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EVANDRO
PRAXEDES
Completando
39 anos neste 29 de setembro, dia que marca o registro da entrada
no ar desta entrevista, o que fortalece em muito os que compõem
este site. Evandro Praxedes é mestre na arte de cultivar
amizades, carregando sempre a filosofia de que amigo não
é aquele que chega, e sim aquele que sempre estar. A
raiz de uma inquestionável liderança profissional
o faz ter a admiração de muitos. Nos inícios
de noite a confraria do Zaqueu bota pra fora o seu lado brincalhão
e quem não rezar na cartilha é alcunhado de ‘fura
bucho’. A conversa com o presidente do Simorsal é
um autêntico presente de aniversário ao internauta.
Então...
Azougue
- Ainda muito jovem, as malas já estavam arrumadas para
Manaus?
Evandro - Sim, as dificuldades financeiras determinaram
a mudança. Eu nasci no bairro Boa Vista e o meu pai Severino
Praxedes tinha um caminhão e puxava sal. As indefinições
de um novo amanhã eram tamanhas com o acúmulo
de dívidas sempre bem superior a receita. Como caminhoneiro
passou a atuar na terra manaura e já com as contas pendentes
em Mossoró solucionadas, no sexto mês da sua estada
por lá mandou buscar o restante da família. Eu
e meus irmãos estudávamos de segunda a sexta sendo
que no sábado e domingo, nas imediações
do estádio Vivaldão, eu, na época, com
9 anos de idade, íamos para a feira vender sorvete, pipoca,
refrigerante e de cara pegava uma carona para assistir aos jogos.
Isso ocorreu entre os anos 1975 e 1977, quando chegou então
o momento de retornarmos a Mossoró.
Azougue - De cara, o abraço à atividade
salineira?
Evandro - Não. O pensamento do meu pai era batalhar
a vida nas estradas brasileiras. Era o reiniciar a sua condição
de homem de volante em caminhão. Mas uma negociação
preestabelecida e não cumprida por um seu amigo fez com
que ele alugasse um armazém de sal na av. Rio Branco,
pertinho dos galpões da rede ferroviária. Pela
manhã eu estudava e à tarde tinha a obrigação
de trabalhar, enchendo sal na tradicional concha. Quando o seu
Severino dava uma saidinha eu escapulia e ia bater uma pelada
e numa dessas fugidinhas, quando eu menos espero, ele encosta
sua Brasília e frisa: "A bola do armazém
tem mais futuro para você". Como eu também
notei que jamais seria o sucessor de Pelé, Zico, (risos),
aí resolvi abraçar aquela causa, que era extraordinariamente
justa para ele e veio a saudável herdeira contaminação.
De 1980 para cá não tenho, profissionalmente,
feito outra coisa.
Azougue - A partir daí veio a Refimosal?
Evandro - Verdade. Como sempre seguimos a filosofia
de que Deus ajuda a quem trabalha, o honesto suor do dia-a-dia
nos deu a condição de adquirirmos um imóvel
na rua Benjamim Constant, nascendo então a Refimosal,
que tinha em seus quadros cerca de 22 funcionários, em
seguida na BR-304 que liga Mossoró a Tibau, abrimos a
nossa refinaria e hoje o complexo conta com algo em torno de
150 empregos diretos.
Azougue - A voz popular dizia que quem era salineiro
podia se considerar um homem rico. A colocação
é verdadeira?
Evandro - O sal não é o melhor negócio
do mundo, mas dá uma estabilidade. Trabalhando com afinco
e responsabilidade os objetivos são alcançados.
O detalhe é você entender que a fase ruim, a época
da vaca magra, nunca vai deixar de existir. Eu tenho 25 anos
no ramo e sempre convivi com os altos e baixos. O que sempre
estou a comentar com os meus familiares e colegas é que
se deve agarrar com unhas e dentes as oportunidades e nunca
se zombar da sorte.
Azougue - Recentemente você assumiu pela 3ª
vez a presidência do Sindicato dos Moageiros e Refinadores
de Sal do RN, Simorsal. Há deslealdade entre os concorrentes?
Evandro - É (risos) você ainda diz que
é meu amigo. Ocorre o seguinte; antigamente o produtor
em sua grande maioria apenas produzia o sal e nos vendia que
trabalhávamos a sua industrialização e
posterior comercialização. Hoje todo produtor
é também beneficiador e, diga-se de passagem,
alguns, grandes beneficiadores, gerando uma oferta maior no
mercado e quando a oferta é maior que a procura fatalmente
o desnivelamento de preços ocorrerá em qualquer
segmento.
Azougue - Então concorrência desleal existe
por necessidade de sobrevivência?
Evandro - Com certeza, não vejo má-fé
nos produtores e sim uma absoluta questão de sobrevivência.
Azougue - Por que o sal ainda não está
no patamar que merece, afinal o Estado é detentor de
97% da fatia nacional?
Evandro - Eu sempre coloquei nas reuniões que
todos nós somos conscientes dos problemas que nos cercam.
O que precisamos é abrir mão de situações
"próprias" e pensarmos no coletivo. Na verdade,
falta mais união. Todos nós temos que nos policiarmos
naquilo que chamamos de "aprender a ceder". O egoísmo
prevalecendo numa união ela pode até não
fracassar, mas jamais obterá as conquistas merecidas
e desejadas.
Azougue - O amanhã deve ser melhor nesta atividade?
Evandro - Sim, eu não tenho dúvidas disso.
O consumo é natural e sempre foi crescente, os horizontes
estão abertos, agora quem não se modernizar vai
sofrer. Hoje o consumidor é exigente, ele quer saber
de tudo. Por menor que seja a falha no seu produto, ele já
ligando e, corretamente, apresentado a sua reclamação.
Quem trabalhar de maneira organizada vai colher bons frutos.
Azougue - Alguma das três filhas poderá
sentar na cadeira que era do seu pai, e que você hoje
ocupa?
Evandro - Eu e minha esposa Gilvaneide nunca tentamos
influenciar no posicionamento delas. Não vemos em Anne
Caroline, Anna Karen e Ana Helena nenhuma manifestação
de desejo de seguir profissionalmente os nossos passos. Elas
terão com certeza todo o nosso apoio na profissão
que abraçarem.
Azougue - E de repente você infiltrou-se também
na política?
Evandro - Frise-se bem que de maneira indireta. Ocorreu
o seguinte: Renato Fernandes candidatou-se a vereador na cidade
de Caraúbas e não obteve êxito. Na segunda
tentativa ele já estava casado com a minha irmã
Seyssa e foi eleito. Digo a todos que sou fã da inteligência,
do dinamismo, do comportamento de Renato. Determinado dia estávamos
Renato, Herbert Vieira, Edvaldo Fagundes e eu no Shopping Avenida
e lançamos-lhe um desafio: renuncie ao seu mandado em
Caraúbas que nós apoiaremos a sua candidatura
em Mossoró. Não deu outra. A renúncia existiu
e também a sua 1ª eleição em Mossoró.
Hoje ele está no seu 2º mandato, tendo se licenciado
recentemente para assumir a presidência da Codern, Companhia
Docas do Rio Grande do Norte.
Azougue - Hoje (29 de setembro) você está
completando 39 anos de idade e em mais 48h teremos a eleição
para governador do Estado. Quem ganhará, Wilma ou Garibaldi?
Evandro - Percebe-se que realmente (nova risada) você
é meu amigo. Fazia muito tempo que não se tinha
o registro de uma campanha tão acirrada. Só que
não apenas pelo fato de votar nela, e muito também
pela progressão dos números apresentados pelos
institutos de pesquisas, é que acredito que Wilma de
Faria comandará o Estado por mais 4 anos.
Azougue - O Baraúnas e o Flamengo lhe fazem sofrer
muito?
Evandro - Lá vem você. O meu Baraúnas
foi campeão do Estado dando pauladas no seu Potiguar.
Representou Mossoró na Copa do Brasil, ganhando até
do Vasco da Gama lá no Rio de Janeiro. Quer mais o quê?
Agora, o Flamengo tem me maltratado muito e o pior nisso é
lhe agüentar aos domingos na FM Resistência, a toda
hora sacaneando com a expressão Foi-mengo, Foi-mengo
e mais a cada derrota o chororô do meu primo Lucivan Praxedes.
Azougue - Um abraço e estamos satisfeitos pela
conversa.
Evandro - Quem me conhece sabe que eu sou muito reservado
e diria até acuado para entrevistas, mas quando percebi
que não fugiria mesmo do seu encalço, aí
topei a parada. O meu abraço aos internautas do azougue.com
evandro@refimosal.com.br
caby@azougue.com
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