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MELISSA
MAGALHÃES
Desejando
a todos muita folia e juízo neste carnaval, iniciamos
a entrevista da página Mulher. Nossa entrevistada é
a inteligente, loira de olhos verdes, simpática e uma
profissional apaixonada pela enfermagem.
Assim poderíamos começar a dizer alguma coisa
sobre Melissa Magalhães, cearense que gosta muito de
Mossoró. Ao longo da entrevista você saberá
mais sobre esta jovem mulher que se dedica ao trabalho com muito
amor e consegue conciliar a vida de enfermeira com a de mãe.
Com vocês mais uma brava Mulher.
AZOUGUE:
Apresente-se aos leitores do azougue.com.
MELISSA MAGALHÃES: Meu nome completo é
Melissa Magalhães de Melo, nasci em Fortaleza, sou cearense
e enfermeira.
AZOUGUE:
Faça um resumo da sua vida
MELISSA MAGALHÃES: Minha infância foi
maravilhosa, só tenho lembranças boas dela. Infância
tranqüila, de muitas brincadeiras, estudando em colégio
público. Com muito esforço da minha mãe,
pois eu tenho mais três irmãos, ela foi morar comigo
em Fortaleza. Acho que minha vida é a cada dez anos porque
eu morei no interior do Ceará durante dez anos, depois
fui para Fortaleza estudar, morei mais dez anos por lá,
foi o tempo que eu casei e vim morar aqui em Mossoró
e já estou aqui há oito anos.
AZOUGUE:
E como você descobriu ou foi descoberta na área
da comunicação?
MELISSA MAGALHÃES: Quando eu cheguei a Mossoró
as únicas pessoas que eu conhecia eram as da família
do meu esposo. Eu ainda não tinha me formado, estava
fazendo a Faculdade de Enfermagem pela Uern e me meti a fazer
uma coisa que eu nunca imaginei que tinha capacidade para fazer,
a convite do meu amigo Caby, que foi locução.
Na época ele era diretor comercial da Santa Clara (FM
105), a gente se conheceu através da família do
meu esposo. Não sei de onde ele tirou que eu tinha uma
boa voz, uma boa dicção para fazer participações
no rádio, mas fui. O programa que comecei a participar
foi o Bate Papo Educativo, aos domingos, junto com a Mércia
Nóbrega. Por mais que o nome do programa fosse Bate Papo
Educativo ele era 99% sobre saúde, porque a carência
da população é de tudo, inclusive de informação
e nessa área a saúde é mais deficiente.
Então, me encantei pelo projeto, porque eu sempre gostei
de trabalhar com prevenção. Também participei
do programa O Som do Caby. Ele ia esquentando as turbinas e
me dando dicas de como eu deveria fazer, foi o meu orientador,
professor, só não sei se aprendi direito. Sou
amadora com isso até as últimas. No primeiro programa
que fiz quase que o meu coração bate no microfone
de tanto medo que eu sentia. Pior foi quando a Mércia
teve que ir embora e eu assumi o Bate Papo Educativo, por que
eu era quem mais a auxiliava, fazia participações
nas entrevistas, então levei em consideração
todas as orientações que Caby me deu pelo tempo
que ele já tem em rádio e tentei fazer o melhor.
Sempre digo que ele é quem acredita em mim, me encorajando,
me dando oportunidade. A gente sabe que quando nos submetemos
a fazer algo assim, a gente se expõe a muitas pessoas
e que essas podem fazer todo tipo de crítica: boas ou
para te detonar. Televisão eu acho que assusta mais,
rádio pelo menos você fica guardadinha ali, conhecem
sua voz, mas talvez não te conheçam, por isso
eu me sentia mais à vontade.
AZOUGUE:
Quais eram os profissionais que você entrevistava com
mais freqüência no Bate Papo Educativo?
MELISSA MAGALHÃES: Sempre fiz muita questão
de levar profissionais compromissados, comprometidos, procurava
levar temas ao programa que fossem interessantes, que estivessem
sendo discutidos no momento, tem a época que as pessoas
são acometidas por viroses ou outros problemas. Então,
eu estava sempre buscando profissionais e isso me abriu um leque
muito grande de amizades, de conhecimento, pessoas que são
da minha área. Eu era muito feliz fazendo o Bate Papo
Educativo. Era uma coisa que eu fazia por prazer, uma vez por
semana, tanto por gostar de trabalhar informando, prevenindo
as pessoas, quanto por gostar de música. Passei cinco
anos (1999-2004) no rádio, mesmo depois que Caby saiu
continuei lá. Foi muito bom pra mim, me orgulho de ter
feito esse trabalho, apesar de às vezes achar que não
tinha ninguém ouvindo, mas a gente recebia muitas ligações.
Pessoas que elogiavam, outras que faziam perguntas e até
gente que ia lá para fazer uma breve ‘consulta’.
Infelizmente quando tem de haver mudanças a educação
nunca é prioridade. Houve uma mudança na direção
e na programação, como eu não tinha muito
contato com as pessoas que estavam assumindo, o programa não
foi prioridade. O programa acabou, eu aceitei, até porque
eu não tinha muito o que fazer. Surgiu até uma
oportunidade para mim na rádio Rural, mas os horários
não eram compatíveis com a minha profissão.
Tenho o rádio como uma coisa muito boa que me aconteceu,
mas ainda não tenho como assumir somente isso, até
porque a enfermagem é a minha profissão titular.
AZOUGUE:
Você fala muito no Ceará. Tem saudade da sua terra-natal?
MELISSA MAGALHÃES: Muita. Eu costumo dizer que
eu sou fácil de me adaptar aos lugares. Vim morar em
Mossoró e me acostumei aqui. Considero uma cidade boa,
apesar de ela não oferecer tudo que uma capital oferece,
porém ela dá muitas outras coisas que outro interior
menor não dá, sem ter aquela agitação,
sem aquela periculosidade. Logo eu sou uma pessoa muito caseira,
talvez se eu gostasse muito de sair não tivesse me adaptado
tão bem. A cidade oferece opções, mas umas
muito parecidas com as outras. Mas não posso julgar,
porque faz tempo que eu não saio, minha vida social tá
meio recolhida, vai que a cidade mudou muito e eu não
sei (risos).
AZOUGUE:
A enfermagem parece ter virado uma paixão para você.
Diga-nos, o que está faltando na saúde de Mossoró?
MELISSA MAGALHÃES: Acho que, em primeiro lugar,
a gente está precisando de melhores condições
de vida em geral. Temos visto que as coisas estão melhores,
em relação há tempos na saúde, isso
é no país todo. Só que as pessoas são
tão sofridas, são tantas as dificuldades, falta
de emprego, de comida, condições de moradia e
isso chega até a saúde. As pessoas estão
buscando atendimento e estão encontrando, embora algumas
digam que não. Mudar a saúde não seria
suficiente, porque pra se ter saúde precisa-se de outros
fatores. Moradia, alimentação seriam alguns desses
fatores. A dificuldade que eu tenho no meu trabalho é
a limitação. Eu vou à casa de alguma família
onde as crianças estão desnutridas. Falo tudo
que os pais devem fazer, mas como eles vão colocar as
minhas orientações em prática se eles não
têm nem o que comer. A mesma coisa é quem vai para
uma consulta e o médico passa os remédios para
serem tomados, porém a pessoa não tem dinheiro
para comprar. Você breca, não pode fazer mais nada,
chega a um ponto que não depende mais de você.
Tive um exemplo disso agora, fui visitar uma família
para dar orientações quando na verdade ela estava
precisando era de uma feira. Aquela mãe vai ficar sabendo
o que tem que fazer, mas ela não vai poder fazer nada
porque não tem condições. Às vezes
você se frustra tentando fazer um trabalho e não
consegue. Não por falta de profissionalismo, mas porque
você sozinho não pode fazer nada, falta tudo para
uma família como esta. Eu digo isso porque eu estou trabalhando
numa área tão precária agora que eu acho
que todo mundo deveria passar por isso um dia para deixar de
reclamar de coisas bobas da vida. Às vezes te falta uma
coisa tão supérflua e você reclama, porque
só enxerga quem pode ter, a gente não enxerga
o quanto a gente tem na frente dessas pessoas que não
tem nada. Nada mesmo, nem espírito, pois falta tanta
coisa que não tem equilíbrio. Para a saúde
falta o complemento das outras coisas. Não adianta investir
na saúde e esquecer do resto que é importante
também.
AZOUGUE:
E a gestão pública municipal em relação
à saúde você poderia dar a sua opinião?
MELISSA MAGALHÃES: Não posso falar muito.
Estou com quatro anos de formada ainda peguei um pouco da outra
administração, mas percebo que é uma continuidade.
Porém, novas administrações requerem mudanças
e sabemos que as mudanças causam um pouco de atraso até
que a coisa engrene e caminhe bem. A saúde está
bem monitorada, está se buscando o melhor a cada dia.
Eu que trabalho na área vejo a melhora. Estão
fazendo o possível para que as pessoas tenham o mínimo
de condições. Acho que deveria se ampliar a questão
de especialidades médicas para as pessoas que precisam
de um atendimento especializado no posto de saúde e são
encaminhadas. A maioria tem dificuldade de locomoção,
de bancar o tratamento. É necessário um maior
número de profissionais para dar conta do serviço
que tem demais. Mas, como falei, é uma continuidade e
as melhoras vão aparecer logo.
AZOUGUE:
Sempre dizem que os médicos costumam ter casos amorosos
com as enfermeiras. Já afirmaram isso ou já tiraram
esse tipo de brincadeira, visto que você é uma
mulher bonita? É comum esse tipo de relacionamento?
MELISSA MAGALHÃES: Em todas as profissões
existe um determinado grupo de profissionais. Se você
tem mais contato com médicos ou com pessoas da área
da saúde, é natural que haja um relacionamento,
assim como ocorre nas outras profissões, um engenheiro
ou arquiteto que trabalham juntos, então é o meio
em que você vive que proporciona os relacionamentos amorosos.
É muito mais fácil uma pessoa que trabalha na
saúde ter um relacionamento com outro da mesma área
do que um médico com um professor. Nada é impossível,
pois nos relacionamos com todos, mas quando se trabalha junto,
as chances aumentam. Quanto a ouvir falar, todo mundo ouve,
mas isso depende da abertura que você dá, você
pode ouvir uma vez e dependendo da postura que você tiver,
você irá escutar mais de uma vez ou não.
Em relação à beleza eu prefiro que digam
ou que achem a eu mesma achar, pois fico meio encabulada, mas
eu não sei! Às vezes eu acho que poderia melhorar
minha auto-estima, mas talvez isso prejudicasse, porque acho
muito chato alguém se achar demais, mesmo que seja, mas
é melhor que achem.
AZOUGUE:
A beleza ajuda ou atrapalha na sua profissão?
MELISSA MAGALHÃES: Sou um pouco tímida
para falar desse assunto, acho que beleza ajuda, depende de
como você usa essa beleza, pois tem gente que de tão
belo fica enjoado. Depende de cada pessoa, pois ninguém
agrada todo mundo e eu prefiro agradar pelo jeito de falar e
de tratar do que pela beleza ou pelo modo de vestir, tanto que
eu procuro ir o mais discreta possível para o meu trabalho,
porque eu não quero chamar a atenção pela
minha fisionomia ou pelo modo de vestir, e sim pelo meu trabalho,
por isso eu só uso calça jeans, blusa branca e
meu jaleco, que é com ele que eu me sinto protegida.
E algumas amigas brincam comigo e dizem que eu sou a enfermeira
mais bonita, ou que sou a ‘Barbie’ das enfermeiras
e eu digo que não quero ser a ‘Barbie’ das
enfermeiras e sim a enfermeira que se esforça e que trabalha.
AZOUGUE: Muitas vezes dizem que as loiras são
“menos” inteligentes que as morenas, já fizeram
esse tipo de brincadeira com você?
MELISSA MAGALHÃES: Muitas vezes, mas isso não
me atinge. Eu era loira, deixei de ser, agora sou à força
e isso não me incomoda nem um pouco. Mas é verdade,
já me disseram isso várias vezes, tanto que a
gente tem que entender tudo na hora, senão é logo
chamada de loira burra! Mas eu não me incomodo e continuo
sendo loira. Esse negócio de loira burra é culpa
do Gabriel O Pensador (risos).
AZOUGUE:
Na sua vida pessoal, você é vaidosa? Você
acompanha a moda ou fica de fora?
MELISSA MAGALHÃES: Eu me preocupo com minha
aparência, mas eu acho que poderia ser um pouco mais vaidosa,
para cuidar de mim mesma. Como eu só tenho irmãos
homens, muitas vezes quando eu me visto peço a opinião
deles. Se bem que são as mulheres que prestam a atenção
nos detalhes, mas eu tenho um irmão que sempre diz que
eu deveria ser mais vaidosa, a minha mãe, D. Iracema,
é altamente vaidosa que se preocupa em usar vários
cremes e vários produtos e eu não tenho isso,
e ele diz que eu não estou preocupada porque eu sou nova,
mas quando eu envelhecer vou me arrepender. Em relação
a acompanhar as modas eu não me preocupo, às vezes
eu tenho raiva de ser tão básica, sou daquelas
que botam um brinco na orelha e nunca troco, só agora
eu estou me modernizando mais um pouquinho. Mas quando me enfeito
demais não me sinto bem, por isso prefiro meu estilo
básico.
AZOUGUE:
E quanto a Melissa mãe desde os dezenove anos, como é
essa experiência?
MELISSA MAGALHÃES: Um susto, não? Um
susto que você enfrenta! Eu particularmente acho que enfrentei
bem, acho que até exagerei um pouquinho na dose. Um exemplo
foi quando viajamos a Patu, a bagagem era enorme, quase que
não cabe o resto do povo, só pra passar dois dias,
mas eu acredito que isso é coisa de mãe de primeira
viagem que não tem praticidade. Acho que incorporei tanto
esse papel de mãe que até esqueci outras coisas
que eu não podia ter deixado de lado, eu poderia ter
equilibrado. Sempre fui de estar presente, de assumir a responsabilidade
e procurei sempre cumprir minhas obrigações participando
das reuniões da escola, estando presente todos os dias,
ensinando a tarefa de casa e de tentar educar da melhor maneira.
Eu acredito que pessoas que têm mais filhos sabem o que
fazer com um o que não fez com o outro, mas tento educar
da maneira, da forma mais equilibrada e preparando ele para
enfrentar a vida, não superprotegendo, apesar de ser
mais difícil com o filho único, pois tudo meu
é pra ele e isso acaba dificultando as coisas.
AZOUGUE:
Quer ter outro?
MELISSA MAGALHÃES: Quero,
não sei quando! Até porque eu acho que é
importante para ele, não sou filha única e adoro
meus irmãos e acho que muito importante ter companhia
não só nas horas ruins, mas também nas
horas boas, pois é um apoio a mais que você tem
e mais companhia.
AZOUGUE:
O Ceará ou Rio Grande do Norte?
MELISSA MAGALHÃES: O Ceará. Nada contra
o Rio Grande do Norte, pois me adaptei muito bem, fui muito
bem acolhida, mas o Ceará é a minha terra-natal
e eu só tenho tudo de bom pra falar de lá, apesar
das dificuldades nordestinas serem as mesmas, mas a família
lá, a criação lá, um ambiente que
me agrada demais.
AZOUGUE:
Por você conviver com pessoas doentes e carentes, o azougue
gostaria de saber se isso lhe deixa triste e o que isso representa
para você?
MELISSA MAGALHÃES: Existem momentos que nós
nos sentimos com as mãos atadas, sem poder fazer alguma
coisa pelas pessoas. Na minha vida isso reflete na valorização
da minha vida, pois a gente enxerga as dificuldades dos outros
e percebe que ela não é uma vida ruim. Às
vezes acho que a minha é a melhor que tem.
AZOUGUE:
Quem é Deus pra você?
MELISSA MAGALHÃES: Deus representa a força
maior, eu sei que Ele é quem pode tudo e que modifica
tudo, Ele mostra por onde nós devemos seguir, entretanto
nós devemos fazer a nossa parte e não ficarmos
esperando somente por Ele. Eu sei que cada momento que nos estamos
passando foi predeterminado por Deus, pois nós temos
que passar por ali para que haja um amadurecimento ou uma mudança.
Por isso eu acredito que o Senhor é a força que
coordena a nossa vida.
AZOUGUE:
Deixe sua mensagem para os leitores do Azougue.
MELISSA MAGALHÃES: Com o meu amadurecimento
rápido e o que eu aprendi foi que a nossa felicidade
depende de nós mesmos, não que sejamos independentes,
pois não somos, mas essa dependência deve ser administrada
e a gente, com equilíbrio, tem que buscar de alguma maneira
driblar os obstáculos e buscar nossa felicidade. Portanto,
não devemos esperar que outras pessoas tragam a felicidade
e sim devemos nos esforçar para conquistar nossos desejos.
MELISSA
MAGALHÃES: Agora eu é que faço uma pergunta
ao Caby: por que eu?
aline@azougue.com
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