Mossoró-RN, de 2005
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GILVAN CARLOS

Das raízes sertanejas a certeza da manutenção das palavras. Na perseverança a convicção de objetivos alcançados. Na adversidade a visão de novos horizontes. Na criação da filosofia de vida, “o político não tem a obrigação de prometer, mas se prometeu tem a obrigação de cumprir”. No respeito, o aprendizado da difícil arte de fazer política com seriedade. O deputado estadual Gilvan Carlos é o entrevistado do azougue.com.


Azougue - Fale-me sobre as suas primeiras atividades?

Gilvan Carlos - Eu sou filho de pais agricultores, nasci em Frutuoso Gomes RN, no ano 1942, e a nossa batalha na época era com a enxada. E já estudando, nas férias, o lazer tinha um sentido duplo, que era a pesca e também a caça que ajudavam na manutenção da família. Eu trabalhava na roça. Era um fato interessante, pois tudo era na base da empreita. Meu pai me dava uma tarefa, tipo limpar determinada quantidade de mato e se naquele dia eu não conseguisse cumprir aquela obrigação, no dia seguinte vinha uma outra em dimensões menores para que pudesse fechar a situação anterior. Essa situação perdurou até mais ou menos quando completei 13 anos de idade. Eu digo que valeu muito, pois me tornei responsável ainda muito jovem.

Azougue - E a vinda para Mossoró, como se deu?

Gilvan Carlos - Eu queria muito me dedicar aos estudos e em 1957 vim morar em Mossoró, onde residi na casa de uma tia no Alto da Conceição, depois me transferi para a Casa do Estudante.

Azougue - Lá nasceu a identidade política?

Gilvan Carlos - Eu acredito que sim, mesmo não tendo na época essa consciência. Eu disputei a presidência da casa com o, infelizmente já falecido, oftalmologista José Fernandes. Tem até uma passagem muito interessante: Cerca de 120 votantes e faltando apurar os três últimos votos, ele tinha dois a mais que eu, e quando foram abertos eu ganhei por uma diferença de um voto apenas. Zé Fernandes já comemorava a vitória. Depois eu fui reeleito por mais dois mandatos. A partir daí residiu em mim o sentimento de ingressar na vida pública e voltei para Frutuoso Gomes.

Azougue - Muito jovem e também já prefeito?

Gilvan Carlos - Sim, com apenas 26 anos de idade. Quando do nosso retorno a Frutuoso Gomes, eu e mais dois amigos pleiteávamos essa condição, mas no consenso, eles desistiram e eu fui candidato único. De 1968 para cá, graças a Deus e por fazer sempre uma administração por demais transparente, eu nunca perdi uma eleição na terra em que nasci. Apoiei minha ex-esposa, depois fui novamente prefeito por duas vezes. Hoje o meu filho Fagner Carlos é quem ocupa essa condição. Também disputei uma eleição em Antônio Martins e perdi por oito votos, numa concorrência acirrada com um candidato de Carvalho Neto.

Azougue – Buscou quando um assento na Assembléia Legislativa?

Gilvan Carlos - Eu disputei a eleição de deputado estadual pela primeira vez, não logrei êxito. e fiquei na terceira suplência, só não sendo eleito porque o programa não foi cumprido de acordo com o que foi traçado pelo ex-deputado federal Vingt Rosado, a quem eu era ligado. Dr. Vingt trabalhou no sentido de eleger Carlos Augusto, Dalto Cunha e eu. Houve, de maneira inesperada, uma rebeldia de Carlos, e no final apenas ele conseguiu um assento na Assembléia Legislativa. Se tivesse existido a divisão como Vingt Rosado havia planejado, todos teriam sido eleitos.

Azougue - Três tentativas, não existindo ainda a titularidade?

Gilvan Carlos - Na última eleição eu obtive quase 28 mil votos e fiquei na primeira suplência, tendo assumido a cadeira em função de Nélter Queiroz ter sido convocado pela governadora Wilma de Faria para a Secretaria de Indústria e Comércio. Resta-me continuar trabalhando para conseguir a firmeza da titularidade.

Azougue - O gol de placa como prefeito e também como deputado?

Gilvan Carlos - Na primeira opção, acredito que foi a conquista do crédito. Não se vendia fiado à prefeitura sob hipótese alguma e esse fator tornou-se realidade graças a nossa honradez nos compromissos assumidos. Agora, me permita acrescentar que eu fui o prefeito a criar o Programa do Leite no Rio Grande do Norte, como também criei um programa para o empréstimo de dinheiro ao homem do campo. Essas duas condições feitas por mim levaram Frutuoso Gomes ao índice zero de mortalidade infantil. A conta da farmácia bancada pelo município teve uma queda que oscilou entre 70 e 80%. Como deputado eu exemplifico um projeto que é denominado de Lei Gilvan Carlos, que dá direito ao trabalhador rural de contar com a Caern para canalizar água de uma adutora até a sua propriedade, quando a distancia geográfica for de até mil metros. Eu também criei um projeto, que foi aprovado, para que seja fundado um curso de medicina no Campus Avançado de Natal sem que traga nenhum prejuízo para Mossoró. Olha, Caby, só no ano passado eu apresentei 332 requerimentos, 13 projetos e realizei 9 audiências públicas.

Azougue - Você concorda com as pesquisas? Garibaldi Alves é a preferência popular nas eleições de outubro?

Gilvan Carlos - Ele pode até ter no momento esse favoritismo. Porém, repito: até o momento. A governadora Wilma de Faria está fazendo história em todas as áreas. Observe só a mudança que houve na segurança pública. A melhora é substancial. Se os assaltos a bancos ainda não desapareceram, pelo menos caminham para isso. Agora, veja esse item no governo de Garibaldi. As condições de saúde melhoraram também no social, houve uma boa evolução. Ela vem se notabilizando como governadora das estradas. Faça você, Caby, o comparativo. Politicamente eu acho que ela ainda não se movimentou como deveria. Olha, são muitos os cargos públicos que estão nas mãos de adversários e eles têm as suas preferências. Observe bem, há pouco as pesquisas a colocavam em terceiro lugar e hoje ela já subiu para a segunda colocação. Até outubro, o quadro com certeza será revertido.

Azougue - O senador José Agripino é a terceira força política do Estado potiguar?

Gilvan Carlos - Eu acredito que sim. Em que pese ocupar um bom espaço na mídia nacional, ele é a terceira força no Estado.

Azougue - Quais os grandes líderes que o Rio Grande do Norte já teve?

Gilvan Carlos - Vamos por etapas. Na região Oeste, indiscutivelmente Vingt Rosado. No Seridó, Dinarte Mariz e a nível de Estado, o maior deles foi Aluízio Alves.

Azougue - Você fará dobradinha em algumas cidades com a deputada federal Sandra Rosado?

Gilvan Carlos - Sandra Rosado é uma deputada de excelente atuação e é merecedora do reconhecimento popular. Nós estamos conversando e existem boas possibilidades, vez que o interesse é mútuo. Agora tudo dependerá de entendimentos posteriores.

Azougue - Um ano e seis meses na Assembléia. Quais os parlamentares que merecem o seu aplauso?

Gilvan Carlos - No geral, todos demonstram preocupação com o bem-estar da população. Eu posso destacar o desempenho do presidente da Assembléia, Robinson Faria. O deputado José Dias é também muito atuante. Existem algumas exceções que eu prefiro não citar.

Azougue - E na Câmara de Mossoró, quem faz jus ao mandato?

Gilvan Carlos - Honestamente, eu vejo a Câmara muito bem servida. O nível é muito bom. Mas a gente percebe com destaque a luta do sargento Osnildo e também admiro a vereadora Gilvandra.

Azougue - Gilvan Carlos, Larissa Rosado, Ruth Ciarlini, Francisco José, Leonardo da Vinci, Renato Fernandes e Chico da Prefeitura. Hoje todos são candidatos a deputado estadual? Quem chegará lá?

Gilvan Carlos - Deixe-me fazer o registro por uma questão de justiça: Larissa Rosado é uma deputada realmente atuante. Eu acho que nós teremos muitas surpresas nas próximas eleições. O político que tem a confiança do povo já larga com uma certa vantagem sobre os demais. Quem estiver pensando em comprar mandato, se montar em determinadas estruturas, poderá não ser bem sucedido.

Azougue - O seu filho Fagner faz uma boa administração em Frutuoso Gomes? O nome Fagner é homenagem ao cantor?

Gilvan Carlos - Primeiro a segunda pergunta. Eu sempre admirei o cantor Fagner e resolvi fazer-lhe essa homenagem. Ele é um jovem de 28 anos, muito responsável. Administra uma cidade sem royalties que vive fundamentalmente do FPM. E essa seriedade administrativa foi comprovada com a sua reeleição.

Azougue - E os seus hobbies, quais são?

Gilvan Carlos - Futebol e muita leitura. Torço pelo Baraúnas e sou diretor de patrimônio do clube. No Rio de Janeiro sofro com o Flamengo. Um outro detalhe. Eu adoro uma caminhada. Olha (risos), se eu estiver num hotel eu aproveito o seu corredor e fico indo e voltando (risos), acho até que por isso já fui tachado de doido.

Azougue - Pra finalizar. O político não tem obrigação de prometer, mas...

Gilvan Carlos - O político não tem obrigação de prometer, mas se prometeu tem obrigação de cumprir.

caby@azougue.com

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