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STELLA MARIS MARQUES FREIRE DE MEDEIROS ROSADO
Azougue – Desde criança, o sonho de ser veterinária?
Stella Maris – Sim e credito essa vocação ao fato de também ter sido criada pelos meus avós maternos, que tinham uma ligação muito forte com o meio rural, nascendo então um carinho todo especial pelos animais. Já cursando faculdade, descobri que não era exatamente o animal de pequeno porte que me fascinava. Eu tinha atenções muito voltadas para os conhecidos reprodutores. Eu percebi que montar uma clínica e tratar de cães e gatos não era exatamente o que eu queria e também atentei que a minha estrutura física não permitia estar medicando uma vaca, um cavalo, que são considerados animais de grande porte, animais de produção. À medida que o tempo foi passando, o sentimento pela avicultura foi tomando conta de mim. Confesso que me senti literalmente encantada, apaixonada por esse universo. Cursei a Faculdade de Veterinária em Fortaleza, recebi propostas para ficar por lá, só que exatamente naquele período a minha família já explorava a Granja São Camilo e eu retornei com o único objetivo de somar, ao lado dos pais, na administração da empresa e numa dessas bonitas gargalhadas do destino, estava sendo aberto o curso de Veterinária na Esam, hoje Ufersa. Fiz a minha inscrição para a cadeira de Imunologia, que está diretamente ligada a minha especialidade que é a Ornito Patologia, que, trocando em miúdos, é a prevenção de doenças em aves.
Azougue – No mesmo período você também buscou o curso de Administração?
Stella Maris – Sim, e com o detalhe de que todos praticamente em igual data. Fui aprovada em ambos e cheguei a cursar o 1º período de Administração, porém era estafante atuar nos distintos segmentos e o meu apelo maior era a veterinária. Tranquei o curso de Administração e segui os passos do que mais me atraía, aquele por quem meu ‘feeling’ tinha mais azougue.
Azougue – Muito jovem numa sala de aula, só que na condição de professora. Fascinante a situação?
Stella Maris – Por demais fascinante, principalmente quando você observa alunos com idade de ser seu pai. Recordo-me bem que na FEC, Faculdade Estadual do Ceará, tinha um aluno que eu o chamava de senhor Moura. Veja que interessante; eu com 20 e poucos anos e ele com mais de 50 anos de idade, demonstrando uma dedicação simplesmente admirável. Na Ufersa, foram muitos os alunos com idade superior a minha. E tem um fato interessantíssimo e marcante. No primeiro dia de aula na Ufersa, a maioria da turma achava que era um “trote” (risos).
Azougue – Com o nascimento da TCM, TV Cabo Mossoró, uma nova mudança em sua vida?
Stella Maris – E que bom que essas metamorfoses sempre foram bem positivas. Quando os meus pais iniciaram o processo de implantação da TV Cabo Mossoró, eu consegui conciliar por cerca de dois anos as duas atividades, porém com o passar do tempo percebi que teria que me doar mais à área de comunicação, até porque o meu pai, o sempre inquieto Milton Marques de Medeiros, silenciosamente (risos), já se via, um pouco distante da TV. A verdade é que fui contaminada pelo vírus televisivo e com a concretização dos projetos previamente elaborados, me entreguei de maneira absoluta à TCM.
Azougue – No início, o que você fazia na TCM?
Stella Maris – Atuei na área de cadastros, inclusão do assinante, a comercialização, etc. O meu pai acompanhava os meus movimentos e ia sempre me entregando uma tarefa a mais. Além da administração, veio também o departamento financeiro e com a sua eleição para reitor da Uern (lembre-se Caby, que eu há pouco disse que o Dr. Milton sempre foi um inquieto silencioso) e, consequentemente, a sua ausência, houve uma divisão de cargos, também com a inclusão da minha irmã Cibele, que residia em Fortaleza, veio somar conosco e assumiu o comercial; a minha mãe D. Zilene dirige o aspecto administrativo e eu atuo no contato com fornecedores locais, nacionais e também em nível internacional. Todo o processo financeiro fica sob a minha alçada.
Azougue – Por que sua ausência na telinha?
Stella Maris – Entendo que tudo tem seu tempo, sua época, porém acredito que num futuro breve isso poderá acontecer e não será sob hipótese alguma por vaidade, ou por ser uma das proprietárias da empresa. A verdade é que esse meio é extremamente fascinante e também entendo que posso ser mais útil ao nosso telespectador e também me construir mais profissionalmente.
Azougue – O que você pretende fazer na telinha?
Stella Maris – Eu posso lhe dizer que eu sei o que não quero, e coloco bancada de jornalismo, policial, sociedade. Agora, como eu já tenho informações do repórter Caby, prefiro até não citar a fonte (risos), eu vou adiantar as idéias que estão em fase embrionária. A primeira delas seria direcionada a aspectos sociais da comunidade. E um outro no segmento do empreendedorismo.
Azougue – Na programação da TCM, qual o programa que lhe faz ficar “grudada” na telinha?
Stella Maris – Esse assunto é bem comprometedor (risos), porque eu procuro sempre ver com o famoso olho clínico. Eu vejo sempre com o olho reparador, de correção, aquilo que pode sem querer estar agredindo de alguma forma o nosso telespectador. Olha, eu faço absoluta questão de não perder um programa de estréia e me vejo como interna e externa. Eu tento estar ao mesmo tempo sentada no meu departamento e também na cadeira do assinante.
Azougue – Você fugiu com mestria e maestria da pergunta. Vou repetir: qual o programa da TCM que lhe faz sentir-se uma autêntica macaca de auditório?
Stella Maris – Pelo visto, não tem jeito nenhum para a fuga (risos). Olha, vou puxar sardinha para a minha lata. É o programa Mossoró de Todos os Tempos, apesar de não retratar bem a minha idade, nos propicia a condição de conhecermos quem construiu e continua construindo a identidade da nossa Mossoró. Não é exatamente o fato de o apresentador ser exatamente o meu pai, é mais pela lição de cunho histórico que aprendemos.
Azougue – Sem dúvidas temos uma profissional por demais determinada. A dona de casa Stella tem perfil igual?
Stella Maris – Você não tem outra pergunta, não (risos)?
Azougue – Por incrível que pareça, não.
Stella Maris – Tá bem, mas não diga a ninguém que é meu amigo. Eu entro de cabeça quando o assunto é decoração, cores, contato sempre saudável com a nossa auxiliar, organizar agenda, degustar pratos, agora como cozinheira eu só sei passar um ovo (risos) e esquentar a água para um cafezinho ao meu esposo Frediano Rosado, lembre-se que eu disse somente esquentar a água. Amigo, colocar o pó na xícara vira complicação (risos).
Azougue – O que lhe deixa triste?
Stella Maris – A ausência de amor ao próximo. A observação da distância do ser humano a Deus.
Azougue – O que lhe deixa feliz
Stella Maris – A certeza de ter Deus comigo em todos os instantes.
Azougue – E também muita distância do fogão?
Stella Maris – Também não exagera. Não é bem assim. Apenas uma distância mais ou menos existente entre os planetas Terra e Netuno (risos).
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