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JORGE
RICARDO ROSÁRIO
Nos
caminhos trilhados pelo pai, mestre Antonio, o exemplo de enfrentar
e combater as vicissitudes naturais que o mundo escancara. No
perfil do pai e ídolo, o exemplo da pisada segura nos
degraus da ascensão com o eterno uso dos sapatos da humildade.
O engenheiro civil Jorge Ricardo Rosário, um são-manoelense
da cabeça as pés, é motivo de orgulho no
universo da construção civil em Mossoró
e na entrevista com ele o azougue.com passou
a ter as suas estruturas mais alicerçadas.
Azougue - O Alto de São Manoel está eternizado
na sua vida?
Jorge
Rosário - Nasci
neste bairro e é onde estão minhas raízes.
Em tudo que eu fizer, este bairro estará presente através
das recordações ou dos momentos atuais, haja vista
que nele residimos e é onde encontramos a maioria dos
meus amigos e familiares. Eu sou filho de um pedreiro, senhor
Antonio Ferreira do Rosário (mestre Antonio do Rosário)
e da dona-de-casa senhora Maria Emília do Rosário,
que foi trabalhar como merendeira numa escola pública
para ajudar no sustento de 9 filhos. Lá em casa existiu
a famosa escadinha, um filho por ano, com todos tendo nascido
no Alto de São Manoel. Minha mãe reside até
hoje na casa em que nasci. Os nossos pais sempre diziam que
só nos tornaríamos “gente”, se estudássemos,
foi o maior conselho que eles poderiam me dar. O meu pai, dentro
da sua limitação escolar, mas com competência
e honestidade, da condição de servente, passou
por pedreiro e chegou a mestre-de-obras, posição
máxima que poderia chegar e, honestamente, foi um homem
muito respeitado no meio da construção civil,
tendo sido um dos responsáveis pela construção
de várias obras em Mossoró como, por exemplo,
o prédio atual da Radio Difusora, a residência
de Laíre e Sandra Rosado, Porcino Costa e etc. Olha,
eu tive a felicidade de receber uma comenda da Federação
do Comércio do RN e lá estavam Laíre e
Sandra. Mesmo depois de tanto tempo do meu pai ter construído
a atual casa deles, fizeram excelentes referências a ele.
Eu fiquei mais emocionado com os elogios feitos ao meu pai do
que com a comenda. Um dos maiores amores do Mestre Antonio era
o Alto de São Manoel, herança que reside em todos
nós e que com certeza perdurará para sempre.
Azougue
- O amor pelo Alto de São Manoel nasceu junto com o da
construção civil?
Jorge
Rosário - Sim,
e a construção civil poderia até ter terminado
no nascedouro já que em função da necessidade
de sobrevivência, eu e alguns irmãos cursamos o
ginásio em Macau. Veja, nós tínhamos dois
tios com uma situação financeira bastante equilibrada.
Eles eram proprietários de várias lojas comerciais
naquela cidade. Nós íamos ajudá-los no
comércio e em troca disso recebíamos o suficiente
para bancarmos os nossos estudos. Aliviando ainda as despesas
na casa dos nossos pais. Eu bem que poderia ter caminhado para
o lado comercial, mas as imagens da labuta do meu pai estavam
sempre presentes, e voltando a Mossoró passei a vivenciar
mais esse lado. Por exemplo: Eu ia com ele para as obras, os
números eram desenvolvidos por mim. O mestre Antonio
só tinha como bagagem cultural o terceiro ano primário.
Rapidamente fui promovido a apontador. Veja só: um certo
dia, na Vila Porcino, na rua João da Escóssia,
eu já trabalhando no escritório da obra e o engenheiro
Geraldo Costa, irmão de Porcino, me observava o tempo
todo e me colocou: qual o vestibular que você pretende
fazer? Eu quero ser engenheiro, mas a situação
financeira pode atrapalhar, e ele retrucou: quando se quer,
se consegue. Você já tem o mais importante que
é o sonho e para que a sua realização aconteça,
quase tudo depende de você. Essa injeção
de ânimo foi fundamental.
Azougue
- Natal à vista, morando na Casa do Estudante?
Jorge
Rosário - Sim,
e a Casa do Estudante foi uma das maiores lições
de vida que eu tive. Em primeiro lugar, conseguir uma vaga era
tarefa difícil e ao chegar eu peguei o pior local da
estrutura. Eu fiquei na parte debaixo, o famoso porão,
mas a minha vontade era tamanha que tudo era bom. O amadurecimento
veio muito rapidamente, até porque os meus problemas
tornavam-se pequenos no comparativo com os dos meus colegas.
O sonho maior era aprovação no vestibular, o que
aconteceu e aí eu fui morar na Residência Universitária.
Com 4 anos e meio eu consegui então me formar. Fui contratado
por uma empresa pernambucana de nome Técnica Engenharia,
onde fazia assessoria na área de estrutura de concreto
armado. Constantemente eu viajava para Belém, Maceió,
Manaus e outros estados onde adquiri uma boa experiência.
Azougue - A vontade de voltar a Mossoró, já
formado, continuava?
Jorge
Rosário -
Só continuava e num desses lances positivos que o destino
nos propicia eu me encontrei com o senhor Severino Batista de
Lima, já falecido, pai de Zé Lima, Israel Lima,
que me pediu para fazer um orçamento para a construção
de uma escola em São Rafael. O Severino era muito capacitado
no aspecto de pavimentação, calçamento.
Entreguei-lhe o orçamento e o acompanhei para o contato
com o prefeito. Surgiu então o convite: Vamos fazer este
colégio na condição de sócios? Vi
na proposta uma nova era. Desliguei-me da empresa que até
então mantinha laços e topei a parada. Outras
obras surgiram não só em São Rafael, como
também em Mossoró.
Azougue
- A partir daí nasceu a Repav?
Jorge
Rosário - Não.
Severino tinha a firma Secalterra, mas sugeri que uma nova empresa
fosse criada. Criamos então a Jóris Construções
Ltda, que rapidamente entrou numa linha de crescimento, porém
o destino deu um freio nos nossos projetos. Foi detectado um
câncer no Severino que se submeteu a um sério e
angustiante tratamento, mas tendo sido vencido pela doença
morreu cerca de um ano depois. Nós tocamos a Jóris,
eu e Israel Lima, porém, em 1989 eu convidei o meu irmão
Neto, que por sua vez trabalhava com o engenheiro Zélito
Lima, para ser meu sócio e aí sim nasceu a Repav.
Azougue
- Nessa época, quais as construtoras mais conceituadas
de Mossoró?
Jorge
Rosário - Eram
a Fimac, Ecan, Weber Engenharia, Canteiros, a Tomé Edificações,
R. Coelho e poucas outras que não me recordo no momento.
O detalhe aí é que o meu pai trabalhou para quase
todas elas.
Azougue
- A sua imagem de certa forma já está sacramentada.
Os primeiros passos da Repav foram fáceis?
Jorge
Rosário - Ledo
engano, apesar de termos uma imagem positiva, tivemos que lutar
para mantê-la. No início pegamos um período
de inflação louca e, honestamente falando, eu
nunca soube trabalhar com números malucos. O meu êxito
tendo como companhia a inflação é zero.
Foi um começo recheado de muita dificuldade e só
foi superado em face da nossa persistência. Eu me lembro
que a primeira obra da Repav foi para a prefeitura de Mossoró,
uma pavimentação no bairro Santo Antônio.
E a primeira grande obra?
Jorge
Rosário - Eu
considero o posto fiscal de Caraú, que fica na divisa
do Rio Grande do Norte com a Paraíba. Quem vai para João
Pessoa passa por ele. É um posto fiscal da Secretaria
de Tributação do RN.
Azougue
- Qual a maior obra?
Jorge
Rosário - Sem
sombra de dúvidas, o nosso mais gratificante cartão
de apresentação é o ginásio Poliesportivo
Pedro Ciarlini que, diga-se de passagem, é um batismo
mais do que justo ao falecido colega e que muito me ajudou.
Pedro, sempre frisava: “Eu não sou contaminado
pela política, eu apenas quero qualidade”. Eu até
digo que o que ele tinha de grande demais, o coração,
infelizmente terminou por levá-lo a óbito. O pai
dele, Clóvis Ciarlini, é um marco na construção
civil no RN, e o meu pai chegou a trabalhar como pedreiro na
sua empresa.
Azougue
- O ginásio, tudo bem, já foi. E a próxima
grande empreitada?
Jorge
Rosário - Eu
posso dizer que também já é uma realidade
e um mais que espetacular projeto do arquiteto mossoroense Franzé
Rodrigues. Eu diria que é uma obra difícil, porque
tem forma em curvas, um empreendimento de alto custo e com recursos
próprios, um sistema de auto-financiamento contando com
os nossos parceiros clientes que adquiriram as unidades. O Centro
Empresarial Caiçara, digo, sem nenhuma arrogância,
que é uma obra diferente de tudo aquilo que já
foi construído em Mossoró.
Azougue
- Dê detalhes do Centro Empresarial Caiçara
Jorge
Rosário - É
uma obra de 12 andares, 15 lojas, 62 salas, uma praça
de alimentação, estacionamento independente e
rotativo em prédio em anexo para 120 vagas, a sua fachada
externa é toda em vidro azul e cinza e tem o custo estimado
em 5 milhões de reais. É exatamente o que Mossoró
merece e quase todas as salas já foram vendidas.
Azougue
- O nosso agradecimento pela atenção e o espaço
aberto para mais alguma colocação
Jorge
Rosário - Vou
finalizar buscando o começo da entrevista. Numa prova
real do carinho, respeito, amor que temos pelo Alto de São
Manoel é que estamos lançando no final deste mês
o condomínio residencial Antonio Ferreira do Rosário,
com 56 apartamentos de 65 m², sendo 2 blocos sob pilotis
com 7 pavimentos, 4 apartamentos por andar, 1 elevador por bloco,
salão de festa, piscina semi-olímpica (20 metros),
minicampo, edificado em área de aproximadamente 3.000
m², localizado na rua Ernestina Dantas Bezerra com a rua
Francisco Holanda, no bairro Alto de São Manoel, vizinho
ao conjunto Inocoop. Aproveito para agradecer a oportunidade
que você me deu para apresentar um pouco da nossa empresa,
como também aos nossos clientes pela confiança
depositada no nosso trabalho.
caby@azougue.com |