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PEDRO
ALMEIDA DUARTE
O
nosso entrevistado, o Prof. Pedro Almeida Duarte, é natural
de Cariús/CE onde viveu até os vinte anos, passando
a residir na urbe de Mossoró desde 1970. Membro de família
numerosa, nove irmãos, casado com Valme Carneiro Almeida
e pai de Leonardo e Luana, que lhe deram dois netos.
Cidadão extremamente integrado à sociedade mossoroense,
esse rotariano exerceu com inteligência e competência
alguns cargos no setor público de nosso Estado. Professor
e diretor da Esam, hoje Ufersa, secretário municipal
e secretário de Estado por mais de uma vez, dentre outros,
continua militante na política partidária do Estado
sempre ligado ao grupo do saudoso deputado Vingt Rosado. Fala-nos
sobre sua vida pessoal, administrativa e política sem
subterfúgios, com clareza e desprendimento... Conheça
um pouco mais da vida deste cidadão, que contribuiu muito
para o desenvolvimento de Mossoró e do Estado, nesta
entrevista.
Azougue:
Prof. Pedro Almeida, fale aos internautas do site azougue.com
da sua vinda para a cidade de Mossoró.
PEDRO
ALMEIDA DUARTE: Inicialmente
gostaria de agradecer a vocês pelo espaço concedido
para que eu possa falar um pouco da minha vida e minha estada
em Mossoró. Sou cearense e, ao terminar meu curso de
agronomia em Fortaleza, através de um anúncio
de jornal soube da ocorrência de concurso para professor
na área de economia na Esam. Fiz minha inscrição
e consegui aprovação em disputa com um concorrente
extremamente inteligente e competente da cidade, José
Vidal, que posteriormente foi diretor do grupo Guararapes. Faz
36 anos que moro em Mossoró.
Azougue:
Professor, após a graduação você
fez outros cursos?
PAD:
Fiz
pós-graduação também em Fortaleza
no CAEN, e concluí os créditos de doutorado na
Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro,
não chegando a defender a tese em virtude de ter sido
nomeado diretor da Esam naquela oportunidade.
Azougue:
Falemos agora da família. É de família
numerosa?
PAD:
Somos
de uma família de nove irmãos todos criados. Minha
mãe, e essa é uma graça muito forte que
eu tenho, tem 93 anos, extremamente lúcida e continua
sendo o grande centro polarizador da família. Todos os
anos, no dia do seu aniversário e no Natal, todos os
filhos, netos e bisnetos se reúnem para homenageá-la.
Perdi meu pai muito cedo, ele era político no Ceará
e com menos de 50 anos morreu de câncer. Nesta época
eu sequer tinha entrado na universidade, mas minha mãe
tomou a pulso a formação do resto da família.
Hoje, graças a Deus, somos relativamente bem encaminhados
na vida com uma estrutura familiar muito forte e definida no
sentido de religiosidade. Esse conceito de família aprendemos
com nossa mãe que até hoje mantém sua influência
sobre todos nós.
Azougue:
Pedro, você e Valme têm dois filhos. Eles já
estão encaminhados profissionalmente?
PAD:
Minha
filha Luana é casada e mora em Fortaleza. Formada em
Farmácia e Bioquímica pela UFC onde foi monitora
e bolsista, tendo a oportunidade de trabalhar em manipulação
com Prof. pesquisador Carlos Matos, o maior cientista sobre
plantas medicinais do país. Atualmente trabalha em Fortaleza
numa clínica particular de excelente nível. Nos
deu o grande presente que são meus dois netos, João
Pedro e Maria Clara - gêmeos - que hoje são a grande
alegria da casa. Leonardo, meu outro filho, é formado
em engenharia civil pela UnP e está começando
com uma construtora. São ótimos filhos.
Azougue:
É comum o profissional aportar em uma cidade para trabalhar
e cumprida missão, no caso aposentadoria, retornar à
sua cidade-natal. Com você não foi assim, o que
o cativou tanto que o fez permanecer em Mossoró?
PAD:
Primeiro,
quero dizer que tenho 56 anos, dos quais passei 36 em Mossoró.
Passei mais do dobro da minha vida em Mossoró e Mossoró
me deu tudo que eu tive através da Esam: o sucesso profissional,
vida, família. Então, quando concluí minhas
atividades na instituição, conversei com minha
esposa e chegamos a conclusão que rigorosamente nosso
lugar era aqui mesmo. Nós sentimos a necessidade de ficar
para de alguma forma poder retribuir e reconhecer tudo que Mossoró
fez por a gente através do seu povo, da Esam, dos amigos.
Azougue:
Você tem o título de Cidadão Mossoroense?
PAD:
Tenho
sim, e tenho também o de Cidadão Norte-rio-grandense.
Azougue:
Na Esam, hoje Ufersa, você foi professor e administrador,
inclusive chegando ao cargo de diretor. Fale do seu desempenho
profissional à frente daquela instituição.
PAD:
Iniciamos
a Esam com muita dificuldade, apenas um curso. Os professores
tinham regime de 12h ou 24h. Antes da federalização,
chegamos a passar até dez meses sem receber salários,
onde às vezes o docente chegava a ministrar até
três ou quatro disciplinas. Tínhamos apenas três
casas para estudantes, o que dificultava muito a vinda deles
para Mossoró. O saudoso deputado Vingt Rosado era quem
sempre procurava na antiga SESU uma forma de angariar recursos
para suprimir tais dificuldades.
Azougue:
Há algum outro fato que você possa destacar durante
esse período que esteve atuando na instituição?
PAD:
Eu
vou nesta entrevista revelar uma coisa que nunca revelei, eu
precisava contar uma coisa diferente nesta entrevista. A minha
grande frustração que eu tive na Esam foi eu ter
me omitido,... não votei na homologação
do professor Torres. Eu creio que naquele tempo a escola vivia
um momento muito bonito, momento diferente e histórico.
A não-homologação da primeira campanha,
da primeira eleição, consulta direta de um movimento
da instituição como um todo, foi muito bonito.
Antes da reunião do CTA, e o professor Torres está
aí para confirmar, o professor Torres disse: "Professor,
eu sei que você não vai votar pela minha homologação,
e sei também que não vai votar na lista que vai
ser apresentada... vote na homologação do meu
nome, eu sei que ele não me dará o resultado,
mas pelo respeito que eu tenho a você como professor e
pela coragem que você teve de me dizer, antes, que o resultado
da eleição iria ser mudado e que você não
iria acompanhar, mas também não ficaria contra
o seu grupo". Eu fiz aquilo naquela época até
para manter uma coerência que sempre tive. Eu sempre fui
de um lado. Nunca mudei de lado, sempre tive relacionamentos
políticos cordiais com todos os grupos, tanto dentro
da Esam como fora da Esam. Mas eu mantenho uma coerência,...
e eu acho que naquele instante a minha grande coerência
deveria ter sido homologar o resultado de um pleito tão
bonito. Eu creio que essa foi a maior dificuldade que a Esam
enfrentou em toda sua vida. Foi não fazer Torres diretor
naquela época e isso refletiu em pelos menos dez a quinze
anos de atrasos, dificuldades e problemas causados à
instituição.
Azougue:
A Esam transformou-se em Ufersa. Como você sente essa
transformação?
PAD:
A Ufersa vive um momento muito bom, é exatamente o momento
em que você tem a grande vantagem de fazer uma nova universidade
e todos os segmentos que a compõem, discentes, docentes
e dirigentes, precisam pensar muito na responsabilidade e no
compromisso de fazer a transformação da Esam na
grande universidade do semi-árido.
Azougue:
Você entende que o sucesso atual da instituição
tem a ver com o muito do que fora feito?
PAD:
Ah,
com certeza! Aqui gostaria de fazer um registro muito especial
ao Prof. Vingt-un. O Prof. Vingt-un pode ter tido alguns equívocos
na condução da Esam, pelo seu coração
ele queria fazer da Esam uma grande família e essa grande
família não se comporta como tal dentro de uma
Universidade. O espírito universitário por si
só precisa ter o contraponto, precisa ser crítico,
ser polêmico para realmente poder ela ser viva e ter alma.
No entanto, é inquestionável o papel do Prof.
Vingt-un e de um punhado de professores jovens na construção
da Esam.
Azougue:
A Ufersa completou um ano e se percebe o crescimento institucional.
Qual a projeção futura para essa universidade?
Que benefícios poderão vir para a região?
PAD:
O
Rio Grande do Norte hoje tem a fruticultura como o seu segundo
grande item de exportação. Tudo isso concentrado
na região de Mossoró. Cerca de 93% dos profissionais
desta área foram formados na Esam. Então, se pensarmos
que o produto mais importante de uma universidade é a
formação da mão-de-obra qualificada, isso
por si só já justificaria a Esam. Se analisarmos
os benefícios trazidos pela veterinária para as
áreas de caprinocultura, pecuária, pequenos animais
e carcinicultura, vamos verificar que com apenas dois cursos
a Esam já deu uma resposta extremamente positiva. No
processo produtivo o maior número de empregados na região
de Mossoró é na fruticultura. A Ufersa terá
um raio de ação muito maior. Atenderá os
anseios de uma região que chega até Petrolina
formando profissionais de diferentes segmentos e que daqui a
quatro cinco anos estarão esses profissionais a serviço
da região. Sou muito entusiasmado com as perspectivas
da Ufersa que não será apenas uma universidade
rural e sim terá compromisso com outros segmentos, como
trabalhar com calcário, com têxteis, com petróleo.
Geograficamente, a Ufersa está bem próximo do
porto do Pecem que é a maior estrutura para exportar
nossos produtos para a Europa e Estados Unidos. Não tenho
dúvida em afirmar que a Ufersa logo será uma grande
universidade.
Azougue:
Quem são os grandes parceiros que podem acelerar esse
crescimento?
PAD:
Primeiro
os órgãos de financiamento regionais: Banco do
Nordeste, empresas ligadas à fruticultura, governos estaduais
e municipais através de secretarias especializadas e
Embrapa. Além destes, os grandes órgãos
de financiamentos como: CNPQ, CAPES, FINEP e principalmente
o próprio MEC. Eu entendo ser hoje imprescindível
a interiorização da Universidade. Necessariamente,
precisa-se dar oportunidade à população
mais carente que está no interior. Essa possibilidade
se acentua a partir do momento que a universidade vem pra perto
delas.
Azougue:
A saída recente do seu grupo do PMDB para apoiar a governadora
Wilma de Faria, segundo a imprensa mossoroense, tinha sua discordância.
Como foi trocar a paixão pelo PMDB para novamente acompanhar
o grupo liderado agora pela deputada Sandra Rosado?
PAD:
Não
foi fácil. Eu era uma das pessoas do grupo que acreditavam
que não deveríamos sair do PMDB. Naquele instante
já existiam conversas de bastidores, de contatos do senador
Garibaldi com o grupo do ex-deputado Carlos Augusto Rosado.
Eu entendo, hoje, que mais uma vez o Felling Político
da deputada Sandra Rosado é uma coisa impressionante,
puxa ao pai. Ela sentiu que se não mudasse naquele instante,
ela perderia o 'time', o tempo certo de mudar porque não
comportaria, numa mesma legenda em Mossoró, a deputada
Sandra com o seu grupo e o grupo do ex-deputado Carlos Augusto
Rosado. Não há espaço politicamente, nesse
momento, para se conviver bem numa mesma legenda. Com certeza,
o grupo da deputada Sandra hoje teria dificuldades na eleição.
Eu hoje entendo que estava equivocado e reconheço que
a deputada Sandra tinha razão.
Azougue:
Na corrida para deputado estadual temos em Mossoró, num
destaque maior, os candidatos: deputada Larissa Rosado, deputada
Ruth Ciarlini, dr. Leonardo e o deputado Francisco José.
Dá para eleger todos?
PAD:
Mossoró
tem atualmente cerca de 150 mil eleitores. Poderá apurar
em torno de 120 mil votos para deputado estadual, dos quais
65% a 70% ficam com esses candidatos. Há espaços
para que todos trabalhem, agora... pessoalmente, torço,
trabalho e vou fazer tudo para que Larissa tenha a maior votação
de Mossoró.
Azougue:
A deputada Larissa, apesar da pouca vivência parlamentar,
tem se destacado na Assembléia. Isto surpreende a você?
PAD:
Não.
Sempre vi em Larissa muita garra, muita força de vontade
e foi justamente a determinação dela que a fez
chegar à vice-presidência da Assembléia
Legislativa e a assumir o parlamento muitas vezes. E acho que
isso é apenas o início de uma carreira política
brilhante que ela ainda tem pela frente.
Azougue:
E a corrida à Câmara Federal?
PAD:
Acredito
que a deputada Sandra e o deputado Betinho disputarão
o primeiro lugar, como sempre ocorreu, e os dois deverão
ter mais de 30 mil votos cada.
Azougue:
As pesquisas apresentadas mostram índices que a candidatura
do senador Garibaldi está descendente, enquanto a candidatura
da governadora Wilma de Faria está crescente. Como você
vislumbra o futuro desta eleição?
PAD:
Eu
vejo que Garibaldi atingiu um índice muito alto, muito
cedo. Em política existe uma tendência de quem
tem muito tende a perder e quem tem menos tende a ganhar. Até
que ponto esse movimento pendular na campanha vai resultar que
Garibaldi perca gordura suficiente e Wilma o ultrapasse... Os
próximos 35 dias são muito importantes. É
bom salientar que o programa eleitoral já está
sendo transmitido e que a partir dele o eleitor passa a ter
uma visão mais clara dos candidatos e até o final
da campanha, eu penso que aqueles favoritismos existentes terão
desaparecido.
Azougue:
Após vinte anos a esquerda chegou ao poder central através
do presidente Lula. Mandato conturbado que gerou frustrações
e decepções de muitos, houve debandada de companheiros
para outros partidos e expulsões de militantes muito
importantes do PT. No entanto, O governo Lula segue liderando
as pesquisas sinalizando uma provável reeleição,
ainda no primeiro turno. Como você explica isso?
PAD:
Eu
vejo dois aspectos consideráveis. Primeiro, o Lula pelo
seu carisma e pela sua estória de vida, sempre foi maior
do que o PT. O PT veio para a vala comum através de problemas
éticos, problemas de corrupção, problemas
de montar uma estrutura de estado para mandar durante 30 anos.
Segundo, identificando as pesquisas atuais, verifica-se que
a base da pirâmide tem 70% dos votos e esse é o
eleitorado de Lula. A imagem daquele trabalhador pobre que veio
do Nordeste e chegar à Presidência da República
é motivo de admiração por estas classes.
Você há de convir que Lula é um líder
carismático, tem a facilidade incrível de falar
para os mais simples. Às vezes faz comentários
absurdos que não condiz com a liturgia do cargo, mas
você há de convir que a maioria dos eleitores não
pensa assim.
Azougue:
Prof. Pedro Almeida, em nome dos que fazem o azougue.com agradeço
a entrevista concedida e fique à vontade para quaisquer
outras considerações que deseje fazer.
PAD:
Só
agradecer a participação, onde tive oportunidade
de externar algumas que eu não tinha nem conversado e
dizer que você me deixou muito à vontade e que
estou muito feliz pela entrevista.
*Entrevista
produzida pelo professor de matemática e comentarista
esportivo Alcindo Júnior.
caby@azougue.com
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