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SOMOS UM PAÍS FELIZ II – MPB NELSON GONÇALVES E ÂNGELA MARIA

Vivo fosse, o cantor e compositor Nelson Gonçalves (nome artístico do gaúcho de Santana do Livramento, Antônio Gonçalves Sobral), filho de portugueses, estaria com 96 anos de idade, mas ele nos deixou, em 18 de abril de 1998, com quase 80 anos de vida, mas viverá para sempre o que tinha de mais importante nele - a voz.

Ela continua trovejante e límpida em mais de 85 milhões de discos/cds que já foram vendidos até hoje, só perdendo, na América do Sul, para os também brasileiros, a dupla Tonico e Tinoco com 150 milhões de cópias e para a sua majestade rei Roberto Carlos com 130 milhões. E aí vale o deleite para solvermos centenas de canções do imortal Nelson, como “A Volta do Boêmio”, “Normalista”, “Caminhemos”, “Maria Betânia”, “Renúncia”, “Última Seresta”, “Meu Vício é Você”, “Deusa do Asfalto”, “Escultura” e tantas outras, em uma rica parceria com Adelino Moreira, Herivelto Martins, Davi Nasser e Benedito Lacerda. Assistí, embevecido como seu fã, quando jovem, início dos anos 1960, sua primorosa apresentação noturna no auditório do Cine Caiçara/Rádio Difusora, guiado pelo grande e saudoso radialista Genildo Miranda, casa lotada, todos, homens, mulheres, velhos e jovens, o aplaudindo de pé, cadeiras em descanso, e aí está, lúcido e fagueiro, com o mesmo entusiasmo, o nosso grande cantor e seresteiro, apreciador da boa música, mesmo octogenário Francisco Alves , o Xixico Alves mossoroense, somando lá no seu acolitado. Anos depois, final da década de 80, voltei a me extasiar com sua presença em Mossoró, na à época façanhosa Panizaria Hut, do português José Patrício Francisco, também com casa cheia. Nelson com sinais do início da velhice, gagueira ao falar, voz retilínea ao cantar, entoando os seus tão consagrados sucessos. Havia acabado de se recuperar da sua fase infeliz de convivência com as drogas. A cada música cantada, e com os mesmos entusiásticos aplausos, pedia uma nova xícara de café amargo, em plena festa. Dos subúrbios do Rio de Janeiro, para aonde migrou jovem, até à consagração de crooner principal do cassino do Copacabana Palace Hotel, gravando na RCA Victor, e cantando nos filmes da Atlântida Cinematográfica, com viagens pelo Brasil e pelo mundo, as mudanças aconteceram, mas as vibrações vocais ao cantar nunca sofreram alterações. Nelson, o boêmio, conseguiu reunir vários apelidos e títulos tais como, Rei do Rádio, Metralha (por ser gago), malandro, rouxinol, Frank Sinatra brasileiro, cantor macho, herói etc. Somente o tempo e o distanciamento histórico necessários para se entender melhor a dimensão e importância de Nelson Gonçalves para a música brasileira. Muita coisa precisa ser feita a seu respeito. Há, incontroversamente, uma certeza, no rádio ele foi o maior.

ÂNGELA MARIA (A SAPOTI)
Nasceu em 13 de maio de 1929, Macaé-RJ., hoje 86 anos de vida, com o nome pouco usual de Abelim Maria Cunha, já com 70 anos de estrada artística continuada, tendo sido descoberta quando era tecelã em uma fábrica de tecidos. Ao lado de Elis Regina (a maior cantora brasileira de todos os tempos), Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Nora Ney, Maysa Matarazzo e Dolores Duran formou o hepteto (como saudade, tem sete letras) dos grandes nomes femininos da música no Brasil, embora tenhamos outras muitas no nosso muito frufrulhar. Gravou inúmeros sucessos, de ontem e que serão ainda repetidos muito para o amanhã. Como exemplos, Não Tenho Você, Babalu, Cinderela, Moça Bonita, Vá, mas Volte, Garota Solitária, Falhaste Coração, Canto Paraguaio, A Noite e a Despedida, Gente Humilde, Lábios de Mel, Rio Fantasia e Caminho da Esperança, fazendo bonito também no cinema dos anos 50,60 e 70. Bonita de rosto, baixinha, com ginga apurada e voz de veludo, Ângela Maria esteve aqui em Mossoró, anos sessenta, também pela pioneira Rádio Difusora, trazida por Genildo e Paulo Gutemberg, (eles fizeram história no rádio), acompanhada por um conjunto musical local, do qual participavam Totoezinho e Oswaldo Silva, dentre outros, ao qual, ao final da sua consagração local, prestou elogios e reverência pelo refino do valor dos seus acompanhantes. Acredito que tenha voltado outras vezes, mas na minha retina está presente a sua estréia. Ângela sempre contou em entrevistas ter sofrido na vida pessoal. A cantora foi casada com seis maridos e teve muitos namorados, e revela que sempre sofreu na mão de todos eles, humilhações e até agressões físicas, contando que isso interferiu na sua carreira. A cantora revela que já tentou o suicídio. Conta que quase perdeu tudo, já que seu patrimônio era administrado por seus assessores, que mesmo ela dando o dinheiro a eles, os empresários não pagavam suas contas e a roubavam constantemente. Em 1967, desesperada com sua vida, fugiu do Rio para São Paulo, e aí que passou a ser cada vez mais roubada, não dava sorte e sempre encontrava empresários golpistas, e até namorados ladrões, porém deu a volta por cima anos depois, mas ficou muito tempo vivendo em grande pobreza, ganhando muito pouco, cantando em boates de perfil inferior ao seu talento, e tendo que complementar a renda fazendo faxina para sobreviver. Ângela Maria revelou muitas vezes que seu melhor amigo sempre foi Cauby Peixoto e que tem uma grande admiração por Dalva de Oliveira.. Ela nos ensinou que a vida é “Como uma Onda”, portanto, “Nada do que foi será, De novo do jeito que já foi um dia, Tudo passa, Tudo sempre passará, A vida vem em ondas Como um mar , Num indo e vindo infinito, Tudo que se vê não é Igual ao que a gente Viu há um segundo, Tudo muda o tempo todo No mundo, Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia ,Tudo passa, Tudo sempre passará”. Meu caro leitor, hoje vamos acreditar fielmente que o Brasil vai mudar, não podemos fizer em corrupção governamental, o povo tem que ver com os olhos da seriedade, é imperioso intuir que vamos, talvez a partir de 2017 para dias melhores. Aprendamos, pois, como na veracidade da música.

Caminharemos juntos rumo à nossa melhor felicidade. Da combinação harmoniosa dos sons à política, de governos às oposições. Você concorda comigo? Basta insaciáveis! Tenhamos espírito público, cada um no cumprimento do seu papel, no pódio, ou mais embaixo para, reunidos com uma população hoje que ascende a 205 milhões de pessoas, vivermos ideais republicanos. O fenomenal Chico Buarque, já que estamos na MPB, nos ensinou em Vai Passar, “Num tempo, Página infeliz da nossa história, Passagem desbotada na memória, Das nossas novas gerações, Dormia A nossa pátria mãe tão distraída, Sem perceber que era subtraída Em tenebrosas transações”.

ELVIRO REBOUÇAS É ECONOMISTA E EMPRESÁRIO

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