Mossoró-RN, de 2008
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ROBINSON FARIA - DEPUTADO ESTADUAL

 

Além de ser titular no time do Colégio Salesiano, e olha que eu não era o dono da bola, não (risos), às primeiras lições sobre as potencialidades da atividade salineira aprendi com o meu pai Osmundo Faria. No velório do meu pai, boa parte da opinião pública dizia que naquele instante dois enterros estavam acontecendo. O do senhor Osmundo e a minha condição de político. Na minha ótica, a amizade é o maior patrimônio que o ser humano pode ter. A minha candidatura sendo sacramentada, chegarei a Mossoró com uma proposta dentro de um sentimento que seja interessante para o seu povo, e exemplifico o fortalecimento da atividade salineira, a compensação com a Petrobras...

Azougue – O jornalista Roberto Guedes, amigo meu há mais de vinte anos, me disse que Robinson Faria sempre gostou de jogar futebol. Verdade?

Robinson Faria – Absoluta verdade. Eu era peladeiro de meio de rua. Além de ser titular no time do Colégio Salesiano, e olha que eu não era o dono da bola, não (risos). O deputado Henrique Alves disse no seu site que era craque no futsal. A minha praia era o famoso futebol de campo. Em qualquer time que joguei sempre fui titular na condição de meia-esquerda e não é só isso, acompanhei a ascensão de Marinho Chagas, de Alberi, que ganhou a bola da prata da revista Placar. Vi Pelé jogando pelo Santos e acho (risos) que ele deve ter aprendido algumas jogadas comigo. A prova da minha identidade com a bola é que há 7 anos promovo nas regiões do Agreste, Trairi e na Grande Natal uma copa que leva o meu nome, iniciada com 13 times e hoje já congrega 70. Com muito orgulho digo que essa competição já revelou para o cenário brasileiro ótimos nomes como Geovani, do América de Natal, o lateral direito Nego, que vai vestir a camisa do Atlético Mineiro, dois deles estão no Bahia, outro no Caxias do Sul, tem ex-jogador nosso também no Juventude e o próprio Apodi, recentemente convocado por Dunga para a seleção pré-olímpica, entre outros. A Copa RN conta com o apoio das rádios FM Agreste de Santa Cruz e Agreste de Santo Antônio do Salto da Onça e com os meus próprios investimentos.

Azougue – Qual a sua familiaridade com a atividade salineira?

Robinson Faria – Às primeiras lições sobre as potencialidades da atividade salineira aprendi com o meu pai, Osmundo Faria, quando em 1970 iniciamos o projeto da salina Amarra Negra, que se constituía à época numa das maiores áreas do Brasil. Ele já contava com empreendimentos no segmento imobiliário em São Paulo e Pernambuco e de repente se viu apaixonado pelo sal. Eu cursava Direito na Universidade Federal e estava sempre presente às atividades por ele exercidas. Na verdade, esse projeto sofreu uma influência muito forte do então deputado Antonio Florêncio de Queiroz. Tive a honra de acompanhar todos os seus passos, que foram lamentavelmente interrompidos pelo seu falecimento. Mesmo assim, ficamos eu e meu irmão tocando a empresa, participando sempre de reuniões da Abersal, ao lado de empresários como F. Souto, Fragoso Pires, o pessoal da Henrique Lajes e Norsal, no estado do Rio de Janeiro. Entendemos que havia chegado o momento de vender a Amarra Negra, o que se concretizou com a proposta recebida de uma multinacional. Olha, mesmo não sendo mais atuante no ramo, mas como torcedor e apaixonado de uma das mais legítimas atividades, geradora de milhares de empregos em Mossoró, Areia Branca, Grossos, Macau e outros municípios, ela não tem ainda, por quem de direito, o merecido respeito. A crise que vive o universo salineiro recebeu maiores proporções no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. A ausência do nosso prestígio político fez com que a alíquota de importação do sal chileno nos trouxesse uma espécie de chantagem no setor de compra do produto químico. A minha proposta hoje, como observador e colaborador, é que o presidente Lula receba em seu gabinete toda nossa classe política, comandada pela governadora Wilma de Faria e pelo presidente do Congresso Nacional, senador Garibaldi Alves, onde a prioridade seja o retorno da alíquota de importação do sal chileno que era de 30%, e que baixou para 0%. Somente assim o nosso sal terá poder de competição dentro do nosso próprio país. Tem que existir firmeza nesse propósito e acrescento que todos os empresários do RN contam com o meu apoio nessa empreitada, que entendo ser de extrema necessidade.

Azougue – Por que Robinson Faria, político?

Robinson Faria – Apesar do meu pai nunca ter disputado um mandato eletivo, ele chegou a ser apenas suplente do senador Dinarte Mariz de 1970 a 1978, na minha casa o tráfego de políticos sempre foi uma constante. Por lá sempre estavam Jessé Freire, Dinarte Mariz, Aluísio Alves e outros. Essas presenças e conseqüentemente conversas me despertaram muita curiosidade, não obstante isso a essência do curso de Direito era política, principalmente por vivermos o momento da ditadura. Eu tinha o sonho de ser deputado, apesar do posicionamento contrário do meu pai. Não foi fácil conseguir convencer o meu velho. Tentei ir à luta em 1982, porém somente em 1986 consegui demover esse seu pensamento, tornando-se o maior incentivador do meu projeto.

Azougue – Em 1986 o deputado Robinson já se via, um dia, presidente da Assembléia Legislativa?

Robinson Faria – Esse horizonte simplesmente não passava pelos meus planos, até porque há uma curiosidade na minha eleição: diziam que era o filho de Osmundo Faria que havia sido eleito, nem rosto, nem nome eu tinha. Diziam que o empresário que tinha uma condição econômica bastante favorável elegeu o filho. O complemento dos comentários era de que esse rapaz somente será deputado até enquanto o pai tiver a boa vontade de elegê-lo. Logo na seqüência veio a doença e o falecimento do seu Osmundo. Na verdade, eu não fiquei só, porque existia o meu segundo pai na política, que é o ex-deputado estadual Luiz Antonio Vidal. Por 4 mandatos ele representou a minha região. Ele foi e ainda é um dos meus grandes incentivadores. Veja só: no velório do meu pai, boa parte da opinião pública dizia que naquele instante dois enterros estavam acontecendo. O do senhor Osmundo e a minha condição de político. O detalhe é que na eleição seguinte eu fui o mais votado do PMDB e de toda a oposição. De lá para cá a minha votação sempre esteve numa escala ascendente com a quebra de dois tabus. Ser o mais votado como membro da oposição e aquele que conseguiu quebrar a barreira do coeficiente eleitoral. Caby, eu faço futebol porque realmente gosto e faço política, porque gosto bem mais ainda.

Azougue – Em recente entrevista ao azougue, o deputado federal Henrique Alves disse que dos considerados novos políticos do Estado, o deputado Robinson Faria se destaca principalmente pelo tratamento respeitoso a todos, de maneira absolutamente indistinta. Como o senhor recebe essa declaração?

Robinson Faria – Há pouco, nessa confraternização natalina que você presenciou, eu fiz um discurso onde frisei que na minha filosofia de vida, eu sempre defendi a apologia da amizade. Na minha ótica, a amizade é o maior patrimônio que o ser humano pode ter e se eu sou agente público e a minha atividade é política, porque eu não devo ter os que estão a minha volta, na minha própria vida? Eu acho muito estranho uma pessoa ter um mandato de deputado, senador, governador ou de prefeito e os seus amigos não serem exatamente aqueles que pertencem à sua atividade. Os melhores e verdadeiros amigos eu conquistei exatamente dentro da minha atividade política.

Azougue – A melhor biografia política do Estado pertence a quem?

Robinson Faria – A mais rica, mais completa, em que pese nutrir por todos o mais profundo respeito, pertence a Aluísio Alves.

Azougue – Todos apontam o nome de Robinson Faria como um dos mais sólidos para disputar o governo do Estado. O entrevistado comunga com esse pensamento?

Robinson Faria – Olha, esse comentário veio surgir logo após a vitória da governadora Wilma de Faria em 2006, que, diga-se de passagem, não dependeu do incentivo da imprensa, nem meu, foi uma leitura feita pela população. Agora, alguns associaram a sua vitória à parceria que ela teve naquele momento com o meu partido, com o deputado Robinson Faria. O fato deveu-se ao convite que me foi formulado para ser candidato a vice-governador de Garibaldi Alves, exatamente no momento em que a governadora atravessava um momento ruim nas pesquisas realizadas pelos institutos especializados, e que o Ibope dava uma maioria a Garibaldi de 36% na frente de Wilma de Faria. Eu tinha ao meu lado 5 deputados estaduais, mais de 30 prefeitos, o que muito provavelmente consolidaria a vitória de Garibaldi. Por questão de guardar a marca da lealdade, da coerência, eu recusei o convite. O povo associou que a minha decisão foi marcante para a vitória da governadora Wilma e por conta disso passaram a me olhar como a continuação do projeto dela. Entendo ter sido esse o sentimento do povo e o fato é facilmente identificado, porém não é tudo. Acho que o candidato a governador deve ter 2 pilares. O primeiro liga-se ao sentimento popular e em seguida, é a capacidade de agregar forças em torno do seu nome. Se até 2010 eu contar com esses 2 pilares, aí sim, a minha candidatura pode, quem sabe, ser viabilizada. Mas, peço que você registre no azougue.com que hoje é muito cedo para se definir se isso irá acontecer ou não.

Azougue – Além de Robinson Faria, estão postados como possíveis candidato a governador Iberê Ferreira de Souza, João Maia, Carlos Eduardo Alves e Rosalba Ciarlini. Como o senhor os analisa?

Robinson Faria – Entendo que são nomes legítimos, cada um com o seu perfil, com o seu espaço. Se eles são lembrados, como eu também sou, digo que estão no mesmo patamar de legitimidade, de confiabilidade. O tempo dirá naturalmente aquele que terá melhores condições de ser candidato a governador.

Azougue – Nas últimas eleições a cidade de Mossoró não foi muito alvo na busca de votos do deputado Robinson Faria e do seu filho, então candidato a deputado federal Fábio Faria. Sacramentada a sua candidatura a governador, o cenário será mudado?

Robinson Faria – Eu tenho o maior respeito quando falo sobre Mossoró. Vejo-a como uma cidade, cujo povo respira cidadania, liberdade, conquistas. A História de Mossoró já fala mais alto que qualquer argumento que possa ser apresentado. Será um grande desafio me situar numa cidade que tem um povo, politizado e, também, grandes políticos, grandes representantes. A minha candidatura sendo sacramentada, chegarei a Mossoró com uma proposta dentro de um sentimento que seja interessante para o seu povo, e exemplifico o fortalecimento da atividade salineira, a compensação com a Petrobras, a fruticultura merece ser vista com muito carinho, a criação de pólos industriais. São bandeiras que têm que ser abraçadas. Mossoró terá papel decisivo para aquele que sonha ser governador do Estado.

Azougue – A critica especializada fala numa possível reaproximação da governadora Wilma de Faria com o senador Garibaldi Alves Filho. Com o senhor vê esse quadro?

Robinson Faria – Eu entendo que antes de se discutir uma aliança política, se deveria observar uma aliança administrativa. O Rio Grande do Norte atravessa um momento ímpar, de ascensão econômica com grandes oportunidades. Garibaldi é presidente do Senado e Wilma, aliada e amiga pessoal de Lula. Por que não nascer uma parceria em favor do nosso Estado e a política ser uma conseqüência disso? O momento é de fortalecimento dos grandes projetos. Creio que as etapas não devem ser invertidas.

Azougue – Agradecemos pela saudável conversa.

Robinson Faria – Permita-me aproveitar este espaço para abraçar o povo de Mossoró, a prefeita Fafá Rosado, por quem tenho uma grande admiração. Hoje eu tenho na Assembléia um grande amigo que é o deputado Leonardo da Vinci Nogueira, que com muita bravura defende as causas da sua cidade e também o meu agradecimento à equipe do azougue.com.

 

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