Mossoró-RN, de 2008
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JOSÉ JOAQUIM DOS SANTOS

Se tivesse que começar tudo novamente, a residência fixa em Mossoró seria colocada em meus planos. Tenho hoje a marca de 36 pontos numa mão, fruto do esmagamento provocado por um cilindro. Foi quebradeira geral. Hoje quando passo em frente a uma padaria viro o rosto (risos). De cara nasceu uma honestíssima amizade e parceria com o senhor Milton Marques de Medeiros. Porém, duvido que se encontre em outras plagas o calor humano aqui reinante.

Azougue – Do interior de São Paulo para Mossoró é uma distância considerável?

José Joaquim – Quando o cidadão traça metas e pretende realmente atingi-las, a distância geográfica torna-se de certa forma micro-átomo dentro do universo que você imaginou, desenhou, estabeleceu como prioridade. Mas, para que isso viesse a acontecer foram muitos os caminhos percorridos, momentos de sabores e dissabores, de quedas, de acertos e por aí vai. A entrevista está apenas começando, mas conheço as características do seu entrevistador e já aviso, que se tivesse que começar tudo novamente a residência fixa em Mossoró seria colocada em meus planos.

Azougue – Fale sobre esse périplo São Paulo-Mossoró.

José Joaquim – Se for tintim por tintim aí vai dar muito sono ao leitor, portanto vamos buscar o resumo. Nasci na cidade de Presidente Venceslau, São Paulo, exatamente no dia 4 de maio de 1947, e por volta de 1954 a nossa família se transferiu para a cidade de Caxias, no Rio de Janeiro, só que eu aportei na casa da minha tia Sebastiana, na Cidade Maravilhosa, onde fiquei até os 13 anos de idade, período em que retornei para o município de Caxias. Meu pai, seu Jacó dos Santos, era o famoso fotógrafo lambe-lambe e todos os dias eu lhe entregava numa praça o seu almoço. Numa dessas idas eu vi uma senhora numa lojinha e já fui à luta me oferecendo para ser seu funcionário. Passei a ser vendedor de brinquedos e um mês depois já me transferi para uma padaria, chegando a ser gerente de balcão, com apenas 15 anos de idade. Além do aprendizado, tenho hoje a marca de 36 pontos numa mão, fruto do esmagamento provocado por um cilindro. Por dezenas de vezes saí numa bicicleta levando no bagageiro um cesto com 200 pães. Do acidente, peguei de “férias” um internamento de 21 dias num hospital público, onde (risos), galã como sempre fui, arranjei uma enfermeira para namorar, que tinha o nome de Maria e olha que a minha comida era melhor que a do diretor da unidade hospitalar. Ora, Caby, eu tinha que levar algum saldo da situação (risos). Depois fui trabalhar numa loja de material de construção e fui levando a vida.

Azougue – E aí veio o José Joaquim de farda?

José Joaquim – É verdade, me inscrevi e servi na base aérea do Galeão, por oito anos, a Aeronáutica, onde cheguei à condição de cabo. Tive a oportunidade de ser promovido a sargento, mas aí eu teria que me transferir para Brasília, o que provocaria uma metamorfose absoluta na minha vida. Preferi abdicar da farda.

Azougue – Nesses termos, então, aconteceu um novo retorno a São Paulo?

José Joaquim – Só que antes eu comprei um carro tipo Kombi e consegui agregá-la a uma empresa que prestava serviços para a construção do aeroporto. Lá eu conheci um cidadão, diga-se de passagem, gente da melhor espécie, de nome Carlos Verilson, que me convidou para trabalhar na Salmac, pertencente ao mesmo grupo da Sosal, com sede no Rio de Janeiro e atuação no Porto de Santos, onde passei seis anos. Agora veja só mais uma gargalhada do destino: Saí da Sosal e ao lado do meu irmão Ivanildo, por volta de 1990, compramos uma padaria e paralelamente abrimos a Servsal, que funcionava como representante e distribuidor da Sosal. Amigo velho, o que fomos roubados não está escrito em gibi nenhum. Foi quebradeira geral. Hoje quando passo em frente a uma padaria viro o rosto (risos). Depois disso então veio a minha investida totalitária no precioso produto autêntico orgulho de Mossoró. Da padaria a única coisa boa foi que como ela se chamava Servpão, pegamos carona numa opinião do seu ex-dono, que sugeriu para a nova empreitada o batismo de Servsal.

Azougue – E como se deu essa investida?

José Joaquim – Aí vieram as viagens principalmente para a região Sul de Minas Gerais, mas já naquela época tínhamos, eu e o grande irmão-amigo Ivanildo, constantes conversas que objetivavam um dia aportarmos em Mossoró. O detalhe é que contávamos com uma, diria, “ponta de escritório” em Mossoró. Cinco anos após, resolvemos então fincar pé na terra de Santa Luzia, só que já somávamos na bagagem uma carteira de clientes absolutamente assegurada, mesmo assim foi um início sofrível, porém com a receptividade que somente o nordestino sabe dar. O meu contador Ivan e sua esposa, hoje falecida Luzia, não permitiram sob hipótese alguma que eu me abrigasse em um hotel. Eles e o amigo Cornélio Nascimento, que, por sua vez, já mantinha laços comerciais conosco.

Azougue – Os primeiros amigos demoraram a chegar?

José Joaquim – Quem lhe disse que o nordestino gosta de demora? Ele quando percebe ser o cidadão gente boa vai logo abraçando. De cara nasceu uma honestíssima amizade e parceria com o senhor Milton Marques de Medeiros, que já alcança 12 anos, vindo a seguir também excelentes amizades com Evandro, Lucivan e Luciano Praxedes, além de Renato Fernandes. Recordo-me que o Evandro me estudava como quem diz, o que é que esse paulista veio fazer por aqui? Veja que depois eu descobri que uma das coisas que ele queria saber era qual o time que eu torcia no Rio? Sabe como é, né Caby, todo “foi-menguista” quer que nós sejamos iguais a ele, ou seja, “TSC; TORCEDOR, SOFREDOR CHOCO” (risos).

Azougue – Você está falando em amigos. Reina muita amizade na sua família?

José Joaquim – Eu diria que o meu filho mais velho é o meu irmão Ivanildo, apesar dele aparentar ter mais idade que eu, fato que todo mundo diz (risos). Sem dúvidas que somos dois seres com a mesma alma. Todos os meus quatro filhos, três do primeiro casamento e um do segundo, Alexandre, Aline, Adriano, esse era roqueiro, mas quando percebeu que poderia ofuscar a memória (pra pior) de Raul Seixas (risos) desistiu da carreira artística, e o Maikon, que me deu recentemente a alegria de aos 17 anos ser aprovado no vestibular do curso de Engenharia Mecânica, da Universidade Federal.

Azougue – Paulista/carioca e por fim mossoroense. Isso lhe honra?

José Joaquim – Sem nenhuma demagogia eu tenho literalmente um grande amor pela terra abençoada por Santa Luzia e todos os santos, até porque fui agraciado com o título de Cidadão Mossoroense. É uma cidade por demais acolhedora que dá oportunidade a quem gosta de produzir. A minha afirmação não é revestida de nenhum demérito a qualquer município brasileiro, porém duvido que se encontre em outras plagas o calor humano aqui reinante.

Azougue – Finalizando: você fez questão de ser fotografado com a camisa do Botafogo. Algum motivo especial?

José Joaquim – O torcedor de futebol que se preza não deve e nem pode perder nenhuma oportunidade de gozar os, como diz Antonio Veras, “urubulinos”, e imagina então uma chance dessas. A minha camisa serve para homenagear os “foi-menguistas”, em particular os que compõem a família Praxedes.

Azougue – Foi um prazer conversar com você.

José Joaquim – O prazer foi todo meu e cá estamos nós torcendo pelo sucesso do www.azougue.com.

joaquim@gruposervsal.com.br

caby@azougue.com

 



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