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GEÓRGIA NERY

Azougue – Você nasceu em Sergipe, porém muito jovem veio para Natal. Por que a mudança?

A família do meu pai mora em Sergipe e da minha mãe em Natal. Pelo fato da minha mãe ter sido transferida para Natal acabamos vindo para a cidade, onde estudei os primeiros anos da minha vida.

Azougue – Como se deu a sua primeira atividade profissional?

Assim que passei no vestibular me candidatei a uma vaga de estagiária do Banco do Brasil, na agência do Natal Shopping. Ainda no primeiro ano de faculdade recebi o convite do então professor de jornalismo e superintende da TV Tropical, Jânio Vidal, para estagiar na emissora. Lembro-me bem, comecei a trabalhar no dia 27 de dezembro de 1999. Já se passaram quase dez anos. A TV Tropical me ensinou muito. Passei por vários setores, começando pelo arquivo até a edição e a apresentação dos telejornais da emissora.

Azougue – Muito jovem ainda já em São Paulo. Esse foi o grande “sinal” que você queria mais?

Não posso dizer que foi por acaso, mas de certa forma as coisas conspiraram para isso. Fazia uma participação semanal em rede nacional, na época no Fala Brasil, depois enviei algumas reportagens para o Repórter Record e quando surgiu uma oportunidade acabei abraçando essa possibilidade de morar fora de Natal por um tempo, ter uma experiência diferente, mas sempre na intenção de voltar e construir a vida ao lado das pessoas que mais amo.

Azougue – Detalhe-me situações que a jornalista Geórgia viveu na Paulicéia e os seus grandes ensinamentos?

Acredito que meu grande aprendizado foi pessoal. Primeiro pela experiência, ainda muito jovem, longe da família, dos amigos, sem nenhum controle da cidade, sem saber para onde ir, como chegar. Sabe aquela história de ter que se virar mesmo. E depois, a experiência profissional. Conheci muitas pessoas em situação delicada, pobreza, miséria, falta de oportunidades. Não que no Rio Grande do Norte não tenha isso, mas a proporção é diferente. Inclusive em relação à violência. Também fiz muitos amigos. Tem uma história engraçada. Lá, vários jornalistas potiguares se reuniam e mantinham vivas as tradições nordestinas e o bom papo para matar as saudades.

Azougue – Das muitas lições em São Paulo, qual o grande professor?

Na área jornalística quem me deu todas as oportunidades foi o então diretor Luiz Gonzaga Mineiro. Ele valorizava a diversidade de sotaques na grade da Rede Record. Depois ainda trabalhamos juntos na agência de publicidade Duda Mendonça, uma grande coincidência. Eu já estava fazendo campanha política quando ele chegou para coordenar o núcleo.

Azougue – Por que o retorno a Natal?

Já fui com a data do casamento marcada. Voltei na época para organizar a cerimônia e retomar os projetos que havia paralisado em função da nova experiência.

Azougue – Atualmente quais são as suas reais atividades jornalistas e, dentre elas, a que mais lhe satisfaz?

Olha, fica difícil dizer qual a que mais me satisfaz. Brinco que ainda não descobri minha vocação dentro do jornalismo porque gosto de fazer quase todas as atividades da profissão. Atualmente trabalho como apresentadora da TV Ponta Negra, no Jornal do Dia, sou da assessoria de imprensa da Assembléia Legislativa e escrevo a minha coluna no portal de notícias Nominuto.com e no jornal Nasemana.

Azougue – O Rio Grande do Norte tem bons comunicadores na área televisiva? Quais os que ocupam os primeiros patamares?

Assim você me coloca numa situação difícil (risos). O Rio Grande do Norte tem excelentes profissionais na área da comunicação. Um exemplo é o jornalista Alan Severiano. Ele trabalhou na TV Universitária, em Natal, depois na TV Cultura, de São Paulo, e hoje é repórter do Jornal Nacional, da Globo. Sem falar em outros nomes que atuam no mercado local com muita competência e profissionalismo.

Azougue – Quem está na linha de frente dos apresentadores. A ala feminina ou o bloco masculino?

A ala feminina está dominando o mercado. Talvez até pela falta de interesse dos homens em atuarem na área televisiva. As emissoras de TV têm uma grande dificuldade de contratar homens para a função. Mas acho que isso está mudando. Vejo o exemplo da TV Ponta Negra que muitos estagiários desejam uma oportunidade no vídeo.

Azougue – Indiscutivelmente você é uma mulher bonita. Esse fator é fundamental na telinha?

O que mais pesa é a competência, o profissionalismo. Isso é o fundamental. A beleza passa, o conhecimento é o que fica.

Azougue – O que Geórgia quer mais?

Eu quero aprender. Ter saúde para ver meu filho crescer e quem sabe aumentar a família. Quero as pessoas que amo por perto. A minha realização profissional. Ser respeitada como cidadã. Ver um mundo melhor. Crianças felizes, bem alimentadas. Desejo o fim da pobreza e da violência. É muito? Creio que sim. Mas temos que ter esperança de dias melhores, de um mundo melhor.

Azougue – Finalizando: como é a Geórgia, esposa e mãe?

Uma mulher que zela por sua família. Cuida dos detalhes. Divide-se entre o trabalho e os afazeres domésticos. Gosto de ficar em casa, dar atenção a minha família. Tenho muito a agradecer a Deus pelos privilégios de cada dia. Desde as coisas mais simples. Você já parou para pensar que elas são as mais preciosas? O sorriso do meu filho é o combustível para um dia inteiro de trabalho. Saber que vou encontrar ele e meu marido quando voltar para casa me dá ânimo para seguir uma rotina exaustiva, porém gratificante.

E-mail; georgianery@nominuto.com

 

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