Traficantes
de alta periculosidade chegam para cumprir pena em Mossoró
Já era noite quando os traficantes
Fabiano Atanásio da Silva, o "FB", e Luiz
Cláudio Serrat Correa, o "Claudinho CL", chegaram
a solo mossoroense, onde ficaram detidos no Presídio
Federal de Mossoró por tempo indeterminado. Eles saíram
por volta das 13h45 (horário de Brasília), do
aeroporto Antonio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, escoltados
por 25 agentes federais e entregues ao serviço de inteligência
do Sistema Penitenciário Federal, local. Ao todo, 55
homens estiveram envolvidos na transferência dos traficantes.
A
vinda dos traficantes para Mossoró foi
uma solicitação da Secretaria Estadual de Administração
Penitenciária (Seap/RJ) e autorizada pelo Tribunal de
Justiça do RJ, que deferiu o pedido de remoção
na última segunda-feira. Os dois presos se juntarão
a outros traficantes de alta periculosidade do Rio, que já se
encontram cumprindo pena na instituição penal
mossoroense, entre eles, Fernandinho Beira-Mar e Patrick do
Vidigal.
Segundo
informações, por volta das 19h
o avião
da PF pousou no aeroporto Dix-sept Rosado de Mossoró,
com Fabiano e Claudinho, que foram recepcionados por um alto
esquema de segurança montado por agentes do Presídio
Federal e policiais federais. Mais de 30 homens escoltaram
os traficantes a sua nova casa. Fabiano FB é um dos líderes do Comando Vermelho
e acusado de ordenar a derrubada de um helicóptero da
Polícia Militar em 2010. Claudinho CL é acusado
de matar o diretor de uma penitenciária em São
Paulo. Os dois foram presos na última sexta-feira em
Campos do Jordão (SP) e levados para o Rio de Janeiro,
onde ficaram presos em Bangu I, sem direito a visitas ou banho
de sol.
Prefeitura
de Mossoró e Governo do Estado estão acima do limite prudencial
O
Governo do Estado e a Prefeitura Municipal de Mossoró encerram
2011 com os gastos com pessoal acima do limite prudencial
imposto pela Lei
de Responsabilidade
Fiscal (LRF).
A
administração estadual encerrou
o ano com 48,35% do que arrecada sendo gasto com pessoal.
A LRF considera
acima do limite quando uma gestão destina mais de
46,55% de sua receita com salários de servidores.
Assembleia Legislativa também ultrapassou o limite
de gastos com pessoal. Enquanto que o Tribunal de Justiça
e o Ministério Público seguem abaixo do limite.
A
situação coloca em xeque
os acordos firmados pela governadora Rosalba Ciarlini (DEM)
com praticamente todas as categorias do serviço público. É o
que afirma o secretário-adjunto de Planejamento José Lacerda
Felipe. "Há uma possibilidade de a gente rever
esses acordos", analisou.
Em
contato com o jornal O Mossoroense, o secretário
declarou que a administração estadual lutará para
ainda no primeiro quadrimestre de 2012 resolver o problema. "Estamos
numa luta diária para isso, mas é difícil",
admitiu.
Para
o líder da oposição Fernando
Mineiro (PT), a situação é fruto
do estilo adotado pela atual gestão. "Os
números
mostram que o governo ficou na superficialidade e não
enfrentou os reais problemas de gestão do Estado.
Passou o ano usando a LRF como desculpa e não
tocou nos altos salários,
por exemplo", acrescentou.
O
petista previu um novo ano de embates entre governo e servidores
diante do quadro
atual. "Pelo andar da carruagem, o
governo Rosalba também usará, em 2012,
o argumento dos limites da Lei de Responsabilidade
Fiscal para não
cumprir os planos de cargos dos servidores. Ano passado,
usaram e abusaram do discurso sobre a 'herança
do governo passado' para justificar o imobilismo. Qual
será o
mote para 2012?", concluiu.
PREFEITURA
O
relatório publicado no relatório do Jornal
Oficial do Município (JOM) na edição
de 31 de janeiro mostrou a Prefeitura de Mossoró bem
acima do limite prudencial. De acordo com os próprios
números do Executivo municipal, os gastos
com folha de pagamento estão bem acima do
que determina a LRF. Em 2011, a Prefeitura de Mossoró gastou
R$ 187 milhões
com pessoal, sendo que o limite prudencial determina
que a folha de pagamento não ultrapasse
R$ 92 milhões.
A
reportagem do jornal O Mossoroense fez contato com a Gerência
Executiva de Comunicação da Prefeitura
de Mossoró,
que indicou a secretária municipal de
Planejamento Jacqueline Amaral e o procurador
do município
Olavo Hamilton. Foram feitos vários contatos
telefônicos,
mas eles não atenderam nem retornaram
as ligações.
O
líder da oposição
Genivan Vale (PR) alertou para o fato de antes
de Fafá Rosado chegar
ao Executivo, a Prefeitura estar com folga. "A
Prefeitura estava entre 40 e 42% com gastos em
folha de pessoal. É interessante
a Câmara cobrar uma explicação
da prefeita e cobrar medidas saneadoras",
destacou.
Morre
o historiador e folclorista areia-branquense Deífilo Gurgel
Reportagem
Luciano
Oliveira
O
Rio Grande do Norte perdeu no início
da tarde de ontem, 1º, um dos mais importantes folcloristas
da atualidade: morreu Deífilo Gurgel, 85, natural
de Areia Branca. Ele estava internado no hospital Papi,
em Natal, desde o dia 23 de janeiro.
Deífilo
passou por uma cirurgia em maio passado para extrair um
tumor
benigno na próstata, mas o procedimento
não é apontado como a causa da morte. Ele
havia sido internado por desidratação e
início
de desnutrição.
Embora
residisse em Natal desde os 18 anos de idade, Deífilo
Gurgel mantinha um vínculo muito próximo
com Areia Branca, sua cidade natal, onde deixa muitos
amigos.
Ele costumava dizer que vinha a esta cidade para sorver
cultura, pois os bate-papos com os amigos e conterrâneos
lhes serviam de inspiração.
Apesar
dos seus 85 anos de idade, era lúcido, criativo
e cada vez mais apaixonado pelas letras.
Ao
seu rico currículo, além de folclorista,
historiador, escritor e poeta pode-se acrescentar
que Deífilo
Gurgel era bacharel em Ciências Jurídicas
e Sociais pela Faculdade de Direito de Natal, exerceu
as funções
de diretor do Departamento de Cultura da Secretaria
Municipal de Educação e Cultura (SMEC),
de Natal; diretor de Promoções Culturais
da Fundação
José Augusto (FJA); professor de Folclore
Brasileiro na Universidade Federal do Rio Grande
do Norte (UFRN). Poeta,
jornalista, Deífilo Gurgel publicou várias
obras.
Numa
das suas últimas entrevistas
concedidas ao O Mossoroense, Deífilo Gurgel
falou que havia dedicado 40 anos da sua vida às
pesquisas, período em
que percorreu e conheceu todo o Rio Grande do
Norte. Essas andanças resultaram em mais
de uma dezena de livros publicados.
Os
primeiros títulos (como o autor gostava de chamar)
foram livros de poesia. O primeiro foi "Cais
da Ausência", "Os
Dias e as Noites", "7 Sonetos do
Rio e Outros Poemas" e,
ainda de poesia, "Os Bens Aventurados".
De folclore a lista é mais extensa: "Danças
Folclóricas
do Rio Grande do Norte", "João
Redondo - Teatro de Bonecos do Nordeste", "Romanceiro
de Alcaçus", "Manual do Boi
Calemba", "Espaço
e Tempo do Folclore Potiguar". Fora os
dois estilos, poesia e folclore, ele publicou
o livro "Areia
Branca - A Terra e a Gente", que ele classificou
como sendo um ensaio sobre a sua terra.
No
ano passado, Deífilo Gurgel publicou um
novo livro sobre as tradições
folclóricas do município
de São Gonçalo do Amarante,
intitulado "São
Gonçalo - O País do Folclore",
lançado
dentro do aniversário de 300 anos
daquele município.
O
prefeito de Areia Branca, Manoel Cunha Neto, "Souza" (PP),
decretou luto oficial no município
por três
dias, a contar da data de ontem, pelo falecimento
de Deífilo
Gurgel.
No
decreto o gestor justifica que a homenagem é em
consideração ao elevado sentimento
de que se revestiam as ações
de Deífilo Gurgel,
de destacável importância
cultural, adicionado ao amor que nutria
pela cidade onde nasceu,bem como sua participação
em diversos setores da sociedade potiguar
e os predicados e a indiscutível
importância do filho da terra,
cidadão e honrado chefe da família
com a qual conviveu por décadas.
Última
obra está em fase de acabamento gráfico
O
folclorista se preparava para lançar o seu último
livro, "Romanceiro Potiguar", que ainda está na
gráfica, pronto para sair. Foram 10 anos de pesquisas,
de 1985 a 1995. A obra, que faz referência aos cantos
de Dona Militana Salustino do Nascimento, considerada a maior
Romanceira do
Brasil, que morreu aos 85 anos de idade, foi publicada com
patrocínio da Fundação José Augusto
(FJA) e reúne 300 romances medievais, cantos de incelências
coletados entre 1985 e 1995.
Curiosamente,
muitos potiguares não avaliam a importância
do trabalho do folclorista Deífilo Gurgel. Nem a
profundidade e a dimensão da sua poesia. E por ironia,
ele não
figurava sequer entre os imortais da Academia Norte-Rio-Grandense
de Letras.
No
ano passado, ele apenas apareceu entre os mais cotados
para ocuparem as próximas cadeiras
deixadas por João
Batista Cascudo Rodrigues e Nelson Patriota. O fato se
configura uma grande injustiça para com um dos
mais respeitados intelectuais do Estado.
Alvo
de constantes homenagens, Deífilo Gurgel colecionou
títulos honrosos, conquistados graças ao
reconhecimento do seu trabalho. Entre as obras voltadas
para a sua terra
natal, a mais completa, talvez, seja o livro "Areia
Branca - a terra e a gente". Um documento onde Deífilo
Gurgel resgata a história do município
e que hoje é utilizado como fonte de pesquisa
pelos estudantes.
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