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RICARDO BORGES
Até os meus 7 anos de idade, eu era
gago, aquele tipo de gago de engasgar. Era ga-ga-ga-ga-go mesmo.
O grupo dos 7 Homens de Ouro, que era constituído por
Kerginaldo Cavalcanti, Vieira (Dudé), Marcelo Freitas,
Decinho Barbosa, Tarcísio Duarte, Nei Pinto e o Borjão.
Papai tinha mais, bem mais de 1.000 afilhados. Daqui a 10 anos,
a Lucinha não tem o direito de brigar comigo. www.rasborges.uol.blog.br
e lhe digo que tem atingido patamares que eu já imaginei
chegar. Estavam no seleto e embevecido grupo, eu, o próprio
Hipólito, Das Chagas Bolão, Breno e todos, indistintamente
todos, se aproveitaram da inocência da Roxinha.
Azougue – Filho de Joaquim Borges ou de Chumbo
Grosso?
Ricardo
Borges – Entendo que dos dois. Meu pai teve
uma participação efetiva na vida política
de Mossoró e foi o pioneiro na área da construção
de estradas férreas, que tinha em seu padrinho, Cel.
Saboinha, a grande marca do segmento. Aos 18 anos de idade,
oriundo de Sobral, ele aportou nesta terra e através
do deputado federal Vingt Rosado passou a militar diretamente
na política, sendo eleito vice-prefeito de Antonio Rodrigues
de Carvalho. Na campanha de Raimundo Soares, em um discurso,
ele falou: “Essa campanha vai ser CHUMBO GROSSO”.
A frase de efeito pegou tanto que quando eu e meus irmãos
caminhávamos na cidade, o pessoal dizia: “Lá vão
os filhos de Chumbo Grosso”.
Azougue – O Chumbo Grosso era mão
firme, principalmente com um filho, um tanto quanto presepeiro?
Ricardo
Borges – Eu que o diga. Determinado dia, vínhamos
de uma viagem de Tibau, eu lá com os meus aproximados
14 anos, em pé, na parte de trás da caminhoneta,
e quem ultrapassava o nosso carro recebia de presente a minha
vaia e o dedão maior apontado. Fui ameaçado pelo
seu Chumbo Grosso, que mais um gesto daqueles e teria que descer
do carro. Não deu outra. Ele me mandou descer e eu corri
para o matagal, isso por volta das 17h. Olha que cerca de 10
quilômetros nos distanciavam de Mossoró. Depois
das 18h, cheguei à minha casa, com um pau nas costas,
cheio de vida, dizendo que tinha enfrentando animais selvagens,
que era muito macho e tal e repetindo, é por isso que
eu sou um bom escoteiro. Não tenho medo de nada (risos).
A verdade é que nessa aventura quando ouvia um barulho
diferente, aí eu me dizia: “pernas pra que te
quero”.
Azougue – E por aí nasceu o primeiro grupo de
escoteiros em Mossoró?
Ricardo
Borges – É verdade, tendo como mola mestra
o meu querido amigo Bosco Afonso. Ele trouxe a semente do escotismo
de Baden Powel para Mossoró, que contou com o apoio
da Diocese, principalmente na pessoa do padre Américo
Simonetti, isso nos idos 1963, 64. Recordo-me bem que o grupo
contava com o Bosco, eu, Hermógenes, Leonardo Nogueira,
José Júnior Félix, Gomes Filho, Delgado,
entre outros.
Azougue – Você vivenciou a famosa época
de ouro de Mossoró?
Ricardo
Borges – Sim e dela tenho muita saudade. Você vivia
uma comunidade e não uma cidade. Todos eram por todos,
se dormia com as janelas abertas, era como se fosse uma única
família. A existência das grandes e puras amizades
permita-me citar Silvério, José Walber, Bosco
Afonso, Leonardo, Hipólito Monte, Breno Gurgel, Lucas
Benjamim, Paulo, Armando, Rafaelzinho, Newton e Edson Negreiros,
Carlos Pinto. Lembro-me, bem que nós formamos um grupo
batizado de SEI, Sociedade dos Estudantes Intelectuais, que
funcionava na casa do senhor Gabriel Negreiros, onde discutíamos
música, literatura e fatos associados ao mundo estudantil.
Também tínhamos os naturais encontros na ACDP,
Churrascaria O Sujeito e Clube Ipiranga. Surgiu também
o grupo dos 7 Homens de Ouro, que era constituído por
Kerginaldo Cavalcanti, Vieira (Dudé), Marcelo Freitas,
Decinho Barbosa, Tarcísio Duarte, Nei Pinto e o Borjão
aqui.
Azougue – Convidamos o mais velho dos irmãos,
Chico Borges, para participar na condição de
entrevistador. Então, espaço aberto:
Chico
Borges – Primeiro dizer da minha felicidade de
participar desse bate-papo. Antes de ser Borjão, Cardeal,
você se lembra do por que de Ricardo Pedrinha?
Ricardo
Borges – (risos) Eu brincava com as pedrinhas
e delas fazia uma espécie de protótipo de um
filme de faroeste. Pedrinha tal era o xerife, o outro o bandido
e por aí seguia (risos). Tempo bom Chico Borges, tempo
muito bom aquele.
Azougue - Amado por toda uma cidade o senhor Joaquim Borges,
ou Chumbo Groso faleceu bem jovem ainda?
Ricardo
Borges – Um golpe muito duro que recebemos no
dia 21 de maio de 1969, quando somava apenas 60 anos de idade.
Olha, a prova insofismável do carisma do meu pai estava
em seu número de afilhados. Papai tinha mais, bem mais
de 1.000 afilhados. Há necessidade de mais algum argumento
sobre o carinho que Mossoró por ele devotava?
Azougue – Não.
Nenhum. Qual o seu primeiro emprego?
Ricardo
Borges – Nasceu exatamente na missa do sétimo
dia do meu pai. Na sacristia, além do padre Sátiro
Dantas, estavam o dr. Ricardo Neves, Emerson Azevedo, Chico
e Borges. Chamaram-me e fizeram um convite para eu ir trabalhar
na Comensa. Aceitei a missão que não era das
mais agradáveis. Eu quem determinada o corte de energia
dos inadimplentes. A cada ordem ma batia a tristeza, porém
eram os famosos “ossos do ofício”.
Azougue – Como pintou a transferência
para Fortaleza?
Ricardo
Borges – Na verdade o meu destino inicial era
o Rio de Janeiro, onde lá se encontrava o meu irmão,
o recentemente falecido Borginho. O senhor Dix-huit Rosado
era presidente do INDA, Instituto Nacional de Desenvolvimento
Agrário, que já tinha em vista um emprego para
mim. Entre marchas e contramarchas e o falecimento de Chumbo
Grosso, segui para Fortaleza, onde fiz vestibular para Medicina,
mas não galguei êxito, buscando então o
curso de Economia, cujo objetivo foi atingido. Fiz concurso
para a Chesf, fui aprovado e já me encontro na condição
de aposentado.
Azougue – Chegou então o momento de se tornar
um homem sério?
Ricardo
Borges – A entrada de Lucinha na minha vida
foi indiscutivelmente o mais bonito de todos os marcos. Ela é tudo
e mais alguma coisa, Meu amigo Caby (risos), daqui a 10 anos
a Lucinha não tem o direito de brigar comigo (tremenda
gargalhada). Eu agradeço todos os dias ao senhor meu
bom Deus por ter me dado esse extraordinário presente.
Azougue – Como a música
entrou na sua vida?
Ricardo
Borges – Pouca gente sabe, mas até os
meus 7 anos de idade, eu era gago, aquele tipo de gago de engasgar.
Era ga-ga-ga-ga-go mesmo. Eu já nasci com a língua
pregada e o meu pai me levou para Fortaleza, onde fui operado
por um médico, primo da gente, o dr. Edmilson Barros
de Oliveira. Fui orientado a falar e cantar muito, para que
a língua conseguisse atingir o exercício ideal.
Foram muitos anos de exercício, até que a gagueira
me abandonasse. De tanto cantar para mim mesmo, passei a fazer
parte do coral de padre Edson, sendo que logo em seguida no
Colégio Diocesano surgiu o professor, também,
padre, Carlos Dália, que acreditou no meu potencial
de voz e me ensinou umas técnicas de canto. Gostei e
veja só. A primeira dupla que eu formei foi com o Decinho
Barbosa, vindo a seguir muitas serestas com o Silvério
Soares, Roberto Gadê e Breno Gurgel. Friso que essas
serestas eram mais constantes em Tibau, no período do
veraneio.
Azougue – Com esse vozeirão todo, você nunca
buscou o canto lírico?
Ricardo
Borges – Não, até porque o canto
lírico não é fácil de ser conduzido.
Exige muito tempo, dedicação, estudo e principalmente
o uso do seu aparelho respiratório, do seu coração.
Eu tinha um problema de deficiência de paradas cardíacas
contínuas. Meu coração parava de repente
e isso naturalmente me levava a ter pequenos desmaios. Só que
por volta das 9h, após uma reunião na Chefs,
saí assobiando e eu dei uma apagada geral, isso no ano
2005. Médicos cardiologistas do Hospital Monteklinikum
me disseram da urgente necessidade de ser implantado um marca-passo,
que me acompanha até hoje. De lascar, foi agüentar
Hipólito Monte entrando no meu apartamento e soltando: “Tá vendo,
(risos), isso é conseqüência das farras em
Tibau, do sacramentado namoro com a inesquecível Roxinha”.
Azougue – Chegaremos lá. Como é ser
blogueiro?
Ricardo
Borges – Foi aquela História do conversa
vai, conversa vem. Recebi um pouco da inspiração
do azougue aí veio á idéia de trilhar
um caminho diferente. Eu leio diariamente os blogs do RN, agora
eles são voltados muito para a política. Percebi
a necessidade de um informativo diário de variedades.
Criado então o www.rasborges.uol.blog.br e lhe digo
que tem atingido patamares que eu já imaginei chegar.
Azougue – Recentemente (9 de dezembro 2007) Hipólito
Monte foi entrevistado no programa O Som do Caby, da Rádio
FM Resistência, e desde Buenos Aires, com Borjão,
em paralelo na cidade de Fortaleza, deu detalhes de um amasso
seu na Roxinha. É verdade o que ele falou?
Ricardo
Borges – É verdade sim. Agora o que ele
não falou, foi que também fazia parte do grupo
de grande admiradores da Roxinha. Chegou a hora da verdade.
Doa em quem doer. Caby, quem me deve me paga. (dispara mais
uma gargalhada). Vou contar tintim por tintim. Seguinte: Estávamos
fazendo uma serenata na residência do senhor Bibiu Gurgel,
em Tibau , onde umas moças muito bonitas estavam hospedadas,
aí apareceu a Roxinha, que ele definiu muito bem naquela
entrevista, uma quadrúpede. Estavam no seleto e embevecido
grupo eu, o próprio Hipólito, Das Chagas Bolão,
Breno e todos, indistintamente todos, se aproveitaram da inocência
da Roxinha, Porém, só o Borjão que pagou
o pato. Agora, eu acho que a Roxinha teve mais encanto pelo
seu amigo aqui (e tome risada)..
Azougue – Borjão; foi sem dúvidas um prazer
tê-lo como entrevistado.
Ricardo
Borges – Como eu já disse quando apresentei
o livro Do Bumba 5, acho o azougue de uma importância
extremada para todos os mossoroenses e talvez, até bem
mais, para os que residem em outras cidades. Mais um detalhe;
eu coloquei o meu blog no sistema do analista da Google e 33%
dos acessos do www.rasborges.uol.blog.com.br são originados
através do nosso banner linkado no azougue, e também
boa parte do blog do nosso conterrâneo Mário Heitor
de Gadê Negócio, de endereço www.mnegocio.blog.uol.com.br.
Os acessos em linha direta somam mais de 50%.
.........
caby@azougue.com rasborges@gmail.com
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