Mossoró-RN, de 2005
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Joaquim Neto, Danusia Maria (esposa), Andrezza, Andréa e Vanessa (filhas)


Joaquim Neto - De bodegueiro de frutas a empresário. De matutão de Serrinha dos Pintos a presidente da CDL de Mossoró. De vendedor de livros expulso de pensão a grande amigo dos seus quase cem funcionários. De filho fã do pai, a direto assessor da esposa e filhas. A chave do sucesso que carrega é grandiosa: “Faço do obstáculo um desafio, jamais do desafio um obstáculo. Uma agradável conversa com este cidadão de 43 anos de idade, chamado Joaquim Neto.


Azougue - Matutão de Martins a empresário. Um caminho curto e fácil?

Neto - Em primeiro lugar, não era apenas um matuto de Martins e sim de Serrinha dos Pintos, na época um distrito de Martins. E em segundo lugar, para chegar à condição de empresário foi trilhada uma estrada longa e árdua.

Azougue - Então conheçamos essa estrada.

Neto - Pois não. Meus pais tiveram 12 filhos e prematuramente dois faleceram, sendo que uma irmã com apenas 11 anos morreu afogada num açude e na época eu tinha 6 anos. Por aí você já imagina que barra que foi a nossa infância. Sobraram 3 homens e 6 mulheres. Em 1974, as duas mais velhas vieram para Mossoró e eu só aportei nesta terra em 1978, com 16 anos de idade. Só que antes disso, aos 13 anos, eu pedi ao meu pai que era bodegueiro que me desse condição de também ganhar o meu próprio dinheiro e o caminho foi aberto. Eu levava nuns caixões determinada quantidade de bananas, mamões, mangas e pegava um expresso para a cidade de Pau dos Ferros. Lá eu vendia tudo e percebi que tinha um caminho aberto na volta. O que eu fazia: levava as frutas e passei a trazer para a minha terra tomates, cenouras, batatinhas e por aí me tornei um bodegueiro cigano que hoje receberia o nome de itinerante. Esse período de “bodegueiro cigano” demorou cerca de 2 anos e meio e aí veio a seca e tive que colocar um ponto final na primeira profissão.

Azougue - Aí veio a frase: Mossoró à vista?

Neto - (risos). Essa colocação é interessante. Chegou a vez de “Mossoró à vista “ e eu atraquei o meu navio neste porto com 16 anos. Meu primeiro emprego foi na Casa Medeiros, do seu Medeiros, que ainda existe na rua Coronel Gurgel. Eu batalhava mais ou menos 10 horas por dia. Eu abria a loja, tirava a mercadoria dos caminhões, empacotava, ajudava a vender, ia para banco, enfim eu era o faz-tudo, mas não era exatamente aquilo que eu queria. Amigo, só deu para agüentar 4 meses, até porque por ser de menor eu só podia receber a metade do salário mínimo, o que seria a preço de hoje R$ 130,00.

Azougue - Qual o próximo passo?

Neto - Vendedor de livros. Encarei trabalhar na empresa Norte Livros e fui à luta. Agora sinta a minha estréia e recordo-me que a primeira visita foi na praça da Redenção. Bati palmas e o cidadão já foi falando: Amigo, se você é vendedor de livros pode dar meia volta que eu não tenho tempo a perder. Cabisbaixo, voltei para a empresa. No outro dia fui ao Banco do Brasil, apresentei uma enciclopédia da Editora Abril que tratava de agricultura para o chefe da carteira agrícola. O homem se interessou para ver mais e eu disse: Eu vou buscar mais fascículos no meu carro (Caby, eu não tinha nem uma bicicleta, imagine carro), corri para a empresa, peguei o material e o cidadão ficou maravilhado com o que viu. Ele me passou um cheque e fiquei igual a um semáforo. Ele assinando o cheque e eu igual a um semáforo, radiante de felicidade. Fiquei da cor verde, amarela, vermelha e aí dos 16 aos 18 anos fui vendedor de livros rodando o Estado todo. Mas, nem tudo foi um mar de rosas. Eu cheguei a ser expulso por falta de pagamento de uma pensão em Natal. Na verdade, foi um período que me ensinou muito e eu com certeza se tivesse que começar tudo de novo, percorreria o mesmo caminho.

Azougue - No retorno fixou-se definitivamente em Mossoró?

Neto - Isso mesmo. Arranjei um emprego no Armazém Rio Branco, onde passei 3 anos como vendedor e 3 como gerente de vendas, só que neste ínterim eu coloquei uma lojinha para mim, período em que me casei e o seu Tarcílio Viana me pediu para que optasse. Ou eu ficava trabalhando para ele, ou tomaria de conta com a minha esposa da pequena empresa que havia criado. Preferi a segunda opção. Em meio a tudo isso depois de muita insistência do meu sogro, passei a somar com ele numa loja de vendas de retentores, rolamentos, isso sem me desligar dos tecidos. Aí nós tínhamos dois canais de sobrevivência e a coisa foi fluindo.

Azougue - E a Neto Autopeças como surgiu?

Neto - O período em que estive com o meu sogro, que foi um outro pai, senhor Francisco Bezerra de Freitas, me abriu muitas portas nesse ramo e o tempo foi ficando exíguo para as confecções. No dia 2 de maio de 1990 nasceu então a Neto Autopeças.

Azougue - A ascensão da Neto Autopeças se deu num tempo muito rápido?

Neto - Eu lhe digo que sempre fui muito iluminado por Deus, e também buscava a todo instante fazer bem a minha parte. Olha Caby, eu nunca reclamei por estar trabalhando muito. Trabalhar muito me faz um bem tremendo. Eu lhe confesso que esperava colher esses frutos, mas num tempo mais prolongado. Talvez o fato de ter sido um cara ousado, e acho que pra se atingir objetivos a ousadia é fundamental, o patamar em que nossa empresa chegou tem desafiado o próprio tempo. São 15 anos sempre de avanços, sem perder em nenhum segundo a humildade. Contamos hoje com quase 100 funcionários em nossos quadros, e com fortes perspectivas de uma ampliação neste universo que abraçamos.

Azougue - A Neto Autopeças te fez chegar a uma posição social de destaque?

Neto - Você pode até tentar enganar o próximo, agora tentar se enganar é muita fraqueza. Eu fui presidente do Rotary Clube Mossoró Oeste com 39 anos de idade e presido a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) aos 43. Seria utópico dizer que a nossa empresa não foi o grande trampolim para que os convites me fossem dirigidos.


Azougue - Você é o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). O seu trabalho é bem aceito?

Neto - Eu vou ser curto, porém não grosso. Nós temos avançado muito e todas as tarefas que colocamos em ação tiveram seus objetivos atingidos. Eu prefiro que essa pergunta você dirija aos que fazem a diretoria e sócios da entidade. Olha lá, hein, eu estou sendo curto, mas não estou sendo grosso (risos).

Azougue - Você é um empresário de destaque nesta nova safra. Pode citar-me outros nomes que estejam no mesmo circuito?

Neto - Vou citá-los, porém se houver o esquecimento de algum de pronto já estou pedindo desculpas. Pelo que vejo o azougue.com tem a cara do dono. Não deixa barato (risos). Vamos lá: Glênio Diniz, Tião Couto e Marquinhos da Prest, Júnior Rebouças, Walter Silveira, o grupo Queiroz, o Wilson da W.R, e outros, mas como não pude fugir das citações, aí a minha resposta.

Azougue - Tem algum empresário nesta terra que você não aplaude sob hipótese alguma?

Neto - Você não muda mesmo, Caby, sempre vestindo a camisa da autenticidade, porém eu me permito dizer que tem sim. Tem aquele que de maneira nenhuma desfruta da minha admiração, só que o seu nome não será ventilado e não adianta insistir.

Azougue - Joaquim Neto é um vencedor?

Neto – Olha, até o momento todos os obstáculos, adversidades que tive pela frente, de uma maneira muito digna eu consegui transpor e se isso pode ser caracterizado como vitórias, sem nenhuma vaidade e sim com muita humildade, posso me considerar um vencedor, consciente de que outras adversidades virão, outros desafios serão encontrados, no que peço a Deus sempre para me dar forças para encarar de maneira honesta e firme todos eles.

Azougue - Estamos gratos pela entrevista.

Neto - Eu só lamento uma coisa nesta entrevista testemunhada pelo grande profissional Osman Moreira. Olha, estar nesta delícia de restaurante chamado Travessia, neste papo mais que saudável, você no seu campari, Osman na cerveja supergelada e por conta de alguns medicamentos que estou tomando, ficar apenas olhando essa dupla beber, é realmente deveras lamentável. Na verdade, a compensação aconteceu com o saudável papo. E pra finalizar, posso lhe adiantar que estou ansioso para ver o seu novo livro de nome DO BUMBA. Estarei aqui no dia do lançamento com prazer.

 

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