Mossoró-RN, de 2008
MENU
:: CABY
:: EMERY COSTA
:: ROBERTO MACHADO
:: SÉRGIO OLIVEIRA
:: ENTREVISTAS
:: GRAMÁTICA
:: ARTIGOS
:: MEDICINA
:: MULHER
:: MOSSOROENSES-OUT
:: CELEBRIDADES
:: CURIOSIDADES
:: O MANCHA
:: PRESEPADAS
:: PAISAGENS
:: PIADAS
:: LIÇÕES
:: MOSSORÓ MEU XODÓ
:: DO BUMBA
:: DA ÉPOCA
:: DO LEITOR
:: ANTIGAMENTE
:: OLHOVIVO
:: BONITAS & BELAS
:: O DESABONITADO
:: IDENTIDADE
:: NOTÍCIAS
:: ESPORTE
:: CAMARADINHA

 

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site

 

JOSÉ DIAS CUNHA

Aos 15 anos de idade, vim para Mossoró, em cima de um caminhão carregado de algodão, vestindo uma roupa brim surrada, calçando alpargatas de rabicho e a mala era um saco com um cadeado. Solteiro, mas cheio de namoradas. Elas são bem briguentinhas (risos). Aliás, eu e João Monte nos pelamos de medo das nossas esposas. Pedi para que Armando fechasse os olhos e com uma tesoura cortei 50% dos cílios, ele deu um berro, mas a galinha já tava morta. Ele até hoje não me perdoa (risos).

Azougue – A luta pela sobrevivência chegou cedo na sua vida?

José Dias Cunha – Sim e sem reclamações. Eu nasci no distrito de Gavião, pertencente à cidade de Martins, apesar da grande maioria das pessoas identificarem Umarizal como a minha cidade-natal. O meu irmão Manoel Dias da Cunha gerenciava o antigo bar Suez e me convidou para ajudá-lo. Aos 15 anos de idade, vim para Mossoró, em cima de um caminhão carregado de algodão, vestindo uma roupa brim surrada, calçando alpargatas de rabicho e a mala era um saco com um cadeado. Desci na praça Rodolfo Fernandes e por lá passei oito anos. Eu limpava o chão, servia como garçom. Os proprietários do bar Suez eram os senhores Humberto Mendes e João Costa. Eu trabalhava pela manhã e à tarde, estudava à noite na Escola Técnica União Caixeiral e depois das 22h retornava para o emprego, morando num quartinho dentro do próprio bar.

Azougue – Essa fase perdurou por quanto tempo?

José Dias Cunha – Por oito anos. E como eu já tinha um apresentável bom grau de escolaridade, com a conclusão do curso de Contabilidade as propostas começaram a surgir, como o de gerenciar a loja Setra, do grupo Guararapes, hoje Riachuelo, logo em seguida um chamado de Analino Salgado me fez caminhar para condição de vendedor de jóias, relógios e segmentos da linha. No ano 1953, passei a ser o famoso caixeiro-viajante, tendo como rota sete estados, tipo Ceará, Bahia, RN e por aí vai. As viagens eram de trem, ônibus, pequenos barcos e navios pelo rio São Francisco e às vezes em aviões bimotores. Andei, rodei e cansei. Foram quatro anos na condição de caixeiro-viajante.

Azougue – Ainda solteiro na época?

José Dias Cunha – Solteiro, mas cheio de namoradas. (Um grito da sua esposa, senhora Sherly, interrompeu a entrevista, com espaços para risadas): “Mentira, Caby, é mentira desse velho”.

Azougue – E a convivência com dona Sherly, começou quando?

José dias Cunha – Em novembro de 1954. (Novamente entra em ação a sua eterna companheira): “Nada disso, foi em abril”. Quando eu viajava, já namorava a dona encrenca. Você sabe como é, bonitão como sempre fui (risadas), solto na buraqueira, sempre, sempre aparecia um “caqueado”, e a patroa chegou a pegar cartas de jovens apaixonadas, e como tem aquela velha estória, a carne é fraca e... e.... é melhor mudarmos de assunto.

Azougue – Mudando o panorama. Dona Sherly, esses “caqueados”, existiram mesmo?

Sherly Dias – Ele viajava muito, e vez por outra eu encontrava bilhetinhos em seus bolsos, cartinhas, aí meu filho o pau quebrava (risos).

Azougue – Como nasceu a Ótica Vênus?

José Dias Cunha – Eu tinha o pensamento de ter o meu porto seguro e por conta disso não estourava o que ganhava. Fiz economias e no dia 18 de março de 1957, exatamente na rua Coronel Gurgel, 314, inaugurei a Ótica Vênus. Caby, frise aí que foi a pioneira de Mossoró, tendo em seus quadros apenas uma funcionária chamada de Lurdinha, filha de Vicente Lopes. Depois outras grandes figuras como Zoraide Azevedo, Nilsa Fernandes e Laurinete Bezerra que, inclusive, foi miss Rio Grande do Norte. Recordo-me que o primeiro cliente da ótica foi o hoje finado Ildo Rocha. A mudança de endereço comercial para os cruzamentos das ruas Dr. Antonio de Sousa/Idalino de Oliveira se verificou no dia 18 de novembro de 1964, onde me encontro até hoje.

Azougue – Para a época, quais os homens que eram considerados ricos?

José Dias Cunha – Sinceramente que eu só via um homem realmente possuidor de uma boa fortuna, que era o senhor Manoel Fernandes de Negreiros. Ele tinha praticamente 50% dos prédios localizados no centro de Mossoró. Agora, o maior “comerciante” que eu já conheci foi Camilo Paula. Esse fazia negócios mirabolantes, com todas as partes ficando satisfeitas.

Azougue – Fale sobre a famosa entrada para o rol dos homens sérios?

José Dias Cunha – Eu tenho que dizer que foi o passo mais certo que dei em minha vida, afinal você inventa de fazer esta entrevista na frente da dona Sherly (risada). Brincadeira, não vá colocar isso aí, não. Foi e é uma beleza absoluta. Assumimos essa bonita parceria no dia 15 de novembro de 1958. Recentemente completamos 50 anos de bem casados e há um fato curioso e interessante: A nossa lua-de-mel foi em Tibau e as bodas de ouro também tiveram como testemunha a brisa do aprazível mar, distante de Mossoró 38 quilômetros. Olha que tentei repetir a façanha de meio século atrás, mas... mas... ficou só no tal do, mas, mas, e com mais um detalhe, eu sonhei me casando de novo, dei um pulo da cama e por pouco não quebrei o pescoço.( Aí tome mais gargalhada do casal).

Azougue – Os herdeiros também seguiram os seus passos?

José Dias Cunha – Leilane e Dias Filho de maneira absoluta e Aécio, indiretamente, sim, já que se formou em oftalmologia, atuando no Hospital Monte Klinikum, de Fortaleza, cujos dirigentes são familiares nossos, o que é uma honra. Aliás, Caby, eu sei que você tem uma boa amizade com João Monte/Aldiva e Hipólito. Você não acha que Sherly, parece muito com Aldiva, pelo menos no temperamento? Elas são bem briguentinhas (risos). Aliás, eu e João Monte nos pelamos de medo das nossas esposas. Voltando aos filhos, Dias Filho, já aos 12 anos de idade, me acompanhava fazendo serviços de banco e etc. Ele sempre teve um tirocínio comercial muito grande. Já Leilane, assistente social, chegou a trabalhar no hospital, na época Tancredo Neves, tendo posteriormente inaugurado a sua própria ótica. No contexto geral, são oito óticas na nossa boa terra Mossoró.

Azougue – O senhor José Dias é chegado a uma “presepada”. Pode me contar algumas peripécias?

José Dias Cunha – E nessa pergunta com certeza tem os dedos de Dias Filho e Aécio. Olha, Sherly passava o dia trabalhando na condição de funcionária do Estado do RN, lotada na Secretaria de Educação, e os meninos ficavam com as famosas secretárias. Mesmo com muita insistência minha, ela jamais falou em deixar o emprego. Fiz o seguinte. Enviei um telegrama em nome dela pedindo demissão do cargo. Quando cheguei a nossa casa, falei. Você vai ficar em casa. Eu acabei de lhe demitir. Mostrei o telegrama e com muita luta veio a resignação. Detalhe: anos e anos depois buscamos em Natal a papelada para tratarmos da sua aposentadoria. A funcionária da secretaria colocou: “A senhora vai assumir que posto?” Sherly ficou por cerca de 30 anos como funcionária, e o seu procurador, cujo nome prefiro não citar, papava o seu salário. Não fomos atrás da situação, até porque não valia a pena. Teve outra com o Armando Negreiros, filho de Rafael e Elizabeth, quando ele tinha mais ou menos oito anos de idade. Após ser consultado, se a memória não me falha, pelo oftalmologista Fernando Couto, veio até a nossa ótica. O garoto tinha um volmer baixo e a ponta dos óculos era meio larga com os cílios, por sinal, bastante alongados tocando nas lentes. Eu tentei, busquei fórmulas e nada de dar certo, e o tempo foi passando. Pedi para que Armando fechasse os olhos e com uma tesoura cortei 50% dos cílios, ele deu um berro, mas a galinha já tava morta. Ele até hoje não me perdoa (risos).

Azougue – O nosso abraço e agradecimento pela conversa.

José Dias Filho – Obrigado a você pela consideração e estamos sempre à sua disposição.

.....
caby@azougue.com



Site melhor visualizado com I.E. 5.0 ou posterior e 800x600px
Copyright©, 2004-2006 www.azougue.com - Todos os Direitos Reservados
Projeto - Caby da Costa Lima