Na
competência os objetivos alcançados.
Na falha uma cobrança interior incomum.
A busca incessante por amizades leais e a mais
longa distância para a ilegalidade. Marco
de inteligência, a capacidade de ouvir
mais e falar menos. Xavier Lima, taurino de
7 de maio de 1952, tem 9 irmãos, é
casado com Gagaça Lopes e pai de Vítor,
Fernanda, Luciana e Rafael. Nesta entrevista
concedida ao azougue, apenas dois toques de
brincadeira acompanhados de tremendas risadas.
“Sou o manicaca mais desobediente que
conheço”. Vamos ao papo:
Azougue - Francisco Xavier Machado Ferreira
Lima. Nome um pouco incomum, não?
Xavier
- É verdade. Hoje eu vejo esta colocação
com naturalidade, agora na minha infância,
no colégio eu ficava meio encucado. Na
minha classe somente eu tinha cinco nomes, aí
vinham as piadas, as brincadeiras, as gozações.
Não era um bom negócio, mas o
tempo me educou a conviver com o fato.
Azougue
- Ser médico foi sonho de infância?
Xavier
- Não. O sonho era um dia cursar uma
faculdade, mas nada determinado na época.
No científico eu fiz um teste vocacional
no Colégio Cearense e ele acusou que
eu tinha aptidões para fazer medicina.
Azougue
- Falam por aí que quando jovem você
jogava uma bola bem redondinha. É verdade?
Xavier
- Eu sempre gostei de esporte de uma maneira
geral e neste universo o que mais me fascinava
era o futebol. Eu estive a pique de treinar
no Ceará. Só que, como frisei,
eu quando criança queria me formar e
certamente o futebol iria atrapalhar. Como sempre
fui muito determinado, aí, aí
(risos), os estudos impediram que Pelé
tivesse realmente um concorrente à altura.
Azougue
- 53 anos de idade. 50% Ceará, 50% Mossoró?
Xavier
- É mais ou menos assim, mas não
é exatamente assim. No meu primeiro vestibular,
eu fiquei entre os excedentes, só que
em 1971 não existia vestibular no meio
do ano e um amigo me convidou para fazer esse
tipo de tentativa em São Luís
do Maranhão. Eu topei de imediato, houve
a concordância da minha família
e fui aprovado em oitavo lugar. Bom, passei
cinco anos da minha vida em São Luís.
O restante sim, fica metade para Fortaleza e
metade para Mossoró.
Azougue
- Mossoró tão perto e você
encontrou a mulher da sua vida, uma mossoroense,
na terra da cantora Alcione.
Xavier
- Pois é, são as coisas da vida.
Eu fazia medicina, a minha garota (Gagaça)
cursava odontologia, fomos aprovados no mesmo
período. E tinha muita gente boa daqui,
como José Edson Ferreira da Silva, irmão
de Damundo e Assis da Usibrás, Oziel
de Souza Lima, José Fernandes Dantas
e outros, cujos nomes não me recordo
no momento. Bom, Em São Luís,
nós começamos a namorar e aí
se vão 34 anos de um completo e harmonioso
relacionamento.
Azougue
- Ela quem te puxou para cá?
Xavier
- Foi sim. Após a minha formatura eu
retornei para Fortaleza. Nós éramos
noivos e ela articulou um espaço para
mim no hospital infantil e em 1977, definitivamente
abracei esta amada cidade.
Azougue
- De plantonista do hospital infantil a presidente
da Unimed foi um salto rápido?
Xavier
- Na época a Unimed praticamente se resumia
a três administradores. Joel Borba, Antenor
Pimentel e Damião Nobre e eu já
tinha a experiência de cinco anos como
diretor da Regional de Saúde e quem presidia
a cooperativa médica era Joel Borba e
também autor do convite para a minha
participação no corpo diretivo.
De cara eu não aceitei, em função
de outros compromissos e quando eles desapareceram
aí eu dei o meu sim.
Azougue
- E o começo?
Xavier
- Como olheiro eu não tinha cargo nenhum,
participava das reuniões, emitia opiniões
e na primeira eleição eu fui eleito
diretor, só que o estatuto não
especificava funções, até
que Rosalba Ciarlini, então superintendente,
desligou-se para candidatar-se a prefeita e
como foi eleita ela teve que renunciar a superintendência
e por indicação de Joel Borba,
eu assumi a função.
Azougue
- São dezoito anos de Unimed. Uma identificação
muito forte?
Xavier
- Na realidade eu me dediquei muito à
Unimed. Eu a encontrei na fase embrionária.
As pessoas só falavam na Golden Cross.
O plano de saúde mais sólido era
o da Golden. Foi uma época de muito trabalho,
dedicação, mas acima de tudo de
aprendizado. A equipe foi ampliada com as chegadas
de José Hélio Cabral, Sérvulo
Godeiro, José Maria Caldas. Registre-se
a bem da verdade que esses profissionais foram
convidados por Joel Borba. Quando por livre
e espontânea vontade Joel deixou o cargo
e toda essa estrutura da empresa foi construída
degrau a degrau. Foi necessário um bom
tempo para que ela se transformar-se no maior
plano de saúde de Mossoró e região.
A semente foi plantada por Joel e nós
procuramos aguá-la da melhor maneira
possível, no que acredito atingimos os
objetivos.
Azougue
- Nesta equipe formada por Joel e seqüenciada
por você. Quem suou mais a camisa da Unimed?
Xavier
- Eu sempre vejo o azougue.com e sei aonde você
quer chegar e não o critico. Entendo
a linha do jornalismo verdade. Então
pronto; Eu, Joel Borba até um certo tempo
e José Hélio Cabral. Nós
nos dedicamos muito mais. É verdade que
outros contribuíram para o sucesso da
Unimed, porém se dedicaram menos.
Azougue
- Você fez citações sempre
elogiosas a Joel Borba. Só que o seu
maior opositor de uns tempos para cá,
é ele próprio. Por quê?
Xavier
– Olha, eu estou sendo real, como aliás
sempre fui sem querer ferir suscetibilidade
de ninguém. Entendo que Joel não
soube conduzir os seus próprios objetivos
e achou que indo para o confronto comigo seria
a fórmula correta, ou a mais fácil.
Faltou a ele a visão do diálogo
e constrangimentos foram criados. Veja, quando
o meu segundo mandato estava se encerrando,
ele sabia que eu não tinha intenção
de me candidatar novamente, intenção
essa que ele tinha e dizia exatamente o inverso.
Faltando pouco tempo para as eleições
ele se lançou candidato e aí eu
resolvi ir também à luta e consegui
chegar à vitória. Repito, eu não
queria este confronto, por entender acima de
tudo que não seria bom para a Unimed,
o que realmente não foi.
Azougue
- A amizade com Joel deixou de existir?
Xavier
- Eu vi no comportamento dele que a minha amizade
não era tão importante assim.
Vi que ele se agregou a pessoas que não
têm compromisso com a Unimed. Pessoas
que só querem tumultuar a cooperativa.
Azougue
- Cite os nomes dessas pessoas?
Xavier
- Eu prefiro não citá-los. São
pessoas que se cercaram dele, que eu costumo
denominar de a tropa de choque. Pessoas que
se especializaram na criação de
boatos e agressões. Essas figuras tinham
um objetivo: perturbar os trabalhos da diretoria
e da empresa.
Azougue
- Presidente da Unimed por três vezes.
Ganhar as eleições para a presidência
da Unicred, enfrentando novamente a “tropa
de choque”, era questão de honra?
Xavier
- Eu não vejo dessa forma, apesar de
existir, quer queira quer não, uma conotação
pessoal que não foi gerada por mim. Essa
condição foi criada por Joel Borba
e os traumatologistas que formavam esta “tropa
de choque”. Eu não queria, mas
vou citar os nomes: Almicarde Lopes, Manoel
Fernandes, Tupinambá Nogueira e João
Firmino. Friso que o meu adversário era
o pediatra Dix-sept Sobrinho e não Joel
Borba, como também nenhum daqueles que
coloquei como membros da “tropa”.
Olha, Caby, pela primeira vez eu estou fazendo
essas revelações. Até questões
de ordem familiar foram levantadas, o que convenhamos
é um absurdo. Olha, eu sempre fui muito
racional, equilibrado e um cara amigo. Agora
eu nunca tive medo de cara feia e nos caminhos
deste processo encarei todos eles, como encarei
e encaro todos os desafios que vi e que verei
pela frente. A nossa equipe traçou um
organograma e ele foi seguido à risca
para que saíssemos vitoriosos nesta nova
eleição e quando somados os votos,
obtivemos 17 a mais que a chapa concorrente.
Azougue
- Em todas as eleições submetidas
as vitórias vieram. Você se considera
um vencedor?
Xavier
- Eu prefiro me ver como competente em tudo
aquilo que faço.
Azougue
- O final da entrevista se aproxima. Quem você
não gostaria de ser sob hipótese
alguma?
Xavier
- (resposta lacônica) Francisco Almicarde
Lopes. Dele quero a mais longa das distâncias.
Azougue
- Admiração absoluta por alguma
pessoa?
Xavier
- Maria das Graças Lopes, Gagaça,
a minha esposa.
Azougue
- Sem veneno, isso não é ser manicaca?
Xavier
- Como? (risos) Sou, eu sou uma manicaca só
que um bocado desobediente.
Azougue
- O azougue.com agradece pela entrevista.
Xavier
- Eu nunca fui de fazer elogios gratuitos. Eu
vejo o azougue.com, e gosto muito do que vejo.
Entendo que com a sua chegada todos nós
ganhamos. Meus parabéns.
caby@azougue.com