Mossoró-RN, de 2005
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JORGE RICARDO ROSÁRIO

Nos caminhos trilhados pelo pai, mestre Antonio, o exemplo de enfrentar e combater as vicissitudes naturais que o mundo escancara. No perfil do pai e ídolo, o exemplo da pisada segura nos degraus da ascensão com o eterno uso dos sapatos da humildade. O engenheiro civil Jorge Ricardo Rosário, um são-manoelense da cabeça as pés, é motivo de orgulho no universo da construção civil em Mossoró e na entrevista com ele o azougue.com passou a ter as suas estruturas mais alicerçadas.


Azougue - O Alto de São Manoel está eternizado na sua vida?

Jorge Rosário - Nasci neste bairro e é onde estão minhas raízes. Em tudo que eu fizer, este bairro estará presente através das recordações ou dos momentos atuais, haja vista que nele residimos e é onde encontramos a maioria dos meus amigos e familiares. Eu sou filho de um pedreiro, senhor Antonio Ferreira do Rosário (mestre Antonio do Rosário) e da dona-de-casa senhora Maria Emília do Rosário, que foi trabalhar como merendeira numa escola pública para ajudar no sustento de 9 filhos. Lá em casa existiu a famosa escadinha, um filho por ano, com todos tendo nascido no Alto de São Manoel. Minha mãe reside até hoje na casa em que nasci. Os nossos pais sempre diziam que só nos tornaríamos “gente”, se estudássemos, foi o maior conselho que eles poderiam me dar. O meu pai, dentro da sua limitação escolar, mas com competência e honestidade, da condição de servente, passou por pedreiro e chegou a mestre-de-obras, posição máxima que poderia chegar e, honestamente, foi um homem muito respeitado no meio da construção civil, tendo sido um dos responsáveis pela construção de várias obras em Mossoró como, por exemplo, o prédio atual da Radio Difusora, a residência de Laíre e Sandra Rosado, Porcino Costa e etc. Olha, eu tive a felicidade de receber uma comenda da Federação do Comércio do RN e lá estavam Laíre e Sandra. Mesmo depois de tanto tempo do meu pai ter construído a atual casa deles, fizeram excelentes referências a ele. Eu fiquei mais emocionado com os elogios feitos ao meu pai do que com a comenda. Um dos maiores amores do Mestre Antonio era o Alto de São Manoel, herança que reside em todos nós e que com certeza perdurará para sempre.

Azougue - O amor pelo Alto de São Manoel nasceu junto com o da construção civil?

Jorge Rosário - Sim, e a construção civil poderia até ter terminado no nascedouro já que em função da necessidade de sobrevivência, eu e alguns irmãos cursamos o ginásio em Macau. Veja, nós tínhamos dois tios com uma situação financeira bastante equilibrada. Eles eram proprietários de várias lojas comerciais naquela cidade. Nós íamos ajudá-los no comércio e em troca disso recebíamos o suficiente para bancarmos os nossos estudos. Aliviando ainda as despesas na casa dos nossos pais. Eu bem que poderia ter caminhado para o lado comercial, mas as imagens da labuta do meu pai estavam sempre presentes, e voltando a Mossoró passei a vivenciar mais esse lado. Por exemplo: Eu ia com ele para as obras, os números eram desenvolvidos por mim. O mestre Antonio só tinha como bagagem cultural o terceiro ano primário. Rapidamente fui promovido a apontador. Veja só: um certo dia, na Vila Porcino, na rua João da Escóssia, eu já trabalhando no escritório da obra e o engenheiro Geraldo Costa, irmão de Porcino, me observava o tempo todo e me colocou: qual o vestibular que você pretende fazer? Eu quero ser engenheiro, mas a situação financeira pode atrapalhar, e ele retrucou: quando se quer, se consegue. Você já tem o mais importante que é o sonho e para que a sua realização aconteça, quase tudo depende de você. Essa injeção de ânimo foi fundamental.

Azougue - Natal à vista, morando na Casa do Estudante?

Jorge Rosário - Sim, e a Casa do Estudante foi uma das maiores lições de vida que eu tive. Em primeiro lugar, conseguir uma vaga era tarefa difícil e ao chegar eu peguei o pior local da estrutura. Eu fiquei na parte debaixo, o famoso porão, mas a minha vontade era tamanha que tudo era bom. O amadurecimento veio muito rapidamente, até porque os meus problemas tornavam-se pequenos no comparativo com os dos meus colegas. O sonho maior era aprovação no vestibular, o que aconteceu e aí eu fui morar na Residência Universitária. Com 4 anos e meio eu consegui então me formar. Fui contratado por uma empresa pernambucana de nome Técnica Engenharia, onde fazia assessoria na área de estrutura de concreto armado. Constantemente eu viajava para Belém, Maceió, Manaus e outros estados onde adquiri uma boa experiência.

Azougue - A vontade de voltar a Mossoró, já formado, continuava?

Jorge Rosário - Só continuava e num desses lances positivos que o destino nos propicia eu me encontrei com o senhor Severino Batista de Lima, já falecido, pai de Zé Lima, Israel Lima, que me pediu para fazer um orçamento para a construção de uma escola em São Rafael. O Severino era muito capacitado no aspecto de pavimentação, calçamento. Entreguei-lhe o orçamento e o acompanhei para o contato com o prefeito. Surgiu então o convite: Vamos fazer este colégio na condição de sócios? Vi na proposta uma nova era. Desliguei-me da empresa que até então mantinha laços e topei a parada. Outras obras surgiram não só em São Rafael, como também em Mossoró.

Azougue - A partir daí nasceu a Repav?

Jorge Rosário - Não. Severino tinha a firma Secalterra, mas sugeri que uma nova empresa fosse criada. Criamos então a Jóris Construções Ltda, que rapidamente entrou numa linha de crescimento, porém o destino deu um freio nos nossos projetos. Foi detectado um câncer no Severino que se submeteu a um sério e angustiante tratamento, mas tendo sido vencido pela doença morreu cerca de um ano depois. Nós tocamos a Jóris, eu e Israel Lima, porém, em 1989 eu convidei o meu irmão Neto, que por sua vez trabalhava com o engenheiro Zélito Lima, para ser meu sócio e aí sim nasceu a Repav.

Azougue - Nessa época, quais as construtoras mais conceituadas de Mossoró?

Jorge Rosário - Eram a Fimac, Ecan, Weber Engenharia, Canteiros, a Tomé Edificações, R. Coelho e poucas outras que não me recordo no momento. O detalhe aí é que o meu pai trabalhou para quase todas elas.

Azougue - A sua imagem de certa forma já está sacramentada. Os primeiros passos da Repav foram fáceis?

Jorge Rosário - Ledo engano, apesar de termos uma imagem positiva, tivemos que lutar para mantê-la. No início pegamos um período de inflação louca e, honestamente falando, eu nunca soube trabalhar com números malucos. O meu êxito tendo como companhia a inflação é zero. Foi um começo recheado de muita dificuldade e só foi superado em face da nossa persistência. Eu me lembro que a primeira obra da Repav foi para a prefeitura de Mossoró, uma pavimentação no bairro Santo Antônio.

E a primeira grande obra?

Jorge Rosário - Eu considero o posto fiscal de Caraú, que fica na divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba. Quem vai para João Pessoa passa por ele. É um posto fiscal da Secretaria de Tributação do RN.

Azougue - Qual a maior obra?

Jorge Rosário - Sem sombra de dúvidas, o nosso mais gratificante cartão de apresentação é o ginásio Poliesportivo Pedro Ciarlini que, diga-se de passagem, é um batismo mais do que justo ao falecido colega e que muito me ajudou. Pedro, sempre frisava: “Eu não sou contaminado pela política, eu apenas quero qualidade”. Eu até digo que o que ele tinha de grande demais, o coração, infelizmente terminou por levá-lo a óbito. O pai dele, Clóvis Ciarlini, é um marco na construção civil no RN, e o meu pai chegou a trabalhar como pedreiro na sua empresa.

Azougue - O ginásio, tudo bem, já foi. E a próxima grande empreitada?

Jorge Rosário - Eu posso dizer que também já é uma realidade e um mais que espetacular projeto do arquiteto mossoroense Franzé Rodrigues. Eu diria que é uma obra difícil, porque tem forma em curvas, um empreendimento de alto custo e com recursos próprios, um sistema de auto-financiamento contando com os nossos parceiros clientes que adquiriram as unidades. O Centro Empresarial Caiçara, digo, sem nenhuma arrogância, que é uma obra diferente de tudo aquilo que já foi construído em Mossoró.

Azougue - Dê detalhes do Centro Empresarial Caiçara

Jorge Rosário - É uma obra de 12 andares, 15 lojas, 62 salas, uma praça de alimentação, estacionamento independente e rotativo em prédio em anexo para 120 vagas, a sua fachada externa é toda em vidro azul e cinza e tem o custo estimado em 5 milhões de reais. É exatamente o que Mossoró merece e quase todas as salas já foram vendidas.

Azougue - O nosso agradecimento pela atenção e o espaço aberto para mais alguma colocação

Jorge Rosário - Vou finalizar buscando o começo da entrevista. Numa prova real do carinho, respeito, amor que temos pelo Alto de São Manoel é que estamos lançando no final deste mês o condomínio residencial Antonio Ferreira do Rosário, com 56 apartamentos de 65 m², sendo 2 blocos sob pilotis com 7 pavimentos, 4 apartamentos por andar, 1 elevador por bloco, salão de festa, piscina semi-olímpica (20 metros), minicampo, edificado em área de aproximadamente 3.000 m², localizado na rua Ernestina Dantas Bezerra com a rua Francisco Holanda, no bairro Alto de São Manoel, vizinho ao conjunto Inocoop. Aproveito para agradecer a oportunidade que você me deu para apresentar um pouco da nossa empresa, como também aos nossos clientes pela confiança depositada no nosso trabalho.

 

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