Mossoró-RN, de 2005
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Vítor, Rafael, Fernanda, Luciana, Gagaça e Xavier


Na competência os objetivos alcançados. Na falha uma cobrança interior incomum. A busca incessante por amizades leais e a mais longa distância para a ilegalidade. Marco de inteligência, a capacidade de ouvir mais e falar menos. Xavier Lima, taurino de 7 de maio de 1952, tem 9 irmãos, é casado com Gagaça Lopes e pai de Vítor, Fernanda, Luciana e Rafael. Nesta entrevista concedida ao azougue, apenas dois toques de brincadeira acompanhados de tremendas risadas. “Sou o manicaca mais desobediente que conheço”. Vamos ao papo:


Azougue - Francisco Xavier Machado Ferreira Lima. Nome um pouco incomum, não?

Xavier - É verdade. Hoje eu vejo esta colocação com naturalidade, agora na minha infância, no colégio eu ficava meio encucado. Na minha classe somente eu tinha cinco nomes, aí vinham as piadas, as brincadeiras, as gozações. Não era um bom negócio, mas o tempo me educou a conviver com o fato.

Azougue - Ser médico foi sonho de infância?

Xavier - Não. O sonho era um dia cursar uma faculdade, mas nada determinado na época. No científico eu fiz um teste vocacional no Colégio Cearense e ele acusou que eu tinha aptidões para fazer medicina.

Azougue - Falam por aí que quando jovem você jogava uma bola bem redondinha. É verdade?

Xavier - Eu sempre gostei de esporte de uma maneira geral e neste universo o que mais me fascinava era o futebol. Eu estive a pique de treinar no Ceará. Só que, como frisei, eu quando criança queria me formar e certamente o futebol iria atrapalhar. Como sempre fui muito determinado, aí, aí (risos), os estudos impediram que Pelé tivesse realmente um concorrente à altura.

Azougue - 53 anos de idade. 50% Ceará, 50% Mossoró?

Xavier - É mais ou menos assim, mas não é exatamente assim. No meu primeiro vestibular, eu fiquei entre os excedentes, só que em 1971 não existia vestibular no meio do ano e um amigo me convidou para fazer esse tipo de tentativa em São Luís do Maranhão. Eu topei de imediato, houve a concordância da minha família e fui aprovado em oitavo lugar. Bom, passei cinco anos da minha vida em São Luís. O restante sim, fica metade para Fortaleza e metade para Mossoró.

Azougue - Mossoró tão perto e você encontrou a mulher da sua vida, uma mossoroense, na terra da cantora Alcione.

Xavier - Pois é, são as coisas da vida. Eu fazia medicina, a minha garota (Gagaça) cursava odontologia, fomos aprovados no mesmo período. E tinha muita gente boa daqui, como José Edson Ferreira da Silva, irmão de Damundo e Assis da Usibrás, Oziel de Souza Lima, José Fernandes Dantas e outros, cujos nomes não me recordo no momento. Bom, Em São Luís, nós começamos a namorar e aí se vão 34 anos de um completo e harmonioso relacionamento.

Azougue - Ela quem te puxou para cá?

Xavier - Foi sim. Após a minha formatura eu retornei para Fortaleza. Nós éramos noivos e ela articulou um espaço para mim no hospital infantil e em 1977, definitivamente abracei esta amada cidade.

Azougue - De plantonista do hospital infantil a presidente da Unimed foi um salto rápido?

Xavier - Na época a Unimed praticamente se resumia a três administradores. Joel Borba, Antenor Pimentel e Damião Nobre e eu já tinha a experiência de cinco anos como diretor da Regional de Saúde e quem presidia a cooperativa médica era Joel Borba e também autor do convite para a minha participação no corpo diretivo. De cara eu não aceitei, em função de outros compromissos e quando eles desapareceram aí eu dei o meu sim.

Azougue - E o começo?

Xavier - Como olheiro eu não tinha cargo nenhum, participava das reuniões, emitia opiniões e na primeira eleição eu fui eleito diretor, só que o estatuto não especificava funções, até que Rosalba Ciarlini, então superintendente, desligou-se para candidatar-se a prefeita e como foi eleita ela teve que renunciar a superintendência e por indicação de Joel Borba, eu assumi a função.

Azougue - São dezoito anos de Unimed. Uma identificação muito forte?

Xavier - Na realidade eu me dediquei muito à Unimed. Eu a encontrei na fase embrionária. As pessoas só falavam na Golden Cross. O plano de saúde mais sólido era o da Golden. Foi uma época de muito trabalho, dedicação, mas acima de tudo de aprendizado. A equipe foi ampliada com as chegadas de José Hélio Cabral, Sérvulo Godeiro, José Maria Caldas. Registre-se a bem da verdade que esses profissionais foram convidados por Joel Borba. Quando por livre e espontânea vontade Joel deixou o cargo e toda essa estrutura da empresa foi construída degrau a degrau. Foi necessário um bom tempo para que ela se transformar-se no maior plano de saúde de Mossoró e região. A semente foi plantada por Joel e nós procuramos aguá-la da melhor maneira possível, no que acredito atingimos os objetivos.

Azougue - Nesta equipe formada por Joel e seqüenciada por você. Quem suou mais a camisa da Unimed?

Xavier - Eu sempre vejo o azougue.com e sei aonde você quer chegar e não o critico. Entendo a linha do jornalismo verdade. Então pronto; Eu, Joel Borba até um certo tempo e José Hélio Cabral. Nós nos dedicamos muito mais. É verdade que outros contribuíram para o sucesso da Unimed, porém se dedicaram menos.

Azougue - Você fez citações sempre elogiosas a Joel Borba. Só que o seu maior opositor de uns tempos para cá, é ele próprio. Por quê?

Xavier – Olha, eu estou sendo real, como aliás sempre fui sem querer ferir suscetibilidade de ninguém. Entendo que Joel não soube conduzir os seus próprios objetivos e achou que indo para o confronto comigo seria a fórmula correta, ou a mais fácil. Faltou a ele a visão do diálogo e constrangimentos foram criados. Veja, quando o meu segundo mandato estava se encerrando, ele sabia que eu não tinha intenção de me candidatar novamente, intenção essa que ele tinha e dizia exatamente o inverso. Faltando pouco tempo para as eleições ele se lançou candidato e aí eu resolvi ir também à luta e consegui chegar à vitória. Repito, eu não queria este confronto, por entender acima de tudo que não seria bom para a Unimed, o que realmente não foi.

Azougue - A amizade com Joel deixou de existir?

Xavier - Eu vi no comportamento dele que a minha amizade não era tão importante assim. Vi que ele se agregou a pessoas que não têm compromisso com a Unimed. Pessoas que só querem tumultuar a cooperativa.

Azougue - Cite os nomes dessas pessoas?

Xavier - Eu prefiro não citá-los. São pessoas que se cercaram dele, que eu costumo denominar de a tropa de choque. Pessoas que se especializaram na criação de boatos e agressões. Essas figuras tinham um objetivo: perturbar os trabalhos da diretoria e da empresa.

Azougue - Presidente da Unimed por três vezes. Ganhar as eleições para a presidência da Unicred, enfrentando novamente a “tropa de choque”, era questão de honra?

Xavier - Eu não vejo dessa forma, apesar de existir, quer queira quer não, uma conotação pessoal que não foi gerada por mim. Essa condição foi criada por Joel Borba e os traumatologistas que formavam esta “tropa de choque”. Eu não queria, mas vou citar os nomes: Almicarde Lopes, Manoel Fernandes, Tupinambá Nogueira e João Firmino. Friso que o meu adversário era o pediatra Dix-sept Sobrinho e não Joel Borba, como também nenhum daqueles que coloquei como membros da “tropa”. Olha, Caby, pela primeira vez eu estou fazendo essas revelações. Até questões de ordem familiar foram levantadas, o que convenhamos é um absurdo. Olha, eu sempre fui muito racional, equilibrado e um cara amigo. Agora eu nunca tive medo de cara feia e nos caminhos deste processo encarei todos eles, como encarei e encaro todos os desafios que vi e que verei pela frente. A nossa equipe traçou um organograma e ele foi seguido à risca para que saíssemos vitoriosos nesta nova eleição e quando somados os votos, obtivemos 17 a mais que a chapa concorrente.

Azougue - Em todas as eleições submetidas as vitórias vieram. Você se considera um vencedor?

Xavier - Eu prefiro me ver como competente em tudo aquilo que faço.

Azougue - O final da entrevista se aproxima. Quem você não gostaria de ser sob hipótese alguma?

Xavier - (resposta lacônica) Francisco Almicarde Lopes. Dele quero a mais longa das distâncias.

Azougue - Admiração absoluta por alguma pessoa?

Xavier - Maria das Graças Lopes, Gagaça, a minha esposa.

Azougue - Sem veneno, isso não é ser manicaca?

Xavier - Como? (risos) Sou, eu sou uma manicaca só que um bocado desobediente.

Azougue - O azougue.com agradece pela entrevista.

Xavier - Eu nunca fui de fazer elogios gratuitos. Eu vejo o azougue.com, e gosto muito do que vejo. Entendo que com a sua chegada todos nós ganhamos. Meus parabéns.

caby@azougue.com

 

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