Mossoró-RN, de 2008
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RICARDO BORGES

Até os meus 7 anos de idade, eu era gago, aquele tipo de gago de engasgar. Era ga-ga-ga-ga-go mesmo. O grupo dos 7 Homens de Ouro, que era constituído por Kerginaldo Cavalcanti, Vieira (Dudé), Marcelo Freitas, Decinho Barbosa, Tarcísio Duarte, Nei Pinto e o Borjão. Papai tinha mais, bem mais de 1.000 afilhados. Daqui a 10 anos, a Lucinha não tem o direito de brigar comigo. www.rasborges.uol.blog.br e lhe digo que tem atingido patamares que eu já imaginei chegar. Estavam no seleto e embevecido grupo, eu, o próprio Hipólito, Das Chagas Bolão, Breno e todos, indistintamente todos, se aproveitaram da inocência da Roxinha.


Azougue – Filho de Joaquim Borges ou de Chumbo Grosso?

Ricardo Borges – Entendo que dos dois. Meu pai teve uma participação efetiva na vida política de Mossoró e foi o pioneiro na área da construção de estradas férreas, que tinha em seu padrinho, Cel. Saboinha, a grande marca do segmento. Aos 18 anos de idade, oriundo de Sobral, ele aportou nesta terra e através do deputado federal Vingt Rosado passou a militar diretamente na política, sendo eleito vice-prefeito de Antonio Rodrigues de Carvalho. Na campanha de Raimundo Soares, em um discurso, ele falou: “Essa campanha vai ser CHUMBO GROSSO”. A frase de efeito pegou tanto que quando eu e meus irmãos caminhávamos na cidade, o pessoal dizia: “Lá vão os filhos de Chumbo Grosso”.

Azougue – O Chumbo Grosso era mão firme, principalmente com um filho, um tanto quanto presepeiro?

Ricardo Borges – Eu que o diga. Determinado dia, vínhamos de uma viagem de Tibau, eu lá com os meus aproximados 14 anos, em pé, na parte de trás da caminhoneta, e quem ultrapassava o nosso carro recebia de presente a minha vaia e o dedão maior apontado. Fui ameaçado pelo seu Chumbo Grosso, que mais um gesto daqueles e teria que descer do carro. Não deu outra. Ele me mandou descer e eu corri para o matagal, isso por volta das 17h. Olha que cerca de 10 quilômetros nos distanciavam de Mossoró. Depois das 18h, cheguei à minha casa, com um pau nas costas, cheio de vida, dizendo que tinha enfrentando animais selvagens, que era muito macho e tal e repetindo, é por isso que eu sou um bom escoteiro. Não tenho medo de nada (risos). A verdade é que nessa aventura quando ouvia um barulho diferente, aí eu me dizia: “pernas pra que te quero”.

Azougue – E por aí nasceu o primeiro grupo de escoteiros em Mossoró?

Ricardo Borges – É verdade, tendo como mola mestra o meu querido amigo Bosco Afonso. Ele trouxe a semente do escotismo de Baden Powel para Mossoró, que contou com o apoio da Diocese, principalmente na pessoa do padre Américo Simonetti, isso nos idos 1963, 64. Recordo-me bem que o grupo contava com o Bosco, eu, Hermógenes, Leonardo Nogueira, José Júnior Félix, Gomes Filho, Delgado, entre outros.

Azougue – Você vivenciou a famosa época de ouro de Mossoró?

Ricardo Borges – Sim e dela tenho muita saudade. Você vivia uma comunidade e não uma cidade. Todos eram por todos, se dormia com as janelas abertas, era como se fosse uma única família. A existência das grandes e puras amizades permita-me citar Silvério, José Walber, Bosco Afonso, Leonardo, Hipólito Monte, Breno Gurgel, Lucas Benjamim, Paulo, Armando, Rafaelzinho, Newton e Edson Negreiros, Carlos Pinto. Lembro-me, bem que nós formamos um grupo batizado de SEI, Sociedade dos Estudantes Intelectuais, que funcionava na casa do senhor Gabriel Negreiros, onde discutíamos música, literatura e fatos associados ao mundo estudantil. Também tínhamos os naturais encontros na ACDP, Churrascaria O Sujeito e Clube Ipiranga. Surgiu também o grupo dos 7 Homens de Ouro, que era constituído por Kerginaldo Cavalcanti, Vieira (Dudé), Marcelo Freitas, Decinho Barbosa, Tarcísio Duarte, Nei Pinto e o Borjão aqui.

Azougue – Convidamos o mais velho dos irmãos, Chico Borges, para participar na condição de entrevistador. Então, espaço aberto:

Chico Borges – Primeiro dizer da minha felicidade de participar desse bate-papo. Antes de ser Borjão, Cardeal, você se lembra do por que de Ricardo Pedrinha?

Ricardo Borges – (risos) Eu brincava com as pedrinhas e delas fazia uma espécie de protótipo de um filme de faroeste. Pedrinha tal era o xerife, o outro o bandido e por aí seguia (risos). Tempo bom Chico Borges, tempo muito bom aquele.

Azougue - Amado por toda uma cidade o senhor Joaquim Borges, ou Chumbo Groso faleceu bem jovem ainda?

Ricardo Borges – Um golpe muito duro que recebemos no dia 21 de maio de 1969, quando somava apenas 60 anos de idade. Olha, a prova insofismável do carisma do meu pai estava em seu número de afilhados. Papai tinha mais, bem mais de 1.000 afilhados. Há necessidade de mais algum argumento sobre o carinho que Mossoró por ele devotava?

Azougue – Não. Nenhum. Qual o seu primeiro emprego?

Ricardo Borges – Nasceu exatamente na missa do sétimo dia do meu pai. Na sacristia, além do padre Sátiro Dantas, estavam o dr. Ricardo Neves, Emerson Azevedo, Chico e Borges. Chamaram-me e fizeram um convite para eu ir trabalhar na Comensa. Aceitei a missão que não era das mais agradáveis. Eu quem determinada o corte de energia dos inadimplentes. A cada ordem ma batia a tristeza, porém eram os famosos “ossos do ofício”.

Azougue – Como pintou a transferência para Fortaleza?

Ricardo Borges – Na verdade o meu destino inicial era o Rio de Janeiro, onde lá se encontrava o meu irmão, o recentemente falecido Borginho. O senhor Dix-huit Rosado era presidente do INDA, Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário, que já tinha em vista um emprego para mim. Entre marchas e contramarchas e o falecimento de Chumbo Grosso, segui para Fortaleza, onde fiz vestibular para Medicina, mas não galguei êxito, buscando então o curso de Economia, cujo objetivo foi atingido. Fiz concurso para a Chesf, fui aprovado e já me encontro na condição de aposentado.

Azougue – Chegou então o momento de se tornar um homem sério?

Ricardo Borges – A entrada de Lucinha na minha vida foi indiscutivelmente o mais bonito de todos os marcos. Ela é tudo e mais alguma coisa, Meu amigo Caby (risos), daqui a 10 anos a Lucinha não tem o direito de brigar comigo (tremenda gargalhada). Eu agradeço todos os dias ao senhor meu bom Deus por ter me dado esse extraordinário presente.

Azougue – Como a música entrou na sua vida?

Ricardo Borges – Pouca gente sabe, mas até os meus 7 anos de idade, eu era gago, aquele tipo de gago de engasgar. Era ga-ga-ga-ga-go mesmo. Eu já nasci com a língua pregada e o meu pai me levou para Fortaleza, onde fui operado por um médico, primo da gente, o dr. Edmilson Barros de Oliveira. Fui orientado a falar e cantar muito, para que a língua conseguisse atingir o exercício ideal. Foram muitos anos de exercício, até que a gagueira me abandonasse. De tanto cantar para mim mesmo, passei a fazer parte do coral de padre Edson, sendo que logo em seguida no Colégio Diocesano surgiu o professor, também, padre, Carlos Dália, que acreditou no meu potencial de voz e me ensinou umas técnicas de canto. Gostei e veja só. A primeira dupla que eu formei foi com o Decinho Barbosa, vindo a seguir muitas serestas com o Silvério Soares, Roberto Gadê e Breno Gurgel. Friso que essas serestas eram mais constantes em Tibau, no período do veraneio.

Azougue – Com esse vozeirão todo, você nunca buscou o canto lírico?

Ricardo Borges – Não, até porque o canto lírico não é fácil de ser conduzido. Exige muito tempo, dedicação, estudo e principalmente o uso do seu aparelho respiratório, do seu coração. Eu tinha um problema de deficiência de paradas cardíacas contínuas. Meu coração parava de repente e isso naturalmente me levava a ter pequenos desmaios. Só que por volta das 9h, após uma reunião na Chefs, saí assobiando e eu dei uma apagada geral, isso no ano 2005. Médicos cardiologistas do Hospital Monteklinikum me disseram da urgente necessidade de ser implantado um marca-passo, que me acompanha até hoje. De lascar, foi agüentar Hipólito Monte entrando no meu apartamento e soltando: “Tá vendo, (risos), isso é conseqüência das farras em Tibau, do sacramentado namoro com a inesquecível Roxinha”.

Azougue – Chegaremos lá. Como é ser blogueiro?

Ricardo Borges – Foi aquela História do conversa vai, conversa vem. Recebi um pouco da inspiração do azougue aí veio á idéia de trilhar um caminho diferente. Eu leio diariamente os blogs do RN, agora eles são voltados muito para a política. Percebi a necessidade de um informativo diário de variedades. Criado então o www.rasborges.uol.blog.br e lhe digo que tem atingido patamares que eu já imaginei chegar.

Azougue – Recentemente (9 de dezembro 2007) Hipólito Monte foi entrevistado no programa O Som do Caby, da Rádio FM Resistência, e desde Buenos Aires, com Borjão, em paralelo na cidade de Fortaleza, deu detalhes de um amasso seu na Roxinha. É verdade o que ele falou?

Ricardo Borges – É verdade sim. Agora o que ele não falou, foi que também fazia parte do grupo de grande admiradores da Roxinha. Chegou a hora da verdade. Doa em quem doer. Caby, quem me deve me paga. (dispara mais uma gargalhada). Vou contar tintim por tintim. Seguinte: Estávamos fazendo uma serenata na residência do senhor Bibiu Gurgel, em Tibau , onde umas moças muito bonitas estavam hospedadas, aí apareceu a Roxinha, que ele definiu muito bem naquela entrevista, uma quadrúpede. Estavam no seleto e embevecido grupo eu, o próprio Hipólito, Das Chagas Bolão, Breno e todos, indistintamente todos, se aproveitaram da inocência da Roxinha, Porém, só o Borjão que pagou o pato. Agora, eu acho que a Roxinha teve mais encanto pelo seu amigo aqui (e tome risada)..

Azougue – Borjão; foi sem dúvidas um prazer tê-lo como entrevistado.

Ricardo Borges – Como eu já disse quando apresentei o livro Do Bumba 5, acho o azougue de uma importância extremada para todos os mossoroenses e talvez, até bem mais, para os que residem em outras cidades. Mais um detalhe; eu coloquei o meu blog no sistema do analista da Google e 33% dos acessos do www.rasborges.uol.blog.com.br são originados através do nosso banner linkado no azougue, e também boa parte do blog do nosso conterrâneo Mário Heitor de Gadê Negócio, de endereço www.mnegocio.blog.uol.com.br. Os acessos em linha direta somam mais de 50%.

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