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DR. PAIVA LOPES –
NEUROLOGISTA
ACIDENTE
VASCULAR CEREBRAL – AVC
Azougue
– O que é o AVC?
Paiva
Lopes – O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é
uma doença caracterizada pelo início agudo de
um déficit neurológico (diminuição
da função) que persiste por pelo menos 24 horas,
refletindo envolvimento focal do sistema nervoso central como
resultado de um distúrbio na circulação
cerebral; começa abruptamente, sendo o déficit
neurológico máximo no seu início podendo
progredir ao longo do tempo.
O termo Ataque
Isquêmico Transitório (AIT) refere-se ao déficit
neurológico transitório com duração
de menos de 24 horas até o total retorno à normalidade;
quando o déficit dura além de 24 horas, com o
retorno ao normal é tido como um déficit neurológico
isquêmico reversível (DNIR).
Podemos dividir
o Acidente Vascular Cerebral em duas categorias:
- O acidente
vascular isquêmico consiste na oclusão de uma vaso
sangüíneo que interrompe o fluxo de sangue a uma
região especifica do cérebro, interferindo com
as funções neurológicas dependentes daquela
região afetada, produzindo uma sintomatologia ou déficits
característicos.
- No acidente
vascular hemorrágico existe hemorragia (sangramento)
local, com outros fatores complicadores tais como aumento da
pressão intracraniana, edema (inchaço) cerebral,
entre outros, levando a sinais nem sempre focais.
Azougue
– Como se desenvolve ou se adquire?
Paiva
Lopes – Vários fatores de risco são
descritos e estão comprovados na origem do Acidente Vascular
Cerebral, entre eles estão: hipertensão arterial,
doença cardíaca, fibrilação atrial,
diabete, tabagismo, hiperlipidemia. Outros fatores que podemos
citar são: o uso de pílulas anticoncepcionais,
álcool, ou outras doenças que acarretem aumento
no estado de coagulabilidade (coagulação do sangue)
do indivíduo.
Azougue
– O que se sente?
Paiva Lopes -
Geralmente vai depender do tipo do AVC que o paciente está
sofrendo: Isquêmico? Hemorrágico? Sua localização,
idade, fatores adjacentes.
- Fraqueza:
O início
agudo de uma fraqueza em um dos membros (braço, perna)
ou face é o sintoma mais comum dos acidentes vasculares
cerebrais. Pode significar a isquemia de todo um hemisfério
cerebral ou apenas de uma pequena e específica área.
Podem ocorrer de diferentes formas apresentando-se por uma fraqueza
maior na face e no braço que na perna; ou fraqueza maior
na perna que no braço ou na face; ou ainda a fraqueza
pode se acompanhar de outros sintomas. Estas diferenças
dependem da localização da isquemia, da extensão
e da circulação cerebral acometida.
- Distúrbios
Visuais:
A perda da visão
em um dos olhos, principalmente aguda, alarma os pacientes e
geralmente os leva a procurar avaliação médica.
O paciente pode ter uma sensação de “sombra”
ou “cortina” ao enxergar ou ainda pode apresentar
cegueira transitória (amaurose fugaz).
- Perda
Sensitiva:
A dormência
ocorre mais comumente junto com a diminuição de
força (fraqueza), confundindo o paciente; a sensibilidade
é subjetiva.
- Linguagem
e Fala (Afasia):
É comum
os pacientes apresentarem alterações de linguagem
e fala; assim alguns pacientes apresentam fala curta e com esforço,
acarretando muita frustração (consciência
do esforço e dificuldade para falar); alguns pacientes
apresentam uma outra alteração de linguagem, falando
frases longas, fluentes, fazendo pouco sentido, com grande dificuldade
para compreensão de linguagem. Familiares e amigos podem
descrever ao médico este sintoma como um ataque de confusão
ou estresse.
- Convulsões:
Nos casos da
hemorragia intracerebral, do acidente vascular dito hemorrágico
os sintomas podem se manifestar como os já descritos
acima, geralmente mais graves e de rápida evolução.
Pode acontecer uma hemiparesia (diminuição de
força do lado oposto do sangramento), além de
desvio do olhar. O hematoma pode crescer e causar edema (inchaço),
atingindo outras estruturas adjacentes, levando em questão
de minutos.
Azougue
– Como o médico faz o diagnóstico?
Paiva
Lopes – A história e o exame físico
dão subsídios para uma possibilidade de doença
vascular cerebral como causa da sintomatologia do paciente.
Entretanto, o início agudo de sintomas neurológicos
focais deve sugerir uma doença vascular em qualquer idade,
mesmo sem fatores de risco associados. A avaliação
laboratorial inclui análises sangüíneas a
estudos da imagem (tomografia computadorizada do encéfalo
ou ressonância nuclear magnética). Outros estudos:
ultra-som de carótidas e vertebrais, ecocardiografia
e angiografia podem ser feitos.
Azougue
- Como se trata e como se previne?
Paiva
Lopes – Inicialmente deve-se diferenciar entre
acidente vascular isquêmico ou hemorrágico. O tratamento
inclui a identificação e controle dos fatores
de risco, o uso de terapia antitrombótica (contra a coagulação
do sangue) e endarterectomia (cirurgia para retirada do coágulo
de dentro da artéria) de carótida em alguns casos
selecionados. A avaliação e o acompanhamento neurológicos
regulares são componentes do tratamento preventivo bem
como o controle da hipertensão, da diabete, a suspensão
do tabagismo e o uso de determinadas drogas (anticoagulantes)
que contribuem para a diminuição da incidência
de acidentes vasculares cerebrais.
O acidente vascular
cerebral em evolução constitui uma emergência,
devendo ser tratado em ambiente hospitalar.
O uso de terapia
antitrombótica é importante para evitar recorrências.
Além disso, deve-se controlar outras complicações,
principalmente em pacientes acamados (pneumonia, tromboembolismo,
infecções, úlceras de pele) onde a instituição
de fisioterapia previne e tem papel importante na recuperação
funcional do paciente.
As medidas iniciais
para o acidente vascular hemorrágico são semelhantes,
devendo-se obter leito em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI)
para o rigoroso controle da pressão.Em alguns casos a
cirurgia é mandatória com o objetivo de se tentar
a retirada do coágulo e fazer o controle da pressão
intracraniana.
- Fim -
Dr. Paiva Lopes
Neurologista
Professor da Faculdade de Medicina da Uern
Médico concursado no Ministério da Saúde
Diretor do setor de tomografia da Casa de Saúde Dix-sept
Rosado
Diretor do serviço de eletroencefalografia da Prefeitura
Municipal de Mossoró
Atendimento de segunda a sexta-feira, no Instituto de Neuropediatria
Rua Juvenal Lamartine, 766 – Fone 3321-5780.
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