Entre faxineiro e empresário o símbolo
de dedicadíssima perseverança. Das lições
da adversidade à construção de
uma personalidade forte. O resgate aos indeléveis
traços de uma humilde infância o estimula
a sempre abrir espaços para os batalhadores da
vida. Do ontem para o hoje nenhuma mudança comportamental
no cidadão que hoje emprega mais de 500 pessoas.
O azougue traz nesta página uma transparente
entrevista com Marco Antonio Fernandes dos Santos, o
Marquinhos da Prest...
Azougue-
Com pouco tempo de vida, a família buscou o futuro
em São Paulo?
Marco
Antonio: Eu nasci em Areia Branca e as dificuldades
naturais de uma boa sobrevivência fizeram com
o que o meu pai, senhor Antonio Bezerra dos Santos,
contabilista, buscasse um amanhã melhor para
a gente em São Paulo. Lá nós contávamos
com um irmão dele.Só retornamos ao estado
Potiguar depois de 19 anos e neste período também
residimos em Recife. Na volta, papai passou a fazer
parte do quadro de funcionários da Socel.
Azougue-
A sua batalha profissional quando começou?
Marco
Antonio- Foi por coincidência também na
Socel, num departamento diferenciado do meu pai. Eu
era ligado diretamente a Tasso Rosado e depois como
contínuo trabalhei mais 1 ano. Era aquela parada
que, diga-se de passagem sempre me honrou, de varrer
o chão, servir cafezinho, lavando os banheiros
aos sábados e quando a tarefa tinha uma boa distancia
física, aí tinha direito a uma bicicleta.
Com um certo tempo, friso que nunca deixei de estudar,
eu fui promovido a auxiliar de contabilidade e a titularidade
na condição de contador, só me
desligando no ano 1982. Foi uma experiência maravilhosa
que me ensinou o real valor da vida.
Azougue-
Até então a marca de empregado. Quando
chegou a de empresário?
Marco
Antonio- Eu marchei ainda um bom tempo na condição
de empregado. Passei cerca de 4 anos na Norsal, indo
diariamente para Areia Branca e o detalhe é que
de madrugada eu fazia a minha comida, colocava a marmita
numa estufa de eletrodo para que ao meio dia, ela se
encontra-se mais ou menos morna. Depois vesti a camisa
da prefeitura de Tibau. A partir daí eu martelei
em minha mente que tinha que colocar em prática
o meu próprio negócio. Resolvi então
fundar uma empresa de prestação de serviços
em 1993 nasceu a Prest- Prestação de Serviços
Gerais Ltda, que tinha também como sócio
Welington Bezerra da Costa.
Azougue-
Quando e como se deu a ascensão da Prest?
Marco
Antonio- Foi em 1997, quando um amigo meu, que tornou-se
meu sócio, em 1998, Tião Couto, me perguntou
se eu tinha condições de prestar serviços
para a Caern, Companhia de Águas e Esgotos do
Rio Grande do Norte, na perfuração de
postos em Mossoró. O Tião Couto tinha
muita experiência nesta área de perfuração
e dele partiu a indicação do pessoal que
eu admiti na empresa. Paralelamente nós vislumbramos
boas perspectivas, nascendo então os contactos
embrionários com a Fábrica de Cimento
Itapetinga e a Petrobrás. Existiu a ampliação
dos nossos serviços com essas empresas, determinando
assim, graças a Deus, o sonho sempre buscado
da ascensão.
Azougue-
No início quantos funcionários?
Marco
Antonio- Aproximadamente começamos com 18, e
a sede funcionou por 6 meses na minha própria
casa.
Azougue-
Qual o diferencial da Prest para que em tão pouco
tempo chegasse a um patamar até certo ponto invejável?
Marco
Antonio- A qualidade a segurança sempre foram
os itens que mais nos preocupam. Nós não
nos permitíamos falha sob hipótese alguma
neste aspecto. Existe um termo no nosso universo chamado
EPI, equipamento de proteção individual
e aí somou muito este diferencial. As empresas
nos olhavam com um respeito muito grande, pelo esmero
que tínhamos principalmente neste aspecto. Em
1999 surgiu o nosso primeiro grande contrato com a Petrobrás,
de limpeza e conservação e também
de despoluição de área. Este trabalho
desenvolvido passou a nos abrir portas em Aracaju e
já em 2001 participamos de uma concorrência
naquela capital e fomos os vencedores, depois veio a
segunda, ficamos de fora, mas na terceira novamente
selamos a nossa marca.
Azougue-
Os caminhos continuaram em permanente abertura?
Marco
Antonio- Sim e com outros horizontes, mas especificamente
na área de sondas e aí seguiu-se uma série
de conquistas, também em manutenção
mecânica em bombas, motores. A expansão
em Aracaju tornou-se muito sólida, tanto é
que lá montamos uma filial e não obstante
isso, passamos à atuar em Urucu no Amazonas e
no Espírito Santo.
Azougue-
Veio o momento da cisão da sociedade, Marco Antonio,
Tião Couto?
Marco
Antonio- A sociedade foi desfeita dentro da mais completa
normalidade, transparência e respeito. Ocorreu
que a Prest- Prestação de Serviços
Gerais se encontrava com muitos contratos e tinha que
encontrar caminhos com outro tipo de gerenciamento.
O que eu e Tião fizemos: Desmembramos a Prest.P.
S. G, em duas Prest, ou seja em mais duas, que são
a Prest Perfuração que ficou sob a responsabilidade
de Tião e Prest Manutenção, que
passou a ter o meu comando. Repito: tudo dentro do mais
equilibrado respeito e amizade. As duas empresas seguem
caminhos distintos, se ajudam, e graças a Deus
estão muito bem.
Azougue-
De faxineiro a empresário gerador de mais de
500 empregos. Muita satisfação?
Marco
Antonio- A grande satisfação é
a certeza da consciência tranqüila. É
o prazer de gerar empregos. Olha eu... ( a emoção
falou mais alto) jamais imaginei que pudesse contar
com tantos funcionários e neles sentir uma vontade
extremada na busca do acerto. Sentir em cada um, a camisa
amada sendo suada. Isso é demasiadamente gratificante.
Azougue-
Vamos mudar o assunto. Você é vice presidente
do Potiguar. Na infância, jogou futebol?
Marco
Antonio- Claro que joguei. Quem não jogou bola
quando criança. Olha Caby, não é
me elogiando não, mas eu era um tremendo de um
perna-de-pau (risos). Eu era um péssimo jogador.
Tão ruim que desisti muito rapidamente. Agora
a minha paixão pelo futebol, mais particularmente
pelo Potiguar, aconteceu quando eu trabalhava na Socel
e o seu gerente administrativo, meu amigo Chico Hervécio,
era o diretor de futebol. Recentemente o vereador Benjamim
Machado, após apelos de alguns dirigentes, foi
convidado para ser presidente e frisou que só
toparia o desafio, se eu fosse o seu vice. Aceitei e
estou neste cargo desde o início do ano.
Azougue
– Dizem que vice não manda (risos), então,
Marquinho da Prest vai ser presidente do Potiguar.
Marco
Antonio- No Brasil reina essa filosofia (risada), só
que no Potiguar a hierarquia é respeitada, mas,
todos nós temos uma parcela de espaço
e quanto a ser presidente, eu lhe informo que estamos
trabalhando a mudança de estatuto do clube. O
atual foi elaborado em 1981. Ao invés de um ano,
a diretoria terá um mandato de dois e já
acertamos que após a gestão de Benjamim
Machado, no final de 2006, eu serei o presidente do
clube, cargo que muito me honrará e olhe que
o meu vice, também vai mandar (risos).
Azougue-
O Potiguar foi campeão do estado no ano passado
e agora não passou de um sétimo lugar.
Verifica-se uma grande derrocada e ela se deve a que?
Marco
Antonio- É simples de explicar: o presidente
é eleito em dezembro, toma posse am janeiro e
a partir daí começa a por em prática
o seu organograma de trabalho, com o campeonato começando
em fevereiro. As contratações são
feitas ás pressas, os erros surgem, sem que haja
tempo para uma recuperação. Os patrocinadores
querem um projeto com tempo prévio para análise
e isso é praticamente impossível. Não
se dirige uma empresa sem um planejamento e a exigüidade
do tempo foi uma grande obstáculo para todos
nós.
Azougue-
Os dois momentos mais marcantes na sua vida pessoal
foram até certo ponto insólitos?
Marco
Antonio- Foram sim. Veja as formas como ocorreram: Meu
pai adoeceu e seguiu para o devido tratamento em São
Paulo. Lá os médicos diagnosticaram um
câncer no estomago. Nós aqui jamais ficamos
da gravidade real e submetido a uma cirurgia ele não
resistiu, vindo a óbito. A nossa família
em Mossoró nada sabia e eu liguei para minha
tia e como a qualidade da ligação era
muito ruim, e ao pergunta-lhe pelo resultado da operação,
entendi que ela estava rindo. Naquele momento a alegria
me dominou. Eu falei: “ a senhora está
rindo, então graças a Deus foi está
tudo bem com papai?” Ouvi de volta: “ Não
meu filho, eu estou chorando, Antonio, faleceu”.
O mundo veio abaixo, foi a mais violenta pancada que
eu recebi na vida. Dá para você imaginar?
A outra situação que você me perguntou
sobre alegria, foi a minha aprovação no
vestibular. Eu a considero de insólita, porquê
no ano 1981, eu praticamente não tinha tempo
para nada a não ser para estudar. Fiz o vestibular
para Ciências Contábeis, certo de que seria
aprovado e tomei um ferro violento. No ano seguinte,
não estudei absolutamente nada, fiz o concurso
na base do seja o que Deus quiser e quando o meu nome
foi divulgado por uma emissora de rádio, pôxa,
a alegria foi realmente fantástica.
Azougue-
Grato pelo papo e também por estar no azougue
e com o azougue desde a sua fundação?
Marco
Antonio- Eu também agradeço e sobre o
azougue, eu levei um livro seu, o Do Bumba, para um
tio meu que mora em Natal, ele ficou maravilhado e o
livro é filho do site. O promotor de justiça
Armando Lúcio, falou no seu artigo. Se cada foto
daquelas, pudesse dizer mil palavras, o Do Bumba, seria
o maior livro do mundo. Me gratifica muito ser um dos
entrevistados neste brilhante espaço.
Caby@azougue.com