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HENRIQUE
EDUARDO ALVES
Nos anos
1966, 1967 eu era ala esquerda do Aero Clube e a sorte do
Falcão (risos) foi que eu abracei o mundo político.
Muitas vezes fui barrado no acesso ao elevador e até mesmo
no plenário. – Dessa conhecida nova geração
entendo ser o deputado Robinson Faria o grande destaque. Ulisses
Guimarães, que foi indubitavelmente o meu grande guia.
. Aluísio será sempre a grande referência
nesse passado, presente, e como semente de ensinamento para
o futuro do Rio Grande do Norte.
Azougue – Algum registro especial da infância?
Henrique
Alves – Eu diria que com uma brecha para reclamações
em função das muitas ausências do meu pai,
Aluísio Alves, na época deputado federal. Você vai
crescendo e percebendo que é o estado natural de quem
milita na vida pública. Foi assim, quando eu era menino
e é assim também com os meus filhos. Aos poucos
esse impacto vai sendo reduzido. No mais tudo normal, muito
estudo e também sempre correndo atrás de uma
bola.
Azougue – Falar em bola, me disseram que você batia
bem certinho na redondinha. Verdade, ou é por que você era
o dono da bola?
Henrique
Alves -
Sem essa de dono de bola. Olha, se eu continuo jogando futebol
de salão, antes que alguém falasse
o nome de Falcão teria que citar primeiro o meu. Você sabe
que não se fala em Zico, Rivelino, Romário e
outros sem que antes haja citação a Pelé.
Nos anos 1966, 1967 eu era ala esquerda do Aero Clube e a sorte
do Falcão (risos) foi que eu abracei o mundo político.
Azougue – Como surgiu a paixão
pelo Vasco da Gama?
Henrique
Alves – Menino ainda, eu morava à rua
Alexandre Ferreira, no Rio de Janeiro, e exatamente em frente
ficava a sede náutica do Vasco. Os jogadores costumavam
se concentrar por lá. Existiam aquelas conversas de
fã com ídolo e isso foi esportivamente me consumindo.
Em Natal torço pelo América, só que em
nenhum instante me permito deixar de ter um tremendo respeito
pelo ABC.
Azougue – Quando você se viu político?
Henrique
Alves – Olha, quem nasce, cresce, vendo e ouvindo
em sua casa o tempo todo políticos conversando sobre
política, ou passa a gostar, ou a desgostar. Eu e Garibaldi
sempre gostávamos de ouvir e íamos sempre aos
palanques. Aqui acolá fazíamos discursos e um
dos primeiros foi aqui em Mossoró exatamente na campanha
de Antônio Rodrigues de Carvalho, o famoso Capim. O meu
pai foi cassado, diga-se de passagem, cassação
injusta e em nossa casa no Rio de Janeiro, amigos, correligionários,
pediram que a luta continuasse e que existisse o lançamento
da minha candidatura a deputado federal. Topei a parada e fui
eleito o deputado federal até então mais jovem
do Brasil.
Azougue – Como
foi em plena ditadura militar ser o mais jovem deputado do
Brasil?
Henrique
Alves – Eu me elegi em outubro com 21 anos
e em dezembro completei 22, assumindo com essa idade o primeiro
mandato. Verificaram-se fatos curiosos: muitas vezes fui barrado
no acesso ao elevador e até mesmo no plenário.
Os políticos eram mais tradicionais e já tinham
uma idade de certa forma avançada. Até os meus
primeiros oito meses de mandato, passei por fatos meio pitorescos.
Azougue – Do
MDB, quem eram as famosas estrelas?
Henrique
Alves – Ulisses Guimarães, Paulo Brossard,
Marcos Freire, Tancredo Neves, Tales Ramalho, Franco Montoro,
Pedro Simon e Teotônio Vilela. Eu participava da executiva
nacional e estava lá sempre ouvindo e aprendendo com
esses grandes expoentes, e sempre também opinando.
Azougue – Nessa fase inicial, você teve
algum orientador?
Henrique
Alves - Em casa, claro, o meu pai, porém ele
não podia aparecer. Olha, quando eu vinha para o meu
Estado, ele não podia vir porque a Polícia Federal
fatalmente viria atrás. Eu não me via muito só em
face das sempre boas orientações de Tales Ramalho
e Ulisses Guimarães, que foi indubitavelmente o meu
grande guia na vida pública. Ele sempre me devotou um
carinho todo especial. Nós estabelecemos uma relação
quase de pai e filho.
Azougue – Quais os políticos considerados antigos
do Estado potiguar que mereceram a sua admiração?
Henrique
Alves – Vamos lá: José Augusto,
um homem muito lúcido, equilibrado. O senador Dinarte
Mariz, que se não surge o “radicalismo” teria
sido, eu digo com muita honra, meu padrinho. Era um homem de
muitas qualidades. Vingt Rosado foi nosso adversário
combativo, franco. Houve brigas históricas, mas você sabia
que ele era um homem de frente, sabia-se sempre onde ele estava.
Um homem de posições claras firmes e confiáveis.
E por fim, Aluísio Alves, que é apontado por
unanimidade como o grande nome do século do RN. Não
sou apenas eu que faço essa colocação,
os nossos próprios adversários também
comungam com esse pensamento. Aluísio será sempre
a grande referência nesse passado, presente, e como semente
de ensinamento para o futuro do Rio Grande do Norte.
Azougue – Quem você destaca nessa gama de políticos
novos existentes?
Henrique
Alves – Dessa conhecida nova geração
entendo ser o deputado Robinson Faria o grande destaque. Ele
convive facilmente com aliados, adversários, não
agride, não fere e também tem posições
claras. Vejo também deputado estadual Valter Alves.
Ele apresenta uma excelente performance legislativa. É muito
o pai, Garibaldi, principalmente na maneira de ouvir.
Azougue – De há muito que o PMDB não lança
um candidato a prefeito em Natal. Esse fator tem sido prejudicial
ao partido que você preside?
Henrique
Alves – Tem sido em muito, e trago para mim
a maior responsabilidade. Na maioria das vezes acreditei em
pessoas que apresentaram proposta de acordo conosco e não
cumpriram. A militância quando não tem candidato
majoritário começa a diminuir. Eu tenho melhor
me policiado nesse sentido. Certamente que em 2008 teremos
candidato em Natal.
Azougue – Quem será o
candidato?
Henrique
Alves – Ele certamente não vai gostar,
mas o nome de Garibaldi é sempre bem lembrado. Tem também
o vereador Hermano Moraes que está com grande trabalho
nas bases. Eles e, certamente, outros nomes serão analisados.
Azougue – O PMDB reivindicará o espaço
de vice na chapa da prefeita Fafá Rosado?
Henrique
Alves – Fafá consegue ser metade DEM
e metade PMDB. Eu entendo que ela é também um
bocado nossa, até porque começou a sua trajetória
ao nosso lado. Falamos sobre Fafá com muito carinho
e é natural que entendemos ter o PMDB direito a essa
reivindicação.
Azougue – Nomes já existem?
Henrique
Alves – Quem melhor conhece essa realidade
são os militantes do PMDB local. Eles terão autonomia
plena e o nosso respaldo absoluto na escolha.
Azougue – Deputado federal e líder da bancada
na Câmara. Um aumento considerável de responsabilidade.
Correto?
Henrique
Alves – Sim, até porque se comentava
que com a morte de Aluísio Alves e a derrota de Garibaldi
para o governo o PMDB iria se acabar, aí veio a minha
indicação, posta por 94 deputados, uma unanimidade,
fato nunca antes existido. Posso lhe dizer que foi um fato
que consagrou a minha vida pública. A responsabilidade é muito
grande e procuro cumpri-la acima de tudo com muita humildade
e consciência.
Azougue – A Rádio Difusora deverá voltar
a ter o comando do grupo Alves?
Henrique
Alves – O que houve na verdade foi que por
situações urgentes, me desliguei muito desse
autêntico patrimônio de nome Rádio Difusora.
Eu apenas vou conversar com o seu atual administrador Paulo
Linhares para me inteirar do seu dia-a-dia. Eu quero estar
mais perto da emissora e uma conversa nesse sentido acontecerá em
breve.
Azougue – Qual o momento mais difícil
da sua vida?
Henrique
Alves – Cito dois. A cassação
do meu pai e o seu falecimento.
Azougue – E
o famoso gol de placa?
Henrique
Alves – Sem dúvidas a minha primeira
eleição. Tô lá eu com apenas 21
anos de idade, recebendo o carinho franco, generoso das pessoas.
Por muitas vezes me pego pensando nesses momentos. Foi o meu
golaço de placa.
Azougue – Agradecemos pela entrevista.
Henrique
Alves – Só tenho a dizer muito obrigado
pelo respeito de vocês.
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