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JOÃO SABINO
Eu tinha outras atribuições como cortar madeira, vender carvão. Comecei a freqüentar o curso primário e aprendi realmente a ler aos 14 anos de idade. Eu fazia a contabilidade dos colegas na própria banca da feira livre. Coisa difícil danada é administrar casamento (baita risada), essa receita eu ainda vou ter que aprender. São dois casamentos e um ajuntamento. Nesses números a minha conta nunca dá exata. Pretendo e se Deus quiser chegarei lá, contar até 2015, com o número de 10 hotéis.
Azougue – Aos 6 anos de idade, João Sabino já era agricultor?
João Sabino – Devidamente acompanhado da minha mãe, eu já capinava na cidade de São Rafael, mas me eram atribuídas outras tarefas como cortar madeira, vender carvão, lenha. Na verdade, eu morava a 18 quilômetros da cidade. Hoje mesmo na região não tem uma casa sequer. Foi uma infância sofrível, que resultou numa lição extraordinária, tanto é que quando, com 14 anos de idade, cheguei a Mossoró, a batalha pela sobrevivência seguiu sem nenhuma reclamação.
Azougue – Como se deu a mudança?
João Sabino – Aconteceu no ano 1958 e tive como primeira atividade vender água empurrando uma roladeira, tendo como fonte a conhecida barragem “de baixo”, que fica nas proximidades da empresa Conterra. Já na barragem de Genésio, também identificada como de Maria Rodrigues, e como a água era muito limpa, nós fazíamos o aproveitamento para o pote e naturalmente servia também como alimento. Essa batalha era feita no horário matinal e à tarde eu quebrava pedra para a construção civil, cuja área mais fértil era o Alto de São Manoel, proximidades do conjunto Inocoop.
Azougue – Não existia então tempo para estudar?
João Sabino – Olha, eu consegui esse tempo aos trancos e barrancos, vez que apanhava a água quase sempre que de madrugada, fazia a entrega e corria para a escola Padre Dehon. Comecei a freqüentar o curso primário e aprendi realmente a ler aos 14 anos de idade, sendo sempre o mais velho das turmas. Eu fui aprovado no famoso exame de admissão aos 17 anos de idade e tinha um sonho, que era o de ser contador. Registro que antes de tornar o sonho em realidade, passei cerca de 7 anos na condição de pedreiro, tendo participado das obras de construção do Colégio Professor Manoel João e também da sede do DNER, e já entre os anos 1964 e 1969 fui feirante no Mercado Público Central.
Azougue – O canudo de contador chegou quando?
João Sabino – Exatamente no período de feirante. Eu fazia a contabilidade dos colegas na própria banca da feira livre. A minha primeira referência no trato com o Imposto de Renda foi a Loja Ebenézer, cujo proprietário está aí vivinho da silva para contar a História, que é o senhor Francisco Pereira Sobrinho. Saí daquela localização, estive atuando em vários endereços e finalizei a carreira à rua Francisco Izódio e olha que à época em número de funcionários e também de clientes o nosso escritório era apontado como o maior do Rio Grande do Norte. Chegamos a ter 130 escritas ativas.
Azougue – Vieram mais formaturas. Correto?
João Sabino – Pois é, aprendendo a ler com 14 anos, eu tinha que ir à forra (risos). Concluí o curso de Economia em 1973, dois anos depois iniciei Administração e após a formatura resolvi encerrar esse ciclo conquistando também o canudo em Ciências Contábeis.
Azougue – De contabilista a empresário da área de hotelaria. Por que a mudança?
João Sabino – Eu queria exercer uma atividade onde existissem caminhos para a sua expansão. Pensei em madeireira, farmácia, padaria e outros mais. Eu participei muito de congressos e convenções no Brasil e também em alguns países da América Latina. Isso me abriu espaços para conhecer muitos hotéis e restaurantes. O ramo da hotelaria sempre me foi muito simpático e mergulhei com vontade nesse pensamento. Iniciei a construção do Sabino Palace em 1986 e o inaugurei em março de 1990. Exatamente neste terreno do hotel existia uma casa que consegui erguer quando tinha 17 anos de idade. Estreamos com 10 apartamentos e hoje já adicionamos mais 86.
Azougue – Aí vieram mais quantos e quais as suas localizações?
João Sabino – Vou pela ordem: Sabino Palace (Mossoró), em 97, o Serrano (Martins), 98, o Hotel Natal Praia (Natal), 2000, o Lajedo (Apodi), 2003, veio o Portal da Serra (Portalegre) e em dezembro de 2005 o Hotel Costa Branca, na cidade de Areia Branca.
Azougue – Foi João Sabino quem alavancou esse horizonte em Mossoró?
João Sabino – Eu não me sinto o precursor da hotelaria na mais que estimada Mossoró, apenas me vejo como aquele que primeiro acreditou e que colabora para o desenvolvimento turístico não só dessa cidade, mas também de toda a região. Faço uma observação por dever de justiça ao ex-governador Tarcísio Maia, que por volta de 1975 já preconizava a necessidade, a certeza de que o turismo tinha que ser visto como um dos expoentes máximos da economia norte-rio-grandense, o que naturalmente em muito me estimulou a buscar os avanços.
Azougue – Os governos têm incentivado o empresariado do universo hoteleiro?
João Sabino – Pelo menos no discurso já há marcas nesse sentido, principalmente nos aspectos municipais, quando são oferecidos terrenos com flexibilidade nos incentivos fiscais, como o ISS. O governo do Estado tem se posicionado de maneira tímida, preferindo ver com melhores olhos os aspectos de divulgação, de mídia e etc. e da infra-estrutura. Há melhoramentos em rodoviárias, aeroportos e por aí vai. A imagem hoje ainda não é a ideal, mas os caminhos atualmente buscados vão ter seus objetivos alcançados.
Azougue – Observo que “parar” não faz parte do seu dicionário. Algum projeto em mente?
João Sabino – É (risos), eu não gosto de ficar vendo o tempo passar, eu prefiro caminhar com ele. Nós temos um terreno na avenida Francisco Mota, proximidades da Ufersa, só que ainda não tem as dimensões ideais para um novo hotel. Pretendo ampliá-lo e aí sim concretizar mais um sonho. Acho que até 2010 vamos sacramentar mais uma iniciativa.
Azougue – E como é o João Sabino?
João Sabino – Vou para a objetividade. Quando jovem algumas vezes inventei de bater bola, percebendo que logo perderia os dedos dos pés (risos). Parei antes que a bola me parasse. Na verdade, nunca fui adepto de nenhum esporte. Vou te dar um exemplo, somente por volta dos 6 anos de idade foi que vi e ouvi pela primeira vez um rádio. Eu ficava imaginando, como é que pode esse homem está falando aí dentro desse aparelho (risos). Como foi que ele entrou? Televisão, eu vi pela vez primeira na Casa Rádio, do meu amigo Zé Cláudio. Em nenhum instante eu saí da minha casa ou escritório com o pensamento de tomar uma cerveja. Os meus grandes e eternos esportes sempre foram à leitura e o trabalho. Em sou um homem feliz, apesar (risos) de ter questões onde as dificuldades falam mais alto. Caby, que coisa difícil danada é administrar casamento (baita risada), essa receita eu ainda vou ter que aprender. São dois casamentos e um ajuntamento. Nesses números a minha conta nunca dá exata.
Azougue – Obrigado pelo papo.
João Sabino – Sou eu quem agradece e só para finalizar, lhe informo que pretendo, e se Deus quiser chegarei lá, contar até 2015 com o número de 10 hotéis sob a nossa administração.
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