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GILVAN
CARLOS
Das
raízes sertanejas a certeza da manutenção
das palavras. Na perseverança a convicção
de objetivos alcançados. Na
adversidade a visão de novos horizontes. Na criação
da filosofia de vida, “o político não tem
a obrigação de prometer, mas se prometeu tem a
obrigação de cumprir”. No respeito, o aprendizado
da difícil arte de fazer política com seriedade.
O deputado estadual Gilvan Carlos é o entrevistado do
azougue.com.
Azougue - Fale-me sobre as suas primeiras atividades?
Gilvan
Carlos - Eu
sou filho de pais agricultores, nasci em Frutuoso Gomes RN,
no ano 1942, e a nossa batalha na época era com a enxada.
E já estudando, nas férias, o lazer tinha um sentido
duplo, que era a pesca e também a caça que ajudavam
na manutenção da família. Eu trabalhava
na roça. Era um fato interessante, pois tudo era na base
da empreita. Meu pai me dava uma tarefa, tipo limpar determinada
quantidade de mato e se naquele dia eu não conseguisse
cumprir aquela obrigação, no dia seguinte vinha
uma outra em dimensões menores para que pudesse fechar
a situação anterior. Essa situação
perdurou até mais ou menos quando completei 13 anos de
idade. Eu digo que valeu muito, pois me tornei responsável
ainda muito jovem.
Azougue
- E a vinda para Mossoró, como se deu?
Gilvan
Carlos - Eu
queria muito me dedicar aos estudos e em 1957 vim morar em Mossoró,
onde residi na casa de uma tia no Alto da Conceição,
depois me transferi para a Casa do Estudante.
Azougue
- Lá nasceu a identidade política?
Gilvan
Carlos - Eu
acredito que sim, mesmo não tendo na época essa
consciência. Eu disputei a presidência da casa com
o, infelizmente já falecido, oftalmologista José
Fernandes. Tem até uma passagem muito interessante: Cerca
de 120 votantes e faltando apurar os três últimos
votos, ele tinha dois a mais que eu, e quando foram abertos
eu ganhei por uma diferença de um voto apenas. Zé
Fernandes já comemorava a vitória. Depois eu fui
reeleito por mais dois mandatos. A partir daí residiu
em mim o sentimento de ingressar na vida pública e voltei
para Frutuoso Gomes.
Azougue
- Muito jovem e também já prefeito?
Gilvan
Carlos - Sim,
com apenas 26 anos de idade. Quando do nosso retorno a Frutuoso
Gomes, eu e mais dois amigos pleiteávamos essa condição,
mas no consenso, eles desistiram e eu fui candidato único.
De 1968 para cá, graças a Deus e por fazer sempre
uma administração por demais transparente, eu
nunca perdi uma eleição na terra em que nasci.
Apoiei minha ex-esposa, depois fui novamente prefeito por duas
vezes. Hoje o meu filho Fagner Carlos é quem ocupa essa
condição. Também disputei uma eleição
em Antônio Martins e perdi por oito votos, numa concorrência
acirrada com um candidato de Carvalho Neto.
Azougue
– Buscou quando um assento na Assembléia Legislativa?
Gilvan
Carlos - Eu
disputei a eleição de deputado estadual pela primeira
vez, não logrei êxito. e fiquei na terceira suplência,
só não sendo eleito porque o programa não
foi cumprido de acordo com o que foi traçado pelo ex-deputado
federal Vingt Rosado, a quem eu era ligado. Dr. Vingt trabalhou
no sentido de eleger Carlos Augusto, Dalto Cunha e eu. Houve,
de maneira inesperada, uma rebeldia de Carlos, e no final apenas
ele conseguiu um assento na Assembléia Legislativa. Se
tivesse existido a divisão como Vingt Rosado havia planejado,
todos teriam sido eleitos.
Azougue
- Três tentativas, não existindo ainda a titularidade?
Gilvan
Carlos - Na
última eleição eu obtive quase 28 mil votos
e fiquei na primeira suplência, tendo assumido a cadeira
em função de Nélter Queiroz ter sido convocado
pela governadora Wilma de Faria para a Secretaria de Indústria
e Comércio. Resta-me continuar trabalhando para conseguir
a firmeza da titularidade.
Azougue
- O gol de placa como prefeito e também como deputado?
Gilvan
Carlos - Na
primeira opção, acredito que foi a conquista do
crédito. Não se vendia fiado à prefeitura
sob hipótese alguma e esse fator tornou-se realidade
graças a nossa honradez nos compromissos assumidos. Agora,
me permita acrescentar que eu fui o prefeito a criar o Programa
do Leite no Rio Grande do Norte, como também criei um
programa para o empréstimo de dinheiro ao homem do campo.
Essas duas condições feitas por mim levaram Frutuoso
Gomes ao índice zero de mortalidade infantil. A conta
da farmácia bancada pelo município teve uma queda
que oscilou entre 70 e 80%. Como deputado eu exemplifico um
projeto que é denominado de Lei Gilvan Carlos, que dá
direito ao trabalhador rural de contar com a Caern para canalizar
água de uma adutora até a sua propriedade, quando
a distancia geográfica for de até mil metros.
Eu também criei um projeto, que foi aprovado, para que
seja fundado um curso de medicina no Campus Avançado
de Natal sem que traga nenhum prejuízo para Mossoró.
Olha, Caby, só no ano passado eu apresentei 332 requerimentos,
13 projetos e realizei 9 audiências públicas.
Azougue
- Você concorda com as pesquisas? Garibaldi Alves é
a preferência popular nas eleições de outubro?
Gilvan
Carlos - Ele
pode até ter no momento esse favoritismo. Porém,
repito: até o momento. A governadora Wilma de Faria está
fazendo história em todas as áreas. Observe só
a mudança que houve na segurança pública.
A melhora é substancial. Se os assaltos a bancos ainda
não desapareceram, pelo menos caminham para isso. Agora,
veja esse item no governo de Garibaldi. As condições
de saúde melhoraram também no social, houve uma
boa evolução. Ela vem se notabilizando como governadora
das estradas. Faça você, Caby, o comparativo. Politicamente
eu acho que ela ainda não se movimentou como deveria.
Olha, são muitos os cargos públicos que estão
nas mãos de adversários e eles têm as suas
preferências. Observe bem, há pouco as pesquisas
a colocavam em terceiro lugar e hoje ela já subiu para
a segunda colocação. Até outubro, o quadro
com certeza será revertido.
Azougue
- O senador José Agripino é a terceira força
política do Estado potiguar?
Gilvan
Carlos - Eu
acredito que sim. Em que pese ocupar um bom espaço na
mídia nacional, ele é a terceira força
no Estado.
Azougue
- Quais os grandes líderes que o Rio Grande do Norte
já teve?
Gilvan
Carlos - Vamos
por etapas. Na região Oeste, indiscutivelmente Vingt
Rosado. No Seridó, Dinarte Mariz e a nível de
Estado, o maior deles foi Aluízio Alves.
Azougue
- Você fará dobradinha em algumas cidades com a
deputada federal Sandra Rosado?
Gilvan
Carlos -
Sandra Rosado é uma deputada de excelente atuação
e é merecedora do reconhecimento popular. Nós
estamos conversando e existem boas possibilidades, vez que o
interesse é mútuo. Agora tudo dependerá
de entendimentos posteriores.
Azougue
- Um ano e seis meses na Assembléia. Quais os parlamentares
que merecem o seu aplauso?
Gilvan
Carlos - No
geral, todos demonstram preocupação com o bem-estar
da população. Eu posso destacar o desempenho do
presidente da Assembléia, Robinson Faria. O deputado
José Dias é também muito atuante. Existem
algumas exceções que eu prefiro não citar.
Azougue
- E na Câmara de Mossoró, quem faz jus ao mandato?
Gilvan
Carlos - Honestamente,
eu vejo a Câmara muito bem servida. O nível é
muito bom. Mas a gente percebe com destaque a luta do sargento
Osnildo e também admiro a vereadora Gilvandra.
Azougue
- Gilvan Carlos, Larissa Rosado, Ruth Ciarlini, Francisco José,
Leonardo da Vinci, Renato Fernandes e Chico da Prefeitura. Hoje
todos são candidatos a deputado estadual? Quem chegará
lá?
Gilvan
Carlos - Deixe-me
fazer o registro por uma questão de justiça: Larissa
Rosado é uma deputada realmente atuante. Eu acho que
nós teremos muitas surpresas nas próximas eleições.
O político que tem a confiança do povo já
larga com uma certa vantagem sobre os demais. Quem estiver pensando
em comprar mandato, se montar em determinadas estruturas, poderá
não ser bem sucedido.
Azougue
- O seu filho Fagner faz uma boa administração
em Frutuoso Gomes? O nome Fagner é homenagem ao cantor?
Gilvan
Carlos -
Primeiro a segunda pergunta. Eu sempre admirei o cantor Fagner
e resolvi fazer-lhe essa homenagem. Ele é um jovem de
28 anos, muito responsável. Administra uma cidade sem
royalties que vive fundamentalmente do FPM. E essa seriedade
administrativa foi comprovada com a sua reeleição.
Azougue
- E os seus hobbies, quais são?
Gilvan
Carlos -
Futebol e muita leitura. Torço pelo Baraúnas e
sou diretor de patrimônio do clube. No Rio de Janeiro
sofro com o Flamengo. Um outro detalhe. Eu adoro uma caminhada.
Olha (risos), se eu estiver num hotel eu aproveito o seu corredor
e fico indo e voltando (risos), acho até que por isso
já fui tachado de doido.
Azougue
- Pra finalizar. O político não tem obrigação
de prometer, mas...
Gilvan
Carlos - O
político não tem obrigação de prometer,
mas se prometeu tem obrigação de cumprir.
caby@azougue.com |