Mossoró-RN, de 2005
MENU
:: CABY
:: EMERY COSTA
:: SÉRGIO OLIVEIRA
:: ENTREVISTAS
:: GRAMÁTICA
:: ARTIGOS
:: MEDICINA
:: MULHER
:: MOSSOROENSES-OUT
:: CELEBRIDADES
:: CURIOSIDADES
:: O MANCHA
:: PRESEPADAS
:: PAISAGENS
:: PIADAS
:: LIÇÕES
:: MOSSORÓ MEU XODÓ
:: DO BUMBA
:: DA ÉPOCA
:: ANTIGAMENTE
:: OLHOVIVO
:: BONITAS & BELAS
:: O DESABONITADO
:: IDENTIDADE
:: NOTÍCIAS
:: ESPORTE
:: CAMARADINHA

 

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site

 

EVANDRO PRAXEDES

 

Completando 39 anos neste 29 de setembro, dia que marca o registro da entrada no ar desta entrevista, o que fortalece em muito os que compõem este site. Evandro Praxedes é mestre na arte de cultivar amizades, carregando sempre a filosofia de que amigo não é aquele que chega, e sim aquele que sempre estar. A raiz de uma inquestionável liderança profissional o faz ter a admiração de muitos. Nos inícios de noite a confraria do Zaqueu bota pra fora o seu lado brincalhão e quem não rezar na cartilha é alcunhado de ‘fura bucho’. A conversa com o presidente do Simorsal é um autêntico presente de aniversário ao internauta. Então...

 

Azougue - Ainda muito jovem, as malas já estavam arrumadas para Manaus?

Evandro -
Sim, as dificuldades financeiras determinaram a mudança. Eu nasci no bairro Boa Vista e o meu pai Severino Praxedes tinha um caminhão e puxava sal. As indefinições de um novo amanhã eram tamanhas com o acúmulo de dívidas sempre bem superior a receita. Como caminhoneiro passou a atuar na terra manaura e já com as contas pendentes em Mossoró solucionadas, no sexto mês da sua estada por lá mandou buscar o restante da família. Eu e meus irmãos estudávamos de segunda a sexta sendo que no sábado e domingo, nas imediações do estádio Vivaldão, eu, na época, com 9 anos de idade, íamos para a feira vender sorvete, pipoca, refrigerante e de cara pegava uma carona para assistir aos jogos. Isso ocorreu entre os anos 1975 e 1977, quando chegou então o momento de retornarmos a Mossoró.

Azougue - De cara, o abraço à atividade salineira?

Evandro -
Não. O pensamento do meu pai era batalhar a vida nas estradas brasileiras. Era o reiniciar a sua condição de homem de volante em caminhão. Mas uma negociação preestabelecida e não cumprida por um seu amigo fez com que ele alugasse um armazém de sal na av. Rio Branco, pertinho dos galpões da rede ferroviária. Pela manhã eu estudava e à tarde tinha a obrigação de trabalhar, enchendo sal na tradicional concha. Quando o seu Severino dava uma saidinha eu escapulia e ia bater uma pelada e numa dessas fugidinhas, quando eu menos espero, ele encosta sua Brasília e frisa: "A bola do armazém tem mais futuro para você". Como eu também notei que jamais seria o sucessor de Pelé, Zico, (risos), aí resolvi abraçar aquela causa, que era extraordinariamente justa para ele e veio a saudável herdeira contaminação. De 1980 para cá não tenho, profissionalmente, feito outra coisa.

Azougue - A partir daí veio a Refimosal?

Evandro
- Verdade. Como sempre seguimos a filosofia de que Deus ajuda a quem trabalha, o honesto suor do dia-a-dia nos deu a condição de adquirirmos um imóvel na rua Benjamim Constant, nascendo então a Refimosal, que tinha em seus quadros cerca de 22 funcionários, em seguida na BR-304 que liga Mossoró a Tibau, abrimos a nossa refinaria e hoje o complexo conta com algo em torno de 150 empregos diretos.

Azougue - A voz popular dizia que quem era salineiro podia se considerar um homem rico. A colocação é verdadeira?

Evandro -
O sal não é o melhor negócio do mundo, mas dá uma estabilidade. Trabalhando com afinco e responsabilidade os objetivos são alcançados. O detalhe é você entender que a fase ruim, a época da vaca magra, nunca vai deixar de existir. Eu tenho 25 anos no ramo e sempre convivi com os altos e baixos. O que sempre estou a comentar com os meus familiares e colegas é que se deve agarrar com unhas e dentes as oportunidades e nunca se zombar da sorte.

Azougue - Recentemente você assumiu pela 3ª vez a presidência do Sindicato dos Moageiros e Refinadores de Sal do RN, Simorsal. Há deslealdade entre os concorrentes?

Evandro -
É (risos) você ainda diz que é meu amigo. Ocorre o seguinte; antigamente o produtor em sua grande maioria apenas produzia o sal e nos vendia que trabalhávamos a sua industrialização e posterior comercialização. Hoje todo produtor é também beneficiador e, diga-se de passagem, alguns, grandes beneficiadores, gerando uma oferta maior no mercado e quando a oferta é maior que a procura fatalmente o desnivelamento de preços ocorrerá em qualquer segmento.

Azougue - Então concorrência desleal existe por necessidade de sobrevivência?

Evandro -
Com certeza, não vejo má-fé nos produtores e sim uma absoluta questão de sobrevivência.

Azougue - Por que o sal ainda não está no patamar que merece, afinal o Estado é detentor de 97% da fatia nacional?

Evandro -
Eu sempre coloquei nas reuniões que todos nós somos conscientes dos problemas que nos cercam. O que precisamos é abrir mão de situações "próprias" e pensarmos no coletivo. Na verdade, falta mais união. Todos nós temos que nos policiarmos naquilo que chamamos de "aprender a ceder". O egoísmo prevalecendo numa união ela pode até não fracassar, mas jamais obterá as conquistas merecidas e desejadas.

Azougue - O amanhã deve ser melhor nesta atividade?

Evandro -
Sim, eu não tenho dúvidas disso. O consumo é natural e sempre foi crescente, os horizontes estão abertos, agora quem não se modernizar vai sofrer. Hoje o consumidor é exigente, ele quer saber de tudo. Por menor que seja a falha no seu produto, ele já ligando e, corretamente, apresentado a sua reclamação. Quem trabalhar de maneira organizada vai colher bons frutos.

Azougue - Alguma das três filhas poderá sentar na cadeira que era do seu pai, e que você hoje ocupa?

Evandro -
Eu e minha esposa Gilvaneide nunca tentamos influenciar no posicionamento delas. Não vemos em Anne Caroline, Anna Karen e Ana Helena nenhuma manifestação de desejo de seguir profissionalmente os nossos passos. Elas terão com certeza todo o nosso apoio na profissão que abraçarem.


Azougue - E de repente você infiltrou-se também na política?

Evandro -
Frise-se bem que de maneira indireta. Ocorreu o seguinte: Renato Fernandes candidatou-se a vereador na cidade de Caraúbas e não obteve êxito. Na segunda tentativa ele já estava casado com a minha irmã Seyssa e foi eleito. Digo a todos que sou fã da inteligência, do dinamismo, do comportamento de Renato. Determinado dia estávamos Renato, Herbert Vieira, Edvaldo Fagundes e eu no Shopping Avenida e lançamos-lhe um desafio: renuncie ao seu mandado em Caraúbas que nós apoiaremos a sua candidatura em Mossoró. Não deu outra. A renúncia existiu e também a sua 1ª eleição em Mossoró. Hoje ele está no seu 2º mandato, tendo se licenciado recentemente para assumir a presidência da Codern, Companhia Docas do Rio Grande do Norte.

Azougue - Hoje (29 de setembro) você está completando 39 anos de idade e em mais 48h teremos a eleição para governador do Estado. Quem ganhará, Wilma ou Garibaldi?

Evandro -
Percebe-se que realmente (nova risada) você é meu amigo. Fazia muito tempo que não se tinha o registro de uma campanha tão acirrada. Só que não apenas pelo fato de votar nela, e muito também pela progressão dos números apresentados pelos institutos de pesquisas, é que acredito que Wilma de Faria comandará o Estado por mais 4 anos.

Azougue - O Baraúnas e o Flamengo lhe fazem sofrer muito?

Evandro -
Lá vem você. O meu Baraúnas foi campeão do Estado dando pauladas no seu Potiguar. Representou Mossoró na Copa do Brasil, ganhando até do Vasco da Gama lá no Rio de Janeiro. Quer mais o quê? Agora, o Flamengo tem me maltratado muito e o pior nisso é lhe agüentar aos domingos na FM Resistência, a toda hora sacaneando com a expressão Foi-mengo, Foi-mengo e mais a cada derrota o chororô do meu primo Lucivan Praxedes.

Azougue - Um abraço e estamos satisfeitos pela conversa.

Evandro -
Quem me conhece sabe que eu sou muito reservado e diria até acuado para entrevistas, mas quando percebi que não fugiria mesmo do seu encalço, aí topei a parada. O meu abraço aos internautas do azougue.com

evandro@refimosal.com.br

caby@azougue.com

Site melhor visualizado com I.E. 5.0 ou posterior e 800x600px
Copyright©, 2004-2006 www.azougue.com - Todos os Direitos Reservados
Projeto - Caby da Costa Lima