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CLAUDINHA PINTO
Azougue – Na infância, a Claudinha sempre foi aquela menina boazinha?
Cláudia Pinto – Duvido que alguém possa dizer o contrário. Brincar de bonecas, estudar, ir dormir no horário determinado e presentes no meu dicionário sempre sim papai, sim mamãe. Desafio à vizinhança dizer o contrário. Vá lá, Caby, e peça o testemunho dos vizinhos. A rua em que eu morava, a Monsenhor Mota, merece estar no Guiness Book, tem apenas cinco casas (risos). Tá vendo, ninguém vai dizer que eu joguei pedras em vidraças e outras molecagens que uma criança costuma fazer.
Azougue – Muito quieta e sem vizinhança, certamente que o 1º namorado demorou a chegar?
CP – Aí vem o grande engano, eu comecei a namorar aos 13 anos de idade. Nós estudávamos no Colégio Diocesano Santa Luzia e era aquele namoro de vez por outra permitir que ele pegasse na minha mão. O felizardo (risos) foi o meu amigo, Lira, diretor da loja Lira Móveis.
Azougue – Os sinais de sonhos profissionais quando começaram a acontecer?
CP – Na adolescência eu comecei a descobrir o meu lado independente. Mesmo sem uma opinião formada sobre exatamente o que fazer e qual caminho seguir, enfim não residia ainda nenhum pensamento que pudesse ser qualificado como sólido. Eu queria apenas trabalhar, ser útil, aos poucos mirei para a arquitetura e também administração. O meu pai, essa figura humana linda e por demais identificada em Mossoró, José Cláudio Queiroz Pinto, iniciou a construção do Hotel Imperial, período em que eu estava concluindo o 2º grau e aí então resolvi me atracar de vez com o curso de administração, simultaneamente dando os primeiros passos profissionais no ramo de hotelaria.
Azougue - Inaugurado o Hotel Imperial, você já estava no batente?
CP – A inauguração se deu no ano 1989 e eu ficava observando como as coisas aconteciam, fascinada por aquele mundo que ia se ampliando. Busquei alguns cursos no Senac, consegui espaços como uma espécie de estagiaria nos hotéis São Luiz, Thermas, paralelamente eu varria apartamentos, o restaurante, rondava sempre a cozinha. Enfim, eu queria saber pelo menos um pouco de tudo, e olha que consegui muita coisa. Eu varro bem (risos) e por aí vai.
Azougue – Nesta fase, muitos obstáculos?
CP – Somente aqueles que podemos classificar como naturais, normais, e no duro mesmo a dificuldade maior era chegar e provar para o meu pai que eu já tinha absoluta condição de dirigir a empresa. E aquele cidadão amigo, que completou no último dia 20 de março, 80 anos de idade, me deu carta branca, lógico que o seu olho clínico sempre funcionava. O resultado é que realmente já estou nesta parada há 21 anos.
Azougue – Seus olhos se voltam mais para qual departamento do Hotel Imperial?
CP – Todos. Indiscutivelmente todos, porém entendo que a recepção é uma das maiores marcas de qualquer empresa, e em um hotel, então, o funcionamento deve ser impecável. Eu vejo como muito carinho essa área e não sou de permitir erros.
Azougue – Mossoró está bem servida de hotéis?
CP – Sem dúvidas, muito bem servida. Quem vem vivenciar momentos de lazer ou de negócios com certeza será muito bem acolhido e programa retorno para o mais breve possível.
Azougue – Qual a capacidade anual de lotação do Hotel Imperial?
CP – Posso até falar de maneira generalizada que a média atinge ao patamar dos 60%, existindo picos extraordinários para os meses de junho e dezembro, com a marca chegando aos 100%.
Azougue – E a ideia de montar a Officiale, como aconteceu?
CP – O Hotel Imperial estava sob controle, com o detalhe que eu já peguei tudo pronto. Sem nunca ter externado, sempre pensei em ter um negócio verdadeiramente meu. De repente eu fui a uma feira de franquias em São Paulo, conheci uma mulher que namorava o dono de uma grife no Rio de Janeiro, que estava, como se diz na gíria, bombando, e aí nasceu o canal que serviu para a chegada da Officiale. Em setembro de 2004, no Shopping Liberdade, nós inauguramos a boutique Officiale que, graças a Deus, vai muito bem obrigado.
Azougue – O que consegue tirar a tranquilidade de Claudinha Pinto?
CP – A falta de educação, principalmente quando o péssimo comportamento é direcionado a uma pessoa idosa. Eu sei que vou me emocionar ao comentar o assunto, mas este tipo de sentimento aumentou de maneira considerável depois que o meu pai passou por recentes problemas de saúde, vivendo 100 dias de permanência em hospitais, sendo 45 deles em uma UTI. Nos corredores dos hospitais convivi com pessoas que tinham um processo mais sofrível que o meu, outras, um pouco menor e mesmo nos momentos de muita agrura o “respeito” era o cartão de identidade de todos. Senti naqueles instantes o “cheiro de gente, os valores do humano, o tamanho das pessoas” que não se curvavam a tantas dificuldades, que encarava situações adversas com muita dignidade, me fez crescer muito, daí o fato de jamais eu compactuar com o desrespeito a quem quer que seja, repito, principalmente com o idoso.
FIM.
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