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ROBINSON
FARIA - DEPUTADO ESTADUAL Além de ser titular no time do Colégio
Salesiano, e olha que eu não era o dono da bola, não
(risos), às primeiras lições sobre as potencialidades
da atividade salineira aprendi com o meu pai Osmundo Faria.
No velório do meu pai, boa parte da opinião pública
dizia que naquele instante dois enterros estavam acontecendo.
O do senhor Osmundo e a minha condição de político.
Na minha ótica, a amizade é o maior patrimônio
que o ser humano pode ter. A minha candidatura sendo sacramentada,
chegarei a Mossoró com uma proposta dentro de um sentimento
que seja interessante para o seu povo, e exemplifico o fortalecimento
da atividade salineira, a compensação com a Petrobras... Azougue – O
jornalista Roberto Guedes, amigo meu há mais de vinte anos, me
disse que
Robinson Faria sempre gostou de jogar futebol. Verdade? Robinson
Faria – Absoluta verdade. Eu era peladeiro de
meio de rua. Além de ser titular no time do Colégio
Salesiano, e olha que eu não era o dono da bola, não (risos).
O deputado Henrique Alves disse no seu site que era craque no
futsal. A minha praia era o famoso futebol de campo. Em qualquer
time que joguei sempre fui titular na condição
de meia-esquerda e não é só isso, acompanhei
a ascensão de Marinho Chagas, de Alberi, que ganhou a
bola da prata da revista Placar. Vi Pelé jogando pelo
Santos e acho (risos) que ele deve ter aprendido algumas jogadas
comigo. A prova da minha identidade com a bola é que
há 7 anos promovo nas regiões do Agreste, Trairi
e na Grande Natal uma copa que leva o meu nome, iniciada com
13 times e hoje já congrega 70. Com muito orgulho digo
que essa competição já revelou para o cenário
brasileiro ótimos nomes como Geovani, do América
de Natal, o lateral direito Nego, que vai vestir a camisa do
Atlético Mineiro, dois deles estão no Bahia, outro
no Caxias do Sul, tem ex-jogador nosso também no Juventude
e o próprio Apodi, recentemente convocado por Dunga para
a seleção pré-olímpica, entre outros.
A Copa RN conta com o apoio das rádios FM Agreste de Santa
Cruz e Agreste de Santo Antônio do Salto da Onça e com
os meus próprios investimentos. Azougue – Qual
a sua familiaridade com a atividade salineira? Robinson
Faria – Às
primeiras lições sobre as potencialidades da atividade
salineira aprendi com o meu pai, Osmundo Faria, quando em 1970
iniciamos o projeto da salina Amarra Negra, que se constituía
à época numa das maiores áreas do Brasil. Ele
já contava com empreendimentos no segmento imobiliário
em São Paulo e Pernambuco e de repente se viu apaixonado
pelo sal. Eu cursava Direito na Universidade Federal e estava
sempre presente às atividades por ele exercidas. Na verdade,
esse projeto sofreu uma influência muito forte do então
deputado Antonio Florêncio de Queiroz. Tive a honra de
acompanhar todos os seus passos, que foram lamentavelmente interrompidos
pelo seu falecimento. Mesmo assim, ficamos eu e meu irmão
tocando a empresa, participando sempre de reuniões da
Abersal, ao lado de empresários como F. Souto, Fragoso
Pires, o pessoal da Henrique Lajes e Norsal, no estado do Rio
de Janeiro. Entendemos que havia chegado o momento de vender
a Amarra Negra, o que se concretizou com a proposta recebida
de uma multinacional. Olha, mesmo não sendo mais atuante
no ramo, mas como torcedor e apaixonado de uma das mais legítimas
atividades, geradora de milhares de empregos em Mossoró,
Areia Branca, Grossos, Macau e outros municípios, ela
não tem ainda, por quem de direito, o merecido respeito.
A crise que vive o universo salineiro recebeu maiores proporções
no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. A ausência
do nosso prestígio político fez com que a alíquota
de importação do sal chileno nos trouxesse uma
espécie de chantagem no setor de compra do produto químico.
A minha proposta hoje, como observador e colaborador, é que
o presidente Lula receba em seu gabinete toda nossa classe política,
comandada pela governadora Wilma de Faria e pelo presidente do
Congresso Nacional, senador Garibaldi Alves, onde a prioridade
seja o retorno da alíquota de importação
do sal chileno que era de 30%, e que baixou para 0%. Somente
assim o nosso sal terá poder de competição
dentro do nosso próprio país. Tem que existir firmeza
nesse propósito e acrescento que todos os empresários
do RN contam com o meu apoio nessa empreitada, que entendo ser
de extrema necessidade. Azougue – Por
que Robinson Faria, político? Robinson
Faria – Apesar
do meu pai nunca ter disputado um mandato eletivo, ele chegou
a ser apenas suplente do senador Dinarte Mariz de 1970 a 1978,
na minha casa o tráfego de políticos sempre foi
uma constante. Por lá sempre estavam Jessé Freire,
Dinarte Mariz, Aluísio Alves e outros. Essas presenças
e conseqüentemente conversas me despertaram muita curiosidade,
não obstante isso a essência do curso de Direito
era política, principalmente por vivermos o momento da
ditadura. Eu tinha o sonho de ser deputado, apesar do posicionamento
contrário do meu pai. Não foi fácil conseguir
convencer o meu velho. Tentei ir à luta em 1982, porém
somente em 1986 consegui demover esse seu pensamento, tornando-se
o maior incentivador do meu projeto. Azougue – Em
1986 o deputado Robinson já se via, um dia, presidente
da Assembléia Legislativa? Robinson
Faria – Esse
horizonte simplesmente não passava pelos meus planos,
até porque há uma curiosidade na minha eleição:
diziam que era o filho de Osmundo Faria que havia sido eleito,
nem rosto, nem nome eu tinha. Diziam que o empresário
que tinha uma condição econômica bastante
favorável elegeu o filho. O complemento dos comentários
era de que esse rapaz somente será deputado até enquanto
o pai tiver a boa vontade de elegê-lo. Logo na seqüência
veio a doença e o falecimento do seu Osmundo. Na verdade,
eu não fiquei só, porque existia o meu segundo
pai na política, que é o ex-deputado estadual
Luiz Antonio Vidal. Por 4 mandatos ele representou a minha região.
Ele foi e ainda é um dos meus grandes incentivadores.
Veja só: no velório do meu pai, boa parte da opinião
pública dizia que naquele instante dois enterros estavam
acontecendo. O do senhor Osmundo e a minha condição
de político. O detalhe é que na eleição
seguinte eu fui o mais votado do PMDB e de toda a oposição.
De lá para cá a minha votação sempre
esteve numa escala ascendente com a quebra de dois tabus. Ser
o mais votado como membro da oposição e aquele que
conseguiu quebrar a barreira do coeficiente eleitoral. Caby,
eu faço futebol porque realmente gosto e faço política,
porque gosto bem mais ainda. Azougue – Em
recente entrevista ao azougue, o deputado federal Henrique Alves
disse que dos considerados novos políticos do Estado,
o deputado Robinson Faria se destaca principalmente pelo tratamento
respeitoso
a todos, de maneira absolutamente indistinta. Como o senhor recebe
essa declaração? Robinson
Faria – Há pouco,
nessa confraternização natalina que você presenciou,
eu fiz um discurso onde frisei que na minha filosofia de vida,
eu sempre defendi a apologia da amizade. Na minha ótica,
a amizade é o maior patrimônio que o ser humano
pode ter e se eu sou agente público e a minha atividade é política,
porque eu não devo ter os que estão a minha volta,
na minha própria vida? Eu acho muito estranho uma pessoa
ter um mandato de deputado, senador, governador ou de prefeito
e os seus amigos não serem exatamente aqueles que pertencem
à sua atividade. Os melhores e verdadeiros amigos eu conquistei
exatamente dentro da minha atividade política. Azougue – A
melhor biografia política do Estado pertence a quem? Robinson
Faria – A mais rica, mais completa, em que pese
nutrir por todos o mais profundo respeito, pertence a Aluísio
Alves. Azougue – Todos
apontam o nome de Robinson Faria como um dos mais sólidos
para disputar o governo do Estado. O entrevistado comunga com
esse pensamento? Robinson
Faria – Olha,
esse comentário veio surgir logo após a vitória
da governadora Wilma de Faria em 2006, que, diga-se de passagem,
não dependeu do incentivo da imprensa, nem meu, foi uma
leitura feita pela população. Agora, alguns associaram
a sua vitória à parceria que ela teve naquele momento
com o meu partido, com o deputado Robinson Faria. O fato deveu-se
ao convite que me foi formulado para ser candidato a vice-governador
de Garibaldi Alves, exatamente no momento em que a governadora
atravessava um momento ruim nas pesquisas realizadas pelos institutos
especializados, e que o Ibope dava uma maioria a Garibaldi de
36% na frente de Wilma de Faria. Eu tinha ao meu lado 5 deputados
estaduais, mais de 30 prefeitos, o que muito provavelmente consolidaria
a vitória de Garibaldi. Por questão de guardar
a marca da lealdade, da coerência, eu recusei o convite.
O povo associou que a minha decisão foi marcante para
a vitória da governadora Wilma e por conta disso passaram
a me olhar como a continuação do projeto dela.
Entendo ter sido esse o sentimento do povo e o fato é facilmente
identificado, porém não é tudo. Acho que
o candidato a governador deve ter 2 pilares. O primeiro liga-se
ao sentimento popular e em seguida, é a capacidade de
agregar forças em torno do seu nome. Se até 2010
eu contar com esses 2 pilares, aí sim, a minha candidatura
pode, quem sabe, ser viabilizada. Mas, peço que você registre
no azougue.com que hoje é muito cedo para se definir
se isso irá acontecer ou não. Azougue – Além
de Robinson Faria, estão postados como possíveis
candidato a governador Iberê Ferreira de Souza, João
Maia, Carlos Eduardo Alves e Rosalba Ciarlini. Como o senhor
os analisa? Robinson
Faria – Entendo
que são nomes legítimos, cada um com o seu perfil,
com o seu espaço. Se eles são lembrados, como eu
também sou, digo que estão no mesmo patamar de
legitimidade, de confiabilidade. O tempo dirá naturalmente
aquele que terá melhores condições de ser
candidato a governador. Azougue – Nas últimas
eleições a cidade de Mossoró não
foi muito alvo na busca de votos do deputado Robinson Faria
e do seu filho, então candidato a deputado federal Fábio
Faria. Sacramentada a sua candidatura a governador, o cenário
será mudado? Robinson
Faria – Eu
tenho o maior respeito quando falo sobre Mossoró. Vejo-a como
uma cidade, cujo povo respira cidadania, liberdade, conquistas.
A História de Mossoró já fala mais alto
que qualquer argumento que possa ser apresentado. Será um
grande desafio me situar numa cidade que tem um povo, politizado
e, também, grandes políticos, grandes representantes.
A minha candidatura sendo sacramentada, chegarei a Mossoró com
uma proposta dentro de um sentimento que seja interessante para
o seu povo, e exemplifico o fortalecimento da atividade salineira,
a compensação com a Petrobras, a fruticultura merece
ser vista com muito carinho, a criação de
pólos industriais. São bandeiras que têm
que ser abraçadas. Mossoró terá papel decisivo
para aquele que sonha ser governador do Estado. Azougue – A
critica especializada fala numa possível reaproximação
da governadora Wilma de Faria com o senador Garibaldi Alves
Filho. Com o senhor vê esse quadro? Robinson
Faria – Eu entendo que antes de se discutir uma
aliança
política, se deveria observar uma aliança administrativa.
O Rio Grande do Norte atravessa um momento ímpar, de ascensão
econômica com grandes oportunidades. Garibaldi é presidente
do Senado e Wilma, aliada e amiga pessoal de Lula. Por que não
nascer uma parceria em favor do nosso Estado e a política
ser uma conseqüência disso? O momento é de
fortalecimento dos grandes projetos. Creio que as etapas não
devem ser invertidas. Azougue – Agradecemos
pela saudável conversa. Robinson
Faria – Permita-me
aproveitar este espaço para abraçar o povo de Mossoró,
a prefeita Fafá Rosado, por quem tenho uma grande admiração.
Hoje eu tenho na Assembléia um grande amigo que é o
deputado Leonardo da Vinci Nogueira, que com muita bravura defende
as causas da sua cidade e também o meu agradecimento à equipe
do azougue.com.
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