Mossoró-RN, de 2005
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ROSA - MARCO ANTÔNIO
JÚNIOR - MATHEUS - MAURÍCIO


Entre faxineiro e empresário o símbolo de dedicadíssima perseverança. Das lições da adversidade à construção de uma personalidade forte. O resgate aos indeléveis traços de uma humilde infância o estimula a sempre abrir espaços para os batalhadores da vida. Do ontem para o hoje nenhuma mudança comportamental no cidadão que hoje emprega mais de 500 pessoas. O azougue traz nesta página uma transparente entrevista com Marco Antonio Fernandes dos Santos, o Marquinhos da Prest...

Azougue- Com pouco tempo de vida, a família buscou o futuro em São Paulo?

Marco Antonio: Eu nasci em Areia Branca e as dificuldades naturais de uma boa sobrevivência fizeram com o que o meu pai, senhor Antonio Bezerra dos Santos, contabilista, buscasse um amanhã melhor para a gente em São Paulo. Lá nós contávamos com um irmão dele.Só retornamos ao estado Potiguar depois de 19 anos e neste período também residimos em Recife. Na volta, papai passou a fazer parte do quadro de funcionários da Socel.

Azougue- A sua batalha profissional quando começou?

Marco Antonio- Foi por coincidência também na Socel, num departamento diferenciado do meu pai. Eu era ligado diretamente a Tasso Rosado e depois como contínuo trabalhei mais 1 ano. Era aquela parada que, diga-se de passagem sempre me honrou, de varrer o chão, servir cafezinho, lavando os banheiros aos sábados e quando a tarefa tinha uma boa distancia física, aí tinha direito a uma bicicleta. Com um certo tempo, friso que nunca deixei de estudar, eu fui promovido a auxiliar de contabilidade e a titularidade na condição de contador, só me desligando no ano 1982. Foi uma experiência maravilhosa que me ensinou o real valor da vida.

Azougue- Até então a marca de empregado. Quando chegou a de empresário?

Marco Antonio- Eu marchei ainda um bom tempo na condição de empregado. Passei cerca de 4 anos na Norsal, indo diariamente para Areia Branca e o detalhe é que de madrugada eu fazia a minha comida, colocava a marmita numa estufa de eletrodo para que ao meio dia, ela se encontra-se mais ou menos morna. Depois vesti a camisa da prefeitura de Tibau. A partir daí eu martelei em minha mente que tinha que colocar em prática o meu próprio negócio. Resolvi então fundar uma empresa de prestação de serviços em 1993 nasceu a Prest- Prestação de Serviços Gerais Ltda, que tinha também como sócio Welington Bezerra da Costa.

Azougue- Quando e como se deu a ascensão da Prest?

Marco Antonio- Foi em 1997, quando um amigo meu, que tornou-se meu sócio, em 1998, Tião Couto, me perguntou se eu tinha condições de prestar serviços para a Caern, Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte, na perfuração de postos em Mossoró. O Tião Couto tinha muita experiência nesta área de perfuração e dele partiu a indicação do pessoal que eu admiti na empresa. Paralelamente nós vislumbramos boas perspectivas, nascendo então os contactos embrionários com a Fábrica de Cimento Itapetinga e a Petrobrás. Existiu a ampliação dos nossos serviços com essas empresas, determinando assim, graças a Deus, o sonho sempre buscado da ascensão.

Azougue- No início quantos funcionários?

Marco Antonio- Aproximadamente começamos com 18, e a sede funcionou por 6 meses na minha própria casa.

Azougue- Qual o diferencial da Prest para que em tão pouco tempo chegasse a um patamar até certo ponto invejável?

Marco Antonio- A qualidade a segurança sempre foram os itens que mais nos preocupam. Nós não nos permitíamos falha sob hipótese alguma neste aspecto. Existe um termo no nosso universo chamado EPI, equipamento de proteção individual e aí somou muito este diferencial. As empresas nos olhavam com um respeito muito grande, pelo esmero que tínhamos principalmente neste aspecto. Em 1999 surgiu o nosso primeiro grande contrato com a Petrobrás, de limpeza e conservação e também de despoluição de área. Este trabalho desenvolvido passou a nos abrir portas em Aracaju e já em 2001 participamos de uma concorrência naquela capital e fomos os vencedores, depois veio a segunda, ficamos de fora, mas na terceira novamente selamos a nossa marca.

Azougue- Os caminhos continuaram em permanente abertura?

Marco Antonio- Sim e com outros horizontes, mas especificamente na área de sondas e aí seguiu-se uma série de conquistas, também em manutenção mecânica em bombas, motores. A expansão em Aracaju tornou-se muito sólida, tanto é que lá montamos uma filial e não obstante isso, passamos à atuar em Urucu no Amazonas e no Espírito Santo.

Azougue- Veio o momento da cisão da sociedade, Marco Antonio, Tião Couto?

Marco Antonio- A sociedade foi desfeita dentro da mais completa normalidade, transparência e respeito. Ocorreu que a Prest- Prestação de Serviços Gerais se encontrava com muitos contratos e tinha que encontrar caminhos com outro tipo de gerenciamento. O que eu e Tião fizemos: Desmembramos a Prest.P. S. G, em duas Prest, ou seja em mais duas, que são a Prest Perfuração que ficou sob a responsabilidade de Tião e Prest Manutenção, que passou a ter o meu comando. Repito: tudo dentro do mais equilibrado respeito e amizade. As duas empresas seguem caminhos distintos, se ajudam, e graças a Deus estão muito bem.

Azougue- De faxineiro a empresário gerador de mais de 500 empregos. Muita satisfação?

Marco Antonio- A grande satisfação é a certeza da consciência tranqüila. É o prazer de gerar empregos. Olha eu... ( a emoção falou mais alto) jamais imaginei que pudesse contar com tantos funcionários e neles sentir uma vontade extremada na busca do acerto. Sentir em cada um, a camisa amada sendo suada. Isso é demasiadamente gratificante.

Azougue- Vamos mudar o assunto. Você é vice presidente do Potiguar. Na infância, jogou futebol?

Marco Antonio- Claro que joguei. Quem não jogou bola quando criança. Olha Caby, não é me elogiando não, mas eu era um tremendo de um perna-de-pau (risos). Eu era um péssimo jogador. Tão ruim que desisti muito rapidamente. Agora a minha paixão pelo futebol, mais particularmente pelo Potiguar, aconteceu quando eu trabalhava na Socel e o seu gerente administrativo, meu amigo Chico Hervécio, era o diretor de futebol. Recentemente o vereador Benjamim Machado, após apelos de alguns dirigentes, foi convidado para ser presidente e frisou que só toparia o desafio, se eu fosse o seu vice. Aceitei e estou neste cargo desde o início do ano.

Azougue – Dizem que vice não manda (risos), então, Marquinho da Prest vai ser presidente do Potiguar.

Marco Antonio- No Brasil reina essa filosofia (risada), só que no Potiguar a hierarquia é respeitada, mas, todos nós temos uma parcela de espaço e quanto a ser presidente, eu lhe informo que estamos trabalhando a mudança de estatuto do clube. O atual foi elaborado em 1981. Ao invés de um ano, a diretoria terá um mandato de dois e já acertamos que após a gestão de Benjamim Machado, no final de 2006, eu serei o presidente do clube, cargo que muito me honrará e olhe que o meu vice, também vai mandar (risos).

Azougue- O Potiguar foi campeão do estado no ano passado e agora não passou de um sétimo lugar. Verifica-se uma grande derrocada e ela se deve a que?

Marco Antonio- É simples de explicar: o presidente é eleito em dezembro, toma posse am janeiro e a partir daí começa a por em prática o seu organograma de trabalho, com o campeonato começando em fevereiro. As contratações são feitas ás pressas, os erros surgem, sem que haja tempo para uma recuperação. Os patrocinadores querem um projeto com tempo prévio para análise e isso é praticamente impossível. Não se dirige uma empresa sem um planejamento e a exigüidade do tempo foi uma grande obstáculo para todos nós.

Azougue- Os dois momentos mais marcantes na sua vida pessoal foram até certo ponto insólitos?

Marco Antonio- Foram sim. Veja as formas como ocorreram: Meu pai adoeceu e seguiu para o devido tratamento em São Paulo. Lá os médicos diagnosticaram um câncer no estomago. Nós aqui jamais ficamos da gravidade real e submetido a uma cirurgia ele não resistiu, vindo a óbito. A nossa família em Mossoró nada sabia e eu liguei para minha tia e como a qualidade da ligação era muito ruim, e ao pergunta-lhe pelo resultado da operação, entendi que ela estava rindo. Naquele momento a alegria me dominou. Eu falei: “ a senhora está rindo, então graças a Deus foi está tudo bem com papai?” Ouvi de volta: “ Não meu filho, eu estou chorando, Antonio, faleceu”. O mundo veio abaixo, foi a mais violenta pancada que eu recebi na vida. Dá para você imaginar? A outra situação que você me perguntou sobre alegria, foi a minha aprovação no vestibular. Eu a considero de insólita, porquê no ano 1981, eu praticamente não tinha tempo para nada a não ser para estudar. Fiz o vestibular para Ciências Contábeis, certo de que seria aprovado e tomei um ferro violento. No ano seguinte, não estudei absolutamente nada, fiz o concurso na base do seja o que Deus quiser e quando o meu nome foi divulgado por uma emissora de rádio, pôxa, a alegria foi realmente fantástica.

Azougue- Grato pelo papo e também por estar no azougue e com o azougue desde a sua fundação?

Marco Antonio- Eu também agradeço e sobre o azougue, eu levei um livro seu, o Do Bumba, para um tio meu que mora em Natal, ele ficou maravilhado e o livro é filho do site. O promotor de justiça Armando Lúcio, falou no seu artigo. Se cada foto daquelas, pudesse dizer mil palavras, o Do Bumba, seria o maior livro do mundo. Me gratifica muito ser um dos entrevistados neste brilhante espaço.

Caby@azougue.com


 

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