Mossoró-RN, de 2005
MENU
:: CABY
:: EMERY COSTA
:: SÉRGIO OLIVEIRA
:: ENTREVISTAS
:: GRAMÁTICA
:: ARTIGOS
:: MEDICINA
:: MULHER
:: MOSSOROENSES-OUT
:: CELEBRIDADES
:: CURIOSIDADES
:: O MANCHA
:: PRESEPADAS
:: PAISAGENS
:: PIADAS
:: LIÇÕES
:: MOSSORÓ MEU XODÓ
:: DO BUMBA
:: DA ÉPOCA
:: ANTIGAMENTE
:: OLHOVIVO
:: BONITAS & BELAS
:: O DESABONITADO
:: IDENTIDADE
:: NOTÍCIAS
:: ESPORTE
:: CAMARADINHA

 

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site

MELISSA MAGALHÃES

Desejando a todos muita folia e juízo neste carnaval, iniciamos a entrevista da página Mulher. Nossa entrevistada é a inteligente, loira de olhos verdes, simpática e uma profissional apaixonada pela enfermagem. Assim poderíamos começar a dizer alguma coisa sobre Melissa Magalhães, cearense que gosta muito de Mossoró. Ao longo da entrevista você saberá mais sobre esta jovem mulher que se dedica ao trabalho com muito amor e consegue conciliar a vida de enfermeira com a de mãe. Com vocês mais uma brava Mulher.

AZOUGUE: Apresente-se aos leitores do azougue.com.
MELISSA MAGALHÃES:
Meu nome completo é Melissa Magalhães de Melo, nasci em Fortaleza, sou cearense e enfermeira.

AZOUGUE: Faça um resumo da sua vida
MELISSA MAGALHÃES:
Minha infância foi maravilhosa, só tenho lembranças boas dela. Infância tranqüila, de muitas brincadeiras, estudando em colégio público. Com muito esforço da minha mãe, pois eu tenho mais três irmãos, ela foi morar comigo em Fortaleza. Acho que minha vida é a cada dez anos porque eu morei no interior do Ceará durante dez anos, depois fui para Fortaleza estudar, morei mais dez anos por lá, foi o tempo que eu casei e vim morar aqui em Mossoró e já estou aqui há oito anos.

AZOUGUE: E como você descobriu ou foi descoberta na área da comunicação?
MELISSA MAGALHÃES:
Quando eu cheguei a Mossoró as únicas pessoas que eu conhecia eram as da família do meu esposo. Eu ainda não tinha me formado, estava fazendo a Faculdade de Enfermagem pela Uern e me meti a fazer uma coisa que eu nunca imaginei que tinha capacidade para fazer, a convite do meu amigo Caby, que foi locução. Na época ele era diretor comercial da Santa Clara (FM 105), a gente se conheceu através da família do meu esposo. Não sei de onde ele tirou que eu tinha uma boa voz, uma boa dicção para fazer participações no rádio, mas fui. O programa que comecei a participar foi o Bate Papo Educativo, aos domingos, junto com a Mércia Nóbrega. Por mais que o nome do programa fosse Bate Papo Educativo ele era 99% sobre saúde, porque a carência da população é de tudo, inclusive de informação e nessa área a saúde é mais deficiente. Então, me encantei pelo projeto, porque eu sempre gostei de trabalhar com prevenção. Também participei do programa O Som do Caby. Ele ia esquentando as turbinas e me dando dicas de como eu deveria fazer, foi o meu orientador, professor, só não sei se aprendi direito. Sou amadora com isso até as últimas. No primeiro programa que fiz quase que o meu coração bate no microfone de tanto medo que eu sentia. Pior foi quando a Mércia teve que ir embora e eu assumi o Bate Papo Educativo, por que eu era quem mais a auxiliava, fazia participações nas entrevistas, então levei em consideração todas as orientações que Caby me deu pelo tempo que ele já tem em rádio e tentei fazer o melhor. Sempre digo que ele é quem acredita em mim, me encorajando, me dando oportunidade. A gente sabe que quando nos submetemos a fazer algo assim, a gente se expõe a muitas pessoas e que essas podem fazer todo tipo de crítica: boas ou para te detonar. Televisão eu acho que assusta mais, rádio pelo menos você fica guardadinha ali, conhecem sua voz, mas talvez não te conheçam, por isso eu me sentia mais à vontade.

AZOUGUE: Quais eram os profissionais que você entrevistava com mais freqüência no Bate Papo Educativo?
MELISSA MAGALHÃES:
Sempre fiz muita questão de levar profissionais compromissados, comprometidos, procurava levar temas ao programa que fossem interessantes, que estivessem sendo discutidos no momento, tem a época que as pessoas são acometidas por viroses ou outros problemas. Então, eu estava sempre buscando profissionais e isso me abriu um leque muito grande de amizades, de conhecimento, pessoas que são da minha área. Eu era muito feliz fazendo o Bate Papo Educativo. Era uma coisa que eu fazia por prazer, uma vez por semana, tanto por gostar de trabalhar informando, prevenindo as pessoas, quanto por gostar de música. Passei cinco anos (1999-2004) no rádio, mesmo depois que Caby saiu continuei lá. Foi muito bom pra mim, me orgulho de ter feito esse trabalho, apesar de às vezes achar que não tinha ninguém ouvindo, mas a gente recebia muitas ligações. Pessoas que elogiavam, outras que faziam perguntas e até gente que ia lá para fazer uma breve ‘consulta’. Infelizmente quando tem de haver mudanças a educação nunca é prioridade. Houve uma mudança na direção e na programação, como eu não tinha muito contato com as pessoas que estavam assumindo, o programa não foi prioridade. O programa acabou, eu aceitei, até porque eu não tinha muito o que fazer. Surgiu até uma oportunidade para mim na rádio Rural, mas os horários não eram compatíveis com a minha profissão. Tenho o rádio como uma coisa muito boa que me aconteceu, mas ainda não tenho como assumir somente isso, até porque a enfermagem é a minha profissão titular.

AZOUGUE: Você fala muito no Ceará. Tem saudade da sua terra-natal?
MELISSA MAGALHÃES:
Muita. Eu costumo dizer que eu sou fácil de me adaptar aos lugares. Vim morar em Mossoró e me acostumei aqui. Considero uma cidade boa, apesar de ela não oferecer tudo que uma capital oferece, porém ela dá muitas outras coisas que outro interior menor não dá, sem ter aquela agitação, sem aquela periculosidade. Logo eu sou uma pessoa muito caseira, talvez se eu gostasse muito de sair não tivesse me adaptado tão bem. A cidade oferece opções, mas umas muito parecidas com as outras. Mas não posso julgar, porque faz tempo que eu não saio, minha vida social tá meio recolhida, vai que a cidade mudou muito e eu não sei (risos).

AZOUGUE: A enfermagem parece ter virado uma paixão para você. Diga-nos, o que está faltando na saúde de Mossoró?
MELISSA MAGALHÃES:
Acho que, em primeiro lugar, a gente está precisando de melhores condições de vida em geral. Temos visto que as coisas estão melhores, em relação há tempos na saúde, isso é no país todo. Só que as pessoas são tão sofridas, são tantas as dificuldades, falta de emprego, de comida, condições de moradia e isso chega até a saúde. As pessoas estão buscando atendimento e estão encontrando, embora algumas digam que não. Mudar a saúde não seria suficiente, porque pra se ter saúde precisa-se de outros fatores. Moradia, alimentação seriam alguns desses fatores. A dificuldade que eu tenho no meu trabalho é a limitação. Eu vou à casa de alguma família onde as crianças estão desnutridas. Falo tudo que os pais devem fazer, mas como eles vão colocar as minhas orientações em prática se eles não têm nem o que comer. A mesma coisa é quem vai para uma consulta e o médico passa os remédios para serem tomados, porém a pessoa não tem dinheiro para comprar. Você breca, não pode fazer mais nada, chega a um ponto que não depende mais de você. Tive um exemplo disso agora, fui visitar uma família para dar orientações quando na verdade ela estava precisando era de uma feira. Aquela mãe vai ficar sabendo o que tem que fazer, mas ela não vai poder fazer nada porque não tem condições. Às vezes você se frustra tentando fazer um trabalho e não consegue. Não por falta de profissionalismo, mas porque você sozinho não pode fazer nada, falta tudo para uma família como esta. Eu digo isso porque eu estou trabalhando numa área tão precária agora que eu acho que todo mundo deveria passar por isso um dia para deixar de reclamar de coisas bobas da vida. Às vezes te falta uma coisa tão supérflua e você reclama, porque só enxerga quem pode ter, a gente não enxerga o quanto a gente tem na frente dessas pessoas que não tem nada. Nada mesmo, nem espírito, pois falta tanta coisa que não tem equilíbrio. Para a saúde falta o complemento das outras coisas. Não adianta investir na saúde e esquecer do resto que é importante também.

AZOUGUE: E a gestão pública municipal em relação à saúde você poderia dar a sua opinião?
MELISSA MAGALHÃES:
Não posso falar muito. Estou com quatro anos de formada ainda peguei um pouco da outra administração, mas percebo que é uma continuidade. Porém, novas administrações requerem mudanças e sabemos que as mudanças causam um pouco de atraso até que a coisa engrene e caminhe bem. A saúde está bem monitorada, está se buscando o melhor a cada dia. Eu que trabalho na área vejo a melhora. Estão fazendo o possível para que as pessoas tenham o mínimo de condições. Acho que deveria se ampliar a questão de especialidades médicas para as pessoas que precisam de um atendimento especializado no posto de saúde e são encaminhadas. A maioria tem dificuldade de locomoção, de bancar o tratamento. É necessário um maior número de profissionais para dar conta do serviço que tem demais. Mas, como falei, é uma continuidade e as melhoras vão aparecer logo.

AZOUGUE: Sempre dizem que os médicos costumam ter casos amorosos com as enfermeiras. Já afirmaram isso ou já tiraram esse tipo de brincadeira, visto que você é uma mulher bonita? É comum esse tipo de relacionamento?
MELISSA MAGALHÃES:
Em todas as profissões existe um determinado grupo de profissionais. Se você tem mais contato com médicos ou com pessoas da área da saúde, é natural que haja um relacionamento, assim como ocorre nas outras profissões, um engenheiro ou arquiteto que trabalham juntos, então é o meio em que você vive que proporciona os relacionamentos amorosos. É muito mais fácil uma pessoa que trabalha na saúde ter um relacionamento com outro da mesma área do que um médico com um professor. Nada é impossível, pois nos relacionamos com todos, mas quando se trabalha junto, as chances aumentam. Quanto a ouvir falar, todo mundo ouve, mas isso depende da abertura que você dá, você pode ouvir uma vez e dependendo da postura que você tiver, você irá escutar mais de uma vez ou não. Em relação à beleza eu prefiro que digam ou que achem a eu mesma achar, pois fico meio encabulada, mas eu não sei! Às vezes eu acho que poderia melhorar minha auto-estima, mas talvez isso prejudicasse, porque acho muito chato alguém se achar demais, mesmo que seja, mas é melhor que achem.

AZOUGUE: A beleza ajuda ou atrapalha na sua profissão?
MELISSA MAGALHÃES:
Sou um pouco tímida para falar desse assunto, acho que beleza ajuda, depende de como você usa essa beleza, pois tem gente que de tão belo fica enjoado. Depende de cada pessoa, pois ninguém agrada todo mundo e eu prefiro agradar pelo jeito de falar e de tratar do que pela beleza ou pelo modo de vestir, tanto que eu procuro ir o mais discreta possível para o meu trabalho, porque eu não quero chamar a atenção pela minha fisionomia ou pelo modo de vestir, e sim pelo meu trabalho, por isso eu só uso calça jeans, blusa branca e meu jaleco, que é com ele que eu me sinto protegida. E algumas amigas brincam comigo e dizem que eu sou a enfermeira mais bonita, ou que sou a ‘Barbie’ das enfermeiras e eu digo que não quero ser a ‘Barbie’ das enfermeiras e sim a enfermeira que se esforça e que trabalha.


AZOUGUE: Muitas vezes dizem que as loiras são “menos” inteligentes que as morenas, já fizeram esse tipo de brincadeira com você?
MELISSA MAGALHÃES:
Muitas vezes, mas isso não me atinge. Eu era loira, deixei de ser, agora sou à força e isso não me incomoda nem um pouco. Mas é verdade, já me disseram isso várias vezes, tanto que a gente tem que entender tudo na hora, senão é logo chamada de loira burra! Mas eu não me incomodo e continuo sendo loira. Esse negócio de loira burra é culpa do Gabriel O Pensador (risos).

AZOUGUE: Na sua vida pessoal, você é vaidosa? Você acompanha a moda ou fica de fora?
MELISSA MAGALHÃES:
Eu me preocupo com minha aparência, mas eu acho que poderia ser um pouco mais vaidosa, para cuidar de mim mesma. Como eu só tenho irmãos homens, muitas vezes quando eu me visto peço a opinião deles. Se bem que são as mulheres que prestam a atenção nos detalhes, mas eu tenho um irmão que sempre diz que eu deveria ser mais vaidosa, a minha mãe, D. Iracema, é altamente vaidosa que se preocupa em usar vários cremes e vários produtos e eu não tenho isso, e ele diz que eu não estou preocupada porque eu sou nova, mas quando eu envelhecer vou me arrepender. Em relação a acompanhar as modas eu não me preocupo, às vezes eu tenho raiva de ser tão básica, sou daquelas que botam um brinco na orelha e nunca troco, só agora eu estou me modernizando mais um pouquinho. Mas quando me enfeito demais não me sinto bem, por isso prefiro meu estilo básico.

AZOUGUE: E quanto a Melissa mãe desde os dezenove anos, como é essa experiência?
MELISSA MAGALHÃES:
Um susto, não? Um susto que você enfrenta! Eu particularmente acho que enfrentei bem, acho que até exagerei um pouquinho na dose. Um exemplo foi quando viajamos a Patu, a bagagem era enorme, quase que não cabe o resto do povo, só pra passar dois dias, mas eu acredito que isso é coisa de mãe de primeira viagem que não tem praticidade. Acho que incorporei tanto esse papel de mãe que até esqueci outras coisas que eu não podia ter deixado de lado, eu poderia ter equilibrado. Sempre fui de estar presente, de assumir a responsabilidade e procurei sempre cumprir minhas obrigações participando das reuniões da escola, estando presente todos os dias, ensinando a tarefa de casa e de tentar educar da melhor maneira. Eu acredito que pessoas que têm mais filhos sabem o que fazer com um o que não fez com o outro, mas tento educar da maneira, da forma mais equilibrada e preparando ele para enfrentar a vida, não superprotegendo, apesar de ser mais difícil com o filho único, pois tudo meu é pra ele e isso acaba dificultando as coisas.

AZOUGUE: Quer ter outro?
MELISSA MAGALHÃES:
Quero, não sei quando! Até porque eu acho que é importante para ele, não sou filha única e adoro meus irmãos e acho que muito importante ter companhia não só nas horas ruins, mas também nas horas boas, pois é um apoio a mais que você tem e mais companhia.

AZOUGUE: O Ceará ou Rio Grande do Norte?
MELISSA MAGALHÃES:
O Ceará. Nada contra o Rio Grande do Norte, pois me adaptei muito bem, fui muito bem acolhida, mas o Ceará é a minha terra-natal e eu só tenho tudo de bom pra falar de lá, apesar das dificuldades nordestinas serem as mesmas, mas a família lá, a criação lá, um ambiente que me agrada demais.

AZOUGUE: Por você conviver com pessoas doentes e carentes, o azougue gostaria de saber se isso lhe deixa triste e o que isso representa para você?
MELISSA MAGALHÃES:
Existem momentos que nós nos sentimos com as mãos atadas, sem poder fazer alguma coisa pelas pessoas. Na minha vida isso reflete na valorização da minha vida, pois a gente enxerga as dificuldades dos outros e percebe que ela não é uma vida ruim. Às vezes acho que a minha é a melhor que tem.

AZOUGUE: Quem é Deus pra você?
MELISSA MAGALHÃES:
Deus representa a força maior, eu sei que Ele é quem pode tudo e que modifica tudo, Ele mostra por onde nós devemos seguir, entretanto nós devemos fazer a nossa parte e não ficarmos esperando somente por Ele. Eu sei que cada momento que nos estamos passando foi predeterminado por Deus, pois nós temos que passar por ali para que haja um amadurecimento ou uma mudança. Por isso eu acredito que o Senhor é a força que coordena a nossa vida.

AZOUGUE: Deixe sua mensagem para os leitores do Azougue.
MELISSA MAGALHÃES:
Com o meu amadurecimento rápido e o que eu aprendi foi que a nossa felicidade depende de nós mesmos, não que sejamos independentes, pois não somos, mas essa dependência deve ser administrada e a gente, com equilíbrio, tem que buscar de alguma maneira driblar os obstáculos e buscar nossa felicidade. Portanto, não devemos esperar que outras pessoas tragam a felicidade e sim devemos nos esforçar para conquistar nossos desejos.

MELISSA MAGALHÃES: Agora eu é que faço uma pergunta ao Caby: por que eu?

aline@azougue.com

 

Site melhor visualizado com I.E. 5.0 ou posterior e 800x600px
Copyright©, 2004-2006 www.azougue.com - Todos os Direitos Reservados
Projeto - Caby da Costa Lima