda do Aero Clube e a sorte do Falcão (risos) foi que eu abracei o mundo político. Muitas vezes fui barrado no acesso ao elevador e até mesmo no plenário. – Dessa conhecida nova geração entendo ser o deputado Robinson Faria o grande destaque. Ulisses Guimarães, que foi indubitavelmente o meu grande guia. . Aluísio será sempre a grande referência nesse passado, presente, e como semente de ensinamento para o futuro do Rio Grande do Norte.

Azougue – Algum registro especial da infância?

Henrique Alves – Eu diria que com uma brecha para reclamações em função das muitas ausências do meu pai, Aluísio Alves, na época deputado federal. Você vai crescendo e percebendo que é o estado natural de quem milita na vida pública. Foi assim, quando eu era menino e é assim também com os meus filhos. Aos poucos esse impacto vai sendo reduzido. No mais tudo normal, muito estudo e também sempre correndo atrás de uma bola.

Azougue – Falar em bola, me disseram que você batia bem certinho na redondinha. Verdade, ou é por que você era o dono da bola?

Henrique Alves - Sem essa de dono de bola. Olha, se eu continuo jogando futebol de salão, antes que alguém falasse o nome de Falcão teria que citar primeiro o meu. Você sabe que não se fala em Zico, Rivelino, Romário e outros sem que antes haja citação a Pelé. Nos anos 1966, 1967 eu era ala esquerda do Aero Clube e a sorte do Falcão (risos) foi que eu abracei o mundo político.

Azougue – Como surgiu a paixão pelo Vasco da Gama?

Henrique Alves – Menino ainda, eu morava à rua Alexandre Ferreira, no Rio de Janeiro, e exatamente em frente ficava a sede náutica do Vasco. Os jogadores costumavam se concentrar por lá. Existiam aquelas conversas de fã com ídolo e isso foi esportivamente me consumindo. Em Natal torço pelo América, só que em nenhum instante me permito deixar de ter um tremendo respeito pelo ABC.

Azougue – Quando você se viu político?

Henrique Alves – Olha, quem nasce, cresce, vendo e ouvindo em sua casa o tempo todo políticos conversando sobre política, ou passa a gostar, ou a desgostar. Eu e Garibaldi sempre gostávamos de ouvir e íamos sempre aos palanques. Aqui acolá fazíamos discursos e um dos primeiros foi aqui em Mossoró exatamente na campanha de Antônio Rodrigues de Carvalho, o famoso Capim. O meu pai foi cassado, diga-se de passagem, cassação injusta e em nossa casa no Rio de Janeiro, amigos, correligionários, pediram que a luta continuasse e que existisse o lançamento da minha candidatura a deputado federal. Topei a parada e fui eleito o deputado federal até então mais jovem do Brasil.

Azougue – Como foi em plena ditadura militar ser o mais jovem deputado do Brasil?

Henrique Alves – Eu me elegi em outubro com 21 anos e em dezembro completei 22, assumindo com essa idade o primeiro mandato. Verificaram-se fatos curiosos: muitas vezes fui barrado no acesso ao elevador e até mesmo no plenário. Os políticos eram mais tradicionais e já tinham uma idade de certa forma avançada. Até os meus primeiros oito meses de mandato, passei por fatos meio pitorescos.

Azougue – Do MDB, quem eram as famosas estrelas?

Henrique Alves – Ulisses Guimarães, Paulo Brossard, Marcos Freire, Tancredo Neves, Tales Ramalho, Franco Montoro, Pedro Simon e Teotônio Vilela. Eu participava da executiva nacional e estava lá sempre ouvindo e aprendendo com esses grandes expoentes, e sempre também opinando.

Azougue – Nessa fase inicial, você teve algum orientador?

Henrique Alves - Em casa, claro, o meu pai, porém ele não podia aparecer. Olha, quando eu vinha para o meu Estado, ele não podia vir porque a Polícia Federal fatalmente viria atrás. Eu não me via muito só em face das sempre boas orientações de Tales Ramalho e Ulisses Guimarães, que foi indubitavelmente o meu grande guia na vida pública. Ele sempre me devotou um carinho todo especial. Nós estabelecemos uma relação quase de pai e filho.

Azougue – Quais os políticos considerados antigos do Estado potiguar que mereceram a sua admiração?

Henrique Alves – Vamos lá: José Augusto, um homem muito lúcido, equilibrado. O senador Dinarte Mariz, que se não surge o “radicalismo” teria sido, eu digo com muita honra, meu padrinho. Era um homem de muitas qualidades. Vingt Rosado foi nosso adversário combativo, franco. Houve brigas históricas, mas você sabia que ele era um homem de frente, sabia-se sempre onde ele estava. Um homem de posições claras firmes e confiáveis. E por fim, Aluísio Alves, que é apontado por unanimidade como o grande nome do século do RN. Não sou apenas eu que faço essa colocação, os nossos próprios adversários também comungam com esse pensamento. Aluísio será sempre a grande referência nesse passado, presente, e como semente de ensinamento para o futuro do Rio Grande do Norte.

Azougue – Quem você destaca nessa gama de políticos novos existentes?

Henrique Alves – Dessa conhecida nova geração entendo ser o deputado Robinson Faria o grande destaque. Ele convive facilmente com aliados, adversários, não agride, não fere e também tem posições claras. Vejo também deputado estadual Valter Alves. Ele apresenta uma excelente performance legislativa. É muito o pai, Garibaldi, principalmente na maneira de ouvir.

Azougue – De há muito que o PMDB não lança um candidato a prefeito em Natal. Esse fator tem sido prejudicial ao partido que você preside?

Henrique Alves – Tem sido em muito, e trago para mim a maior responsabilidade. Na maioria das vezes acreditei em pessoas que apresentaram proposta de acordo conosco e não cumpriram. A militância quando não tem candidato majoritário começa a diminuir. Eu tenho melhor me policiado nesse sentido. Certamente que em 2008 teremos candidato em Natal.

Azougue – Quem será o candidato?

Henrique Alves – Ele certamente não vai gostar, mas o nome de Garibaldi é sempre bem lembrado. Tem também o vereador Hermano Moraes que está com grande trabalho nas bases. Eles e, certamente, outros nomes serão analisados.

Azougue – O PMDB reivindicará o espaço de vice na chapa da prefeita Fafá Rosado?

Henrique Alves – Fafá consegue ser metade DEM e metade PMDB. Eu entendo que ela é também um bocado nossa, até porque começou a sua trajetória ao nosso lado. Falamos sobre Fafá com muito carinho e é natural que entendemos ter o PMDB direito a essa reivindicação.

Azougue – Nomes já existem?

Henrique Alves – Quem melhor conhece essa realidade são os militantes do PMDB local. Eles terão autonomia plena e o nosso respaldo absoluto na escolha.

Azougue – Deputado federal e líder da bancada na Câmara. Um aumento considerável de responsabilidade. Correto?

Henrique Alves – Sim, até porque se comentava que com a morte de Aluísio Alves e a derrota de Garibaldi para o governo o PMDB iria se acabar, aí veio a minha indicação, posta por 94 deputados, uma unanimidade, fato nunca antes existido. Posso lhe dizer que foi um fato que consagrou a minha vida pública. A responsabilidade é muito grande e procuro cumpri-la acima de tudo com muita humildade e consciência.

Azougue – A Rádio Difusora deverá voltar a ter o comando do grupo Alves?

Henrique Alves – O que houve na verdade foi que por situações urgentes, me desliguei muito desse autêntico patrimônio de nome Rádio Difusora. Eu apenas vou conversar com o seu atual administrador Paulo Linhares para me inteirar do seu dia-a-dia. Eu quero estar mais perto da emissora e uma conversa nesse sentido acontecerá em breve.

Azougue – Qual o momento mais difícil da sua vida?

Henrique Alves – Cito dois. A cassação do meu pai e o seu falecimento.

Azougue – E o famoso gol de placa?

Henrique Alves – Sem dúvidas a minha primeira eleição. Tô lá eu com apenas 21 anos de idade, recebendo o carinho franco, generoso das pessoas. Por muitas vezes me pego pensando nesses momentos. Foi o meu golaço de placa.

Azougue – Agradecemos pela entrevista.

Henrique Alves – Só tenho a dizer muito obrigado pelo respeito de vocês.


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