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CLEODON BEZERRA
Meu amigo, os meus pais não brincavam em serviço, aparecia uma brecha e lá estavam eles, no bem bom (risos). Alguns vão por luxo e outros a pulso, que foi o meu caso. Esse é mais fraco que caldo de batata. . Disputei 4 mandados de vereador, galgando êxito em todos, fui presidente da Câmara em dois pleitos consecutivos. Foi exatamente esse entrevistado quem costurou essa situação. Não aposto absolutamente nada, eu apenas sou, hoje, defensor da candidatura ao governo do Estado, da atual senadora, Rosalba Ciarlini.
Azougue – Uma infância com muita traquinagem?
CB – Na verdade com pouquíssima traquinagem, isso em função das dificuldades financeiras enfrentadas pelos meus pais. Era traquinar ou trabalhar, aí o senso de responsabilidade que adquiri ainda muito novo me fez optar pelo justo caminho. Nós éramos 21 irmãos, isso só de um casamento, frisando que do 1º casamento o meu pai já tinha 5 filhos e do 2º nasceram exatamente 21. Meu amigo, os meus pais não brincavam em serviço, aparecia uma brecha e lá estavam eles, no bem bom (risos). Eu fui o último dos filhos e já com 13 anos fui à luta, com o detalhe que aos 18 o meu pai, senhor Francisco Assis de Oliveira, conhecido como Chico Ludjero, faleceu, e aí foi que a responsabilidade aumentou. Minha primeira profissão foi a de auxiliar de marítimo, atuando numa embarcação de madeira.
Azougue – Até hoje então dando seguimento a profissão que abraçou?
CB – É bom registrar que todos os meus irmãos trabalhavam no mesmo seguimento, a exceção de Cid Bezerra, que era funcionário do, na época INPS. Eu consegui chegar mais longe na hierarquia marítima, cujo topo, é prático do porto, que é um cargo semelhante ao de comandante de navio.
Azougue – O que significa exatamente ser prático de um porto?
CB – O prático é nada mais nada menos do que um auxiliar técnico do comandante de um navio. O comandante viaja o mundo todo e quando ele chega a sua área de praticagem, determina largar a âncora e aguarda o prático chegar a bordo. Em Areia Branca, a 9 milhas do Porto Ilha, o navio larga a âncora, o prático chega, faz a demanda do canal e logicamente é dada a autorização para a devida manobra.
Azougue – O que é necessário para se chegar à condição de prático?
CB – Há alguns anos a experiência era fator fundamental. Hoje o cidadão tem que ser um oficial de náutica, (piloto, comandante de navio), se submeter a um concurso para praticante de prático. Antigamente você já entrava numa linha direta de testes para se tornar prático. Existe uma série de fatores de extremada responsabilidade, o que antes não se fazia necessário. Eu consegui chegar nesse patamar aos 35 anos de idade, mas antes, fui auxiliar de cozinheiro, da cozinha fui para a proa, embarcação, moço de convés, marinheiro, depois mestre de cabotagem. Enfim um processo lento, muito sério e gradual.
Azougue – Neste período o salto de Areia Branca para o Rio de Janeiro. Grande salto, não?
CB – Aparentemente sim, porém eu fui, na marra, (risos), obrigado, a ir para Rio de Janeiro. Alguns vão por luxo e outros a pulso, que foi o meu caso. Na época eu já era comandante de barcaça e tinha para a empresa uma produção considerada de muito alta, isso no ano 1960. Me, afastei por conta de uma cirurgia de apendicite e na volta me mandaram para a rua. Pensei, e me larguei para a cidade maravilhosa, e tive o prazer trabalhar na construção da ponte Rio-Niteroi, que contava com 126 rebocadores e 104 lanchas. Numa dessas paradas existia a urgência de se trazer o então ministro dos Transportes Mário Andreaza. O responsável pelo transporte da lancha estava doente e eu já de cara me habilitei, nascendo então, uma boa amizade com o ministro Andreaza, que quando veio para a inauguração do Porto Ilha, em 1974, fez questão de frisar da nossa amizade e de enaltecer a minha condição profissional.
Azougue – Fale-me sobre Cleodon Bezerra, empresário.
CB – Esse é mais fraco que caldo de batata (risos). Em 1977 criamos uma pequena empresa batizada de Sermapra, Serviços Marítimos de Apoio a Praticagem Ltda onde sou sócio majoritário e temos em nossos quadros algo em torno de 30 funcionários.
Azougue – Como a política aconteceu na sua vida?
CB - Antes de ser, eleitor eu já gostava de política e no ano 1982, como diz o matuto, embioquei de cabeça nessa área. Disputei 4 mandados de vereador, galgando êxito em todos, fui presidente da Câmara em dois pleitos consecutivos e perdi uma campanha como candidato a vice-prefeito, isso no ano 1988. Entendi que como vereador já tinha desempenhado o meu papel, abrindo esse espaço para o meu sobrinho, Aldo, que hoje é o presidente da Casa do Povo.
Azougue - Seu nome sempre está na mídia como candidato a prefeito, porém em nenhum instante o fato aconteceu. Por quê?
CB – O negócio é o seguinte; Você ser vereador 4 vezes, presidente da Câmara por 2 mandatos, preside um partido grande como o PMDB, numa cidade considerada pequena, tipo Areia Branca, é normal, essa evidência de nome. O meu sempre esteve à disposição, agora existem prioridades e nomes considerados mais identificados que foram colocados em primeiro plano e olha que fui eu o maior colaborador dessa situação. Foi exatamente Cleodon Bezerra, quem mais trabalhou para a união do atual prefeito Sousa, com o vice, Bruno. Foi exatamente esse entrevistado quem costurou essa situação.
Azougue - Qual a grande liderança política de Areia Branca?
CB – Indiscutivelmente o prefeito Sousa, vindo a seguir o vice, Bruno, que também já dirigiu os destinos da terra salinézia.
Azougue – Você aposta algumas fichas nas eleições majoritárias de 2010?
CB – Não aposto absolutamente nada, eu apenas sou, hoje, defensor da candidatura ao governo do Estado, da atual senadora, Rosalba Ciarlini. Eu somente deixarei de estar com Rosalba, se o meu partido seguir outro caminho, o que particularmente não acredito.
Azougue – 3 grandes nomes são apontados como candidatos ao senado. Wilma de Faria, Garibaldi Alves e José Agripino. O jogo será duro?
CB – Amigo, tem nó na cana (risos), é parada complicada e até acho que eles vão pedir para beber uma água bem fria, vão conversar muito, porque o negócio ta muito embrulhado.
Azougue – Quem é o maior político do Rio Grande do Norte?
CB – Infelizmente faleceu. Aluizio Alves foi o maior de todos e hoje vejo condições de lideranças em alguns, muito igualitárias.
Azougue – E nas horas vagas.
CB – Nas horas vagas, um bom papo com os amigos, uma cervejinha, ouvir os conselhos do meu assessor, que não faz nada, não resolve nada, não apita nada, só faz mentir muito, e imitar Altemar Dutra, Cauby Peixoto e Ney Matogrosso, (risos), de nome Ribamar Siqueira.
Azougue – Receba o abraço dos que fazem este site.
CB – Site este que eu invariavelmente acesso todos os dias, que aplaudo e se usasse (risos), tiraria o meu chapéu.
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